CONGRATULAÇÕES À ESQUERDA
Por Carlos I. S.Azambuja - Publicado  no Alerta Total
O texto abaixo foi publicado no jornal “Arauto”, do Clube de Aeronáutica, em 1996. É de autoria de Carlos I. S. Azambuja, e faz alusão a um pouco de História ... que Não Faz Mal a Ninguém:
     Logo após a Revolução de 31 de março de 1964, que depôs o governo comunizante de João Goulart, as organizações, partidos e grupos de esquerda, então existentes em nosso pais, e logo após as inúmeras outras organizações constituídas pelas bases radicalizadas do chamado “Partidão”, definiram como prioritária a derrubada do regime instituído, utilizando, como tática, todas as formas de luta, conforme prescrevem os manuais marxistas-leninistas
     Esse projeto de luta armada, recordemos, vinha sendo alimentado desde antes de 1964, estimulado pelo exemplo da revolução cubana. Isso, sem falar nas propostas de revolução armada, que vinham de muito antes, na melhor tradição bolchevique, como o levante de 1935, determinado pelo Komintern, conforme comprova, de forma irrefutável, o livro “Camaradas”, escrito por William Waak.
 
     É notório que já no governo de João Goulart existiam grupos voltados para essas formas de luta “mais avançadas”, segundo o jargão marxista.
     Nesse sentido, é esclarecedor o depoimento de um ex-guerrilheiro urbano, um dos dirigentes, nos anos 60. da organização Dissidência da Guanabara e, depois, do Movimento Revolucionário Oito de Outubro, preso, banido do país, e posteriormente anistiado: “(...) Antes da radicalização da ditadura, em 1968, e antes mesmo de sua própria instauração, em 1964, estava no ar um projeto revolucionário ofensivo. Os dissidentes se estilhaçariam em torno de encaminhamentos concretos, formando uma miríade de organizações e grupos, mas havia acordo quanto ao nó da questão: chegara a hora do assalto” (Daniel Aarão Reis Filho, professor de História Contemporânea da Universidade Federal  Fluminense, em “Este Imprevisível Passado”, artigo publicado na revista Teoria & Debate, de julho/agosto/setembro de 1996).
     Os seqüestros de aviões, de diplomatas estrangeiros, os roubos de armas, os atentados terroristas, os assaltos a agências bancárias, a estabelecimentos comerciais e até mesmo a residências, os ataques a quartéis, foram transformados em tática militar e precederam o que foi  denominado de ‘radicalização da ditadura”, em dezembro de 1968, com a edição do Ato Institucional número 5.
     Em 1970, ao assumir a presidência da República, o general Garrastazu Médice definiu como prioritário o fim do terrorismo. Para isso, em janeiro de 1970, foram criados os DOI-CODI. No entanto, Marighela não mais existia, pois havia sido morto, em via pública, em São Paão Impossível”), havia deixado um testamento que iria ser responsável, entre os que seguiram seus ensinamentos, por uma montanha de mortos: o Minimanual do Guerrilheiro Urbano.
     Lamarca, no entanto, que traiu o Exército, sua mulher e seus filhos, ladrão de armas, assaltante de bancos, seqüestrador e assassino de inocentes de forma vil, como a morte a coronhadas do Tenente Alberto Mendes Junior, no Vale da Ribeira, ainda viveria até o ano seguinte. Em setembro de 1971, seria morto no sertão da Bahia, local que, posteriormente, a tal Comissão de Mortos e Desaparecidos definiu que também era um local assemelhado a uma dependência policial.
     Em agosto de 1979, com as guerrilhas urbana e rural erradicadas e o país pacificado, o presidente Figueiredo assinou a lei que concedeu uma anistia, ampla, geral e irrestrita, que libertou todos os que se encontravam presos e condenados.
     Em maio de 1985, a chamada Nova República legalizou os partidos clandestinos, graças uma Emenda Constitucional de autoria do então deputado federal Roberto Freire, ele próprio dirigente de um desses partidos clandestinos, o PCB.
     A partir de então, o aparelho burocrático do governo passou a ser tomado, de forma lenta, gradual e segura, pela esquerda anistiada, derrotada, mas não conformada. Os Órgãos de Inteligência, na era Collor, foram desmantelados e as Forças Armadas economicamente sufocadas, restando-lhes uma única função: sobreviver.
     A Constituição Cidadã, de 1988, propiciou centenas de “retornos” às FF AA. O Estado promoveu-os e pagou por isso. Também os demitidos e expulsos em 1985 foram reincorporados e promovidos.
     Como se isso não bastasse, uma Comissão, denominada de Mortos e Desaparecidos, foi constituída e passou a recopensar as famílias daqueles que escolheram livremente o caminho da luta armada, seqüestraram, assaltaram e mataram, sendo, afinal, mortos pelos que, constitucionalmente, cumpriam suas obrigações de defender a Pátria a Lei e a Ordem, com o sacrifício da própria vida, coerentes com o juramento que fizeram ao entrar para a carreira militar.
     Do lado aos que se opuseram que a Pátria se transformasse numa República Popular Democrática, vidas preciosas foram perdidas, muitas famílias ficaram sem os seus chefes, mas nenhuma delas, em todos estes anos, nada reivindicou.
     Com relação, especificamente, ao caso Carlos Lamarca, a relatora, na Comissão de Mortos e Desaparecidos, uma ex-guerrilheira urbana, afirmou que a repressão não respeitou a Comissão de Genebra (?) e que “como os guerrilheiros do Araguaia, ele, Lamarca, fez também prisioneiros, aos quais respeitou a integridade” (coitada, desconhece a História do Brasil), e afirmou que o relator da Lei que proporciona a recompensa às famílias dos mortos pela repressão, o atual Chefe do Gabinete do Ministério da Justiça, legislou por conta própria e que “foi vontade do legislador incluir os que morreram em combate direto cm as forças repressivas” (sic).
     Este não é um tema altamente ilustrativo e edificante para ser incluído nos currículos das Academias Militares?
     Parabéns às esquerdas! Vocês chegaram lá, utilizando os meios pacíficos. Afinal, essa é uma forma de luta, também revolucionária

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