Ernesto Caruso / Jus Brasil

Como visto no artigo anterior, o autor do livro Combate nas trevas, Jacob Gorender, relata toda uma preparação para a tomada do poder pelos comunistas por meio de violência revolucionária com a derrubada de governos desde Vargas, JK e Goulart. Práticas de luta armada, guerrilha, distúrbios e a criação de organizações revolucionárias trotskistas bem antes de 1964, além de várias críticas ao desempenho de Prestes.

O capítulo “Pré-revolução e Golpe Preventivo” deixa claro que a revolução marxista estava pronta para dar o bote e a contra-revolução de 64 pôs por terra o comunismo que seria imposto, demonstrado como flagelo da humanidade nos países onde foram vitoriosos com muito fuzilamento, sangue e sofrimento, só vindo a ruir em 1989 com a queda do muro de Berlin, hoje aplaudida por muitos que estavam na esquerda, iludidos e amantes da utopia.

Ainda há os que sentem saudade da URSS ouvindo a Internacional Socialista, vociferam contra a burguesia, mesmo indo e vindo sem pedir, nem justificar ao representante do partido no quarteirão. Em Cuba que queriam copiar, para de lá sair, só fugindo como “balsero” enfrentando os tubarões e a metralha dos Castros desde 1959.

Prossegue o autor. Em 03/01/64 Prestes anuncia a idéia continuísta de Jango. Aborda as intenções golpistas do presidente e destaca os enfrentamentos entre grupos comunistas e contrários, em especial impedindo/tumultuando a realização de palestras/discursos em faculdades ou associações diversas entre fevereiro e início de março. Comício da Central em 13/03 a pregar o fechamento do Congresso, desapropriação de áreas rurais superiores a 500 hectares. Marcha da Família com Deus pela liberdade em resposta ao comício da Central (19/03). Considerações sobre a possibilidade do golpe ser dado por Jango, oportunidade que seria aproveitada para transformá-lo em começo da revolução e, sobre o discurso de Prestes na ABI (17/03), colocando a direção da revolução sob Jango.

Atmosfera explosiva, reunião dos marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos (25/03), prisão dos insubordinados, nomeação por Jango de novo ministro da Marinha “com anuência do CGT”, teses do VI Congresso, via da luta armada com mais evidência, reunião de Jango com os sargentos no Automóvel Clube (30/03) e seu discurso desafiador. Em 31/03/64, tropas do Exército sediadas em Minas Gerais se levantaram contra Jango, esquerda em fuga; governo Castello Branco.

Eleição para governo dos Estados em 1965 e novaConstituição em 67. Comenta os livros A revolução brasileira, de 1966, do militante do PCB, O colapso do populismo no Brasil, 1968, de Otavio Ianni e os filmes de Glauber Rocha (67,69). Analisa a influência das lutas revolucionárias em Cuba, Argélia, Vietnã, Revolução Cultural Chinesa, atribuindo preponderância às ações do campesinato em detrimento do proletariado, com destaque ao foco de guerrilha; a esquerda procurava justificativa para a violência incondicionada; a luta armada tornara-se imperativa.

Analisa suas matrizes intelectuais: participa de um Congresso em 1962, onde um cubano expõe que a revolução começa com um pequeno foco em região camponesa e montanhosa; lição já do conhecimento da esquerda brasileira pelos escritos de Guevara (60) e Régis Debrey (67); o foquismo inspira as guerrilhas na Colômbia, Venezuela, Guatemala, Nicarágua, Argentina e Peru (derrotado um foco já em 1963 e outro em 65).

O autor chama Prestes, em duas páginas, de leviano, vaidoso, negligente e que se isenta de responsabilidade, transferindo a culpa a outro. Atribui a Marighela o apelo à violência extrema, definindo ação como violência revolucionária, luta armada, guerrilha e que foi quem mais pregou o terrorismo de esquerda. Em 29/03/64 dez militantes do PC DO B vão à China para um curso político-militar. Atentado ao Aeroporto dos Guararapes, 25/07/66, com “corpos despedaçados”, mortos e feridos pela AP; treinamento em Cuba (1965) e na China; guerrilha em Caparaó (Nov/66); assassinato do major alemão, confundido com militar boliviano, levou 10 tiros, ambos faziam curso no Brasil (01/07/68).

E tem muito mais atrocidade para se impor ao brasileiro a ditadura do proletariado, como eles mesmos escreveram, escrevem, e praticam segundo o modelo Fidel Castro de Cuba.