REVISÃO HISTÓRICA DO ATENTADO DO AEROPORTO DE GUARARAPES

Dona Joseíta, como vai?
sou um grande admirador de seu trabalho no site A Verdade Sufocada e de seu finado marido, o Grande Coronel Ustra, um verdadeiro patriota e herói nacional.
Estou enviando o link de uma matéria que vi agora na web, a qual me deixou atônito. A famigerada Comissão da ''Verdade'' está querendo fazer um revisionismo histórico do atentado de Guararapes.A senhora tem conhecimento disso?
Continue este trabalho maravilhoso de mostrar a verdade para os brasileiros.
Meu cordial abraço à sua família e meus sentimentos pelo falecimento do Coronel Ustra.
Segue o link da matéria a qual me referi:
http://curiosamente.diariodepernambuco.com.br/project/os-50-anos-do-atentado-no-aeroporto-do-recife/

- Christian - Recebido por e-mail

“Os 50 anos do atentado a bomba no Aeroporto do Recife
por Daniele Alves
Durante a ditadura militar, o Recife foi palco de diversos ataques, mas foi o de julho de 1966 que entrou para a história como mais violento
Há quase 50 anos, quando o Brasil vivia uma ditadura militar, a cidade do Recife foi palco de diversos atentados. A maior parte deles não provocou muitos estragos, mas a incursão do dia 25 de julho de 1966, entrou para a história. Uma bomba explodiu em pleno Aeroporto dos Guararapes, tirando a vida de duas pessoas e ferindo outras 14. O episódio segue sem elucidação, com autores não identificados, cinco décadas depois.

Era uma manhã de uma segunda-feira e muitas pessoas aguardavam o marechal Artur Costa e Silva, então candidato à presidência, no saguão do aeroporto. O presidenciável, porém, mudou de trajeto – seguiria direto, de carro, ao prédio da Sudene, onde participaria de campanha, vindo de João Pessoa. Com o anúncio, começou a dispersão das pessoas, até que uma mala foi percebida abandonada no saguão. Enquanto o guarda-civil Sebastião Tomaz de Aquino seguia para entregá-la no balcão do Departamento de Aviação Civil (DAC), dentro dela, uma bomba explodiu. O próprio Sebastião, então conhecido como “Paraíba”, por ser ex-jogador do Santa Cruz, ficou ferido gravemente no rosto e nas pernas – a direita, seria amputada dias depois. Já o jornalista Edson Régis e o vice-almirante Nelson Gomes Fernandes perderam as vidas.

Segundo a versão dada pelos militares à sociedade durante o regime, a escolha tinha como objetivo atingir Costa e Silva. Mas, de acordo com a professora de História da Universidade Federal de Pernambuco, Marcília Gama, a versão oficial dada à imprensa na época se contradiz com um inquérito policial militar feito pela Secretaria de Segurança Pública. “O documento apresenta inúmeras contradições e fortes indícios no material de investigação coletado, declarações de pessoas que estavam no aeroporto, narrando dados curiosos e intrigantes pela polícia, levando a crer que tudo não passou de um plano orquestrado pelos militares com a participação da Base Aérea do Recife, com vista a criar um clima de medo e pânico, visando responsabilizar a Ação Popular (organização de esquerda que atuava no combate a ditadura), pelo suposto atentado”, afirma.

Em 1968, mesmo sem ninguém assumir a culpa pelo atentado, duas pessoas foram acusadas pelo Departamento de Ordem e Política Social (DOPS) como os autores do crime, o professor e engenheiro Edinaldo Miranda e o ex-deputado federal Ricardo Zarattini. Na época, Zarattini era militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e se envolvia em diversos casos de resistência camponesa em áreas canaviais na Zona da Mata. Edinaldo Miranda, apesar de simpatizar com a esquerda, não se engajava tanto quanto seu amigo, mas também acabou sendo levado do apartamento onde estavam. Presos e torturados para que assumissem a culpa, nenhum dos dois assumiu a autoria.

Para a historiadora, o atentado teria sido uma justificativa dos militares para agir de forma perversa e repressiva com o apoio da sociedade. “Nesse clima de terror, toda a opinião pública foi levada a condenar o atentado e ainda aprovar e exigir medidas enérgicas das autoridades para impedir que os crimes de subversão se alastrassem”, opina.Uma dúvida que dura cinco décadas

De acordo com o ex-advogado de Edinaldo Miranda, Gilberto Marques, ele foi julgado pela Auditoria Militar, que era detentora de competência jurisdicional da época, e em face da lei de Segurança Nacional, foi absolvido. Porém, o Ministério Público recorreu e ele acabou condenado em segunda instância pelo Superior Tribunal Militar a um ano de cadeia. Após a sentença, Edinaldo Miranda se exilou no Chile e posteriormente na França, de onde voltou para o Brasil após a Lei da Anistia, de 1979. Sobre Zarattini, afirma que ele não recebeu denúncia – foi apenas apontado como um dos suspeitos, nunca réu.

