Guerrilha perdida: “Os carbonários” 
Guerrilha perdida Os carbonários(Livro de Alfredo Sirkis)
Ernesto Caruso
As páginas do livro “Os carbonários, memórias da guerrilha perdida” revelam a verdade do autor, Alfredo Sirkis e expõem a tentativa de implantação do comunismo no Brasil.
A guerrilha perdida, as derrotas em 1935 e 64 salvaram esta terra do “paredón” (cubano), do muro da morte (alemão), do terrorismo tipo FARC (colombiana), da perseguição religiosa e de outras atrocidades modeladas pela URSS, onde jazem por terra os monumentos a Lenin, ainda cultuado por alguns no Brasil.
Narrativas iniciais, origem do título, jovem estudante secundarista, colégios caros, cursos de idiomas, Rio de Janeiro, entra para o Colégio de Aplicação (CAp); 1966/67; afeição pela esquerda; diz-se ainda lacerdista a despeito do pai já achar que tinha um bolchevique em casa; troca a foto de Kennedy por Guevara (1968); um subtítulo, “do lacerdismo à subversão”. Escreve que o pai lhe falava sobre os horrores do comunismo; judeu-polonês, que ao fugir da invasão alemã em 1939 para o leste da Polônia, terminou por integrar o exército de trabalho vermelho, passou fome, teve malária, incorporou ao exército russo, volta à Polônia e foge para o Brasil, onde se casou com a filha de um dos 13 mil oficiais poloneses fuzilados por ordem de Stalin na floresta de Katin, que com a mãe e a irmã foram, então, deportadas para a Sibéria, onde trabalharam por cinco anos.
 
A militância no CAp, a efervescência no meio estudantil e publicação no jornal, lhe trouxe uma admoestação paterna, chamando o colégio de ninho de comunistas. Relata a fase da pichação, interesse pelo marxismo, “Trotski, o Profeta Armado”, a injustiça social, livros e mais livros como escreve, “subtraindo sucessivamente às livrarias”. Faz crítica ao modelo soviético, cita a China, Cuba e o exemplo do Che. Lê Guerra de Guerrilhas do Che. Converte-se à causa vietcong. Qualifica o grupo de direita de burros (quase todos) e sem garra. Em família nos embates ideológicos, seu pai o chama de subversivo, baderneiro. Preparação, passeatas e depredações se sucederam. “Massinha organizada”, entidades orientadoras, dissidência comunista da Guanabara (DI-GB), Ação Popular, PC do B, PCBR, DI-SP, Núcleo Marxista-Lenista e COLINA. “Não pescava bem” porque tantas siglas e divergências. Entendia a rejeição ao partidão, porquanto pregava a linha pacífica.
 
Discorre sobre assaltos a banco, roubo de armas e explosivos, AI5, execução do Cap Chandler, norte-americano, segundo cita, participara da morte de Guevara; carro-bomba no QG do II Ex, pichação em apoio a Marighela. Vida de estudante e aprendiz de guerrilheiro. Krupskaia era o nome da companheira de Lênin, nome do automóvel Gordini usado pelo grupo, depois substituído pelo Volks 65, chamado Natália em homenagem à companheira de Trotski.
 
Sobre o atentado ao QG do II Exército, discorre:
 
“Uma perua carregada com uns vinte quilos de dinamite foi atirada contra o quartel-general... Os sentinelas perceberam e abriram fogo... A perua se desviou e bateu no muro. Ficou parada e depois estourou, num estrondo que sacudiu meia São Paulo. Matou um cabo do exército que virou herói nacional.” 
 
Não era cabo. Era o soldado Mario Kozel Filho, no serviço de sentinela, jovem de 18 anos que prestava o serviço militar. Dia 26 de junho de 1968. Se era intenção matar o general, nem o feriu. Terrorismo é isso, atinge inocentes. 
 
http://museuvitimasdoscomunistas.com.br/saloes/ver/assassinato-do-soldado-mario-kozel-filho-26061968-
 
O AI-5 foi assinado em 13 de dezembro desse ano face à intensificação da luta armada e o desvario dos velhos chefões comunistas na manipulação da juventude.
 
Sirkis narra a sua participação no sequestro do embaixador alemão, atinente ao transbordo e vigia do cativeiro; na ação, um segurança foi morto e dois feridos; assalto a bancos e roubo de carros; no sequestro do embaixador suíço; dilema de matar o embaixador (imagina o próprio), se não libertarem os terroristas-companheiros; um guarda-costas morto por Lamarca, que o considera com limitações teóricas e culturais e certo complexo. Relata a morte a coronhadas do Ten PMSP Alberto Martins por Fujimori no Vale do Ribeira. Expropriação de gêneros de supermercado. Metralhado o presidente da Ultragás. “Justiçamento do desertor” Márcio Toledo (conhecia os esquemas de treinamento em Cuba). 
 
Enquadra-se como “velho bolchevique”, sem condições para aguentar, pede desligamento, tira o passaporte e vai para o Chile.
 
Pois bem. Todos esses crimes de gente inocente ou combatente perpetrados pelos comunistas foram anistiados, portanto sem razão de condenar quem os derrotou, sofreu, morreu, ficou mutilado. 
 
Ou, a viúva do segurança do embaixador não ficou com o coração partido a sustentar e explicar a seus filhos que papai foi para o céu? Quantos momentos de tristeza, lágrimas e solidão nas noites mal dormidas? Foram indenizados ou vivem com mísera pensão? Covardia, soberba e recalque? Vingança como resultante?
 
E a família de Márcio Toledo? Pior, não? Os “companheiros” o mataram.