Quem , em sã consciência, pode ser contrário ao recente acordo de paz, firmado entre o líder  das FARC e o Presidente Colombiano, mediado por RAUL CASTRO , um dos chefes e principais  algozes da revolução CUBANA,  ocorrida em 1959, que nutria evidentes simpatias e apoiava, veladamente, a atuação da guerrilha no país dividido.
O espírito conciliador   deve prevalecer  entre  inimigos, respeitando os vencidos de todas as tendências ideológicas. CAXIAS assim procedia ;  depois de vencer as duras refregas contra seus oponentes, exigia total respeito àqueles que perdiam. Sua preocupação sempre foi a unidade nacional e a obtenção da paz. Sem desarmar espíritos, o respeitado PACIFICADOR  sabia   que as feridas continuariam  abertas.


Não foi diferente, também, a intenção  do povo espanhol,  ao erguer o memorial franquista  , no Vale de Los Caídos,  hoje visto como   Monumento da Pacificação Nacional. Ao lado do Monastério  EL ESCORIAL , na nave principal  da  basílica cavada na rocha, repousam , indistintamente, os ossos de todos os mortos no sangrento conflito. O Pacto de Moncloa, assinado pelas facções em disputa , em 25/10/1977, pôs  fim ao ódio e a longos anos de angústia que dividiam os filhos  da nação de CERVANTES e de LOPE DE VEGA.
Estranha, portanto , as  críticas de analistas brasileiros , sobre o resultado do plebiscito  rejeitado por mais de metade da população colombiana, revelando a inconformidade  daqueles que perderam seus entes queridos , vítimas dos horrendos crimes cometidos pelos guerrilheiros das FARC , durante  meio século. O que os familiares descontentes com o acordo desejam, não é diferente do que se passou no Brasil recentemente.
Os sentimentos dos que choram seus mortos , sejam de direita ou de esquerda, não são diferentes. O insucesso dos trabalhos executados pelas diversas “ Comissões da Meia-Verdade” no Brasil,  reside justamente no fato de se ter entregue a apuração isenta dos lastimáveis fatos ocorridos a somente um dos lados. Esse trabalho  deveria ser  tarefa de historiadores e não de militantes da causa em apuração, sem intenção premeditada de punir .
A postura dos “ juízes apuradores” e o virtuoso comportamento que se esperava  dos seus membros não ocorreu. Ao contrário, sem exceção ,  atropelaram os objetivos estabelecidos, os acordos ratificados  no Congresso Nacional à época e, por fim, as  decisões julgadas pela mais alta corte de Justiça do país, o Supremo Tribunal Federal.
Não será com ódios, intolerâncias ,  ressentimentos e posturas sectárias que colocaremos, novamente,  o país na senda do progresso e da concórdia . É preciso não olvidar o velho e conhecido adágio,  pleno de sabedoria:
“ O território das crenças e das convicções é uma cidadela inexpugnável”.
  Porto Alegre, 09 de outubro de 2016
Carlos Augusto Fernandes dos Santos
Militar Reformado