Já na década de 80, especulou-se que Betinho, integrante da Ação Popular (AP) na época, teria enviado uma carta a um dos acusados afirmando que a bomba havia sido de autoria de outro integrante da AP, sem, no entanto, identificá-lo. Após esse período, outros nomes foram apontados como mandantes ou participantes do atentado, como o ex-padre Alípio de Freitas e o militante político Raimundo Gonçalves Figueiredo.

Apesar de protegido pela Anistia, Edinaldo Miranda ainda era “considerado” culpado pela implantação da bomba. Faleceu em 20 de abril de 1997, com 54 anos e ainda sob a pecha de “terrorista”.

Foi somente em 2013, que a Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara oficializou a inocência de Edinaldo Miranda e Ricardo Zarattini, comprovada através de documentos coletados em algumas unidades militares de Pernambuco. Duas semanas depois, um documento da Marinha foi divulgado acusando Raimundo Gonçalves Figueiredo como o responsável pelo atentado.

Vítimas que não estavam no aeroporto

Flávio Régis, filho mais velho do jornalista Edson Régis, morto no atentado, questiona a atuação da Comissão Estadual da Verdade e Memória Dom Hélder Câmara em relação ao desfecho do caso. Segundo ele, a Comissão é unilateral, por só tratar de uma parte do acontecido.

“Pedi pra ser ouvido porque ela passou anos-luz da verdade histórica, focando só um lado. As famílias das vítimas do terrorismo foram ignoradas. Meu pai morreu em plena produtividade. Isso frustrou muito, pois eu vi que a Comissão era da meia-verdade. Fizemos petição através de advogados querendo conhecimento, não por dinheiro. Queríamos a verdade revelada, mas ela foi truncada.”, desabafa.

Acrescenta que a única forma de fazer justiça seria uma apuração abrangente do caso. “Continuamos convictos que um dia alguém irá apurar a verdade histórica com isenção. Eu ignoro e não dou o menor crédito para o relatório”.

O secretário-geral da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, Henrique Mariano, diz entender a posição de Flávio Régis, porém só cabe a eles investigar violações de direitos humanos cometidas por agentes do Estado. “Nós respeitamos, evidentemente, a opinião. O que a Comissão fez foi resgatar a história dentro da sua competência, das pessoas que foram presas, torturadas e ficaram com a mágoa da acusação de praticar esse ato. Crimes cometidos por pessoas comuns fogem da nossa prerrogativa”, afirma.

Desde 2006, o caso não pôde mais ser reaberto porque está coberto pela Lei da Anistia. Resta aos parentes das vítimas, a frustração por não saber quem foram os autores do atentado que mudou a vida de suas famílias. Até que uma outra investigação se faça não apenas possível, mas real.”

*Daniele é estagiária do Diario desde 2015. Escreve para a editoria de dados do jornal, no projeto CuriosaMente. Se interessa pelas questões históricas e das pautas urbanas que norteiam as discussões no estado.

Comentários  

-1 #3 Paulo Lisiero 29-02-2016 09:36
O próprio Betinho, irmão do Henfil, afirmou em documentário que eu assisti pela TV, que a AP - Ação Popular, organização subversiva apoiada pela ala esquerdista da Igreja Católica, havia planejado o atentado, mas que não queriam ferir nem matar ninguém. Os mentirosos contumazes querem subverter os fatos, não se assustem se disserem que foi Tiradentes quem traiu Joaquim Silvério dos Reis! Eles são formados e preparados para a mentira, para o engodo, como fizeram na última campanha eleitoral para Presidente da República. Na página 157 do livro "A Verdade Sufocada" consta a entrevista concedida em 1979 por Jair Ferreira de Sá, membro da AP que depois se transferiu para a VAR-Palmares(or ganização a que pertencia Dilma)que revelou a autoria do atentado, entre eles o Padre Alípio de Freitas e Raimundo Gonçalves Figueiredo o executor.
-1 #2 Os justos 28-02-2016 20:22
Por tudo isso: cassação é o melhor remédio para todos os brasileiros! Brasil A. T. (...)
-1 #1 Dalton Catunda Rocha 28-02-2016 16:00
O tirano cleptocrata Fidel Castro já treinava brasileiros em práticas de guerrilha, em Cuba, já no governo JK. O financiamento das Ligas Camponesas e APML (Ação Popular Marxista Leninista) de parte de Fidel Castro passou de milhões de dólares. Veja a foto do líder das Ligas Camponesas, neste site: https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/imagens/dossies/nav_jgoulart/fotos/Modulo6/TN1024.jpg . E veja a foto do líder da APML, um certo José Serra, neste outro site: http://oglobo.globo.com/brasil/imagens-do-comicio-da-central-do-brasil-11863422

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