A Arvore Boa 2

Para muitos brasileiros, o país está a margem de seu Rubicão , esperando ser lançada
General Rômulo Binin  Pereira *       

Como já se aproximava o cinquentenário da Revolução Democrática de 1964, este jornal publicou, em 19/02/2014, o artigo “A Árvore Boa”, onde foram apresentadas as razões pelas quais seus defensores mantinham a sua fé nos princípios éticos e morais que conduziram aquele movimento histórico e democrático.
        Desde então, fatos de grande repercussão política aconteceram. Percebe-se, todavia, que o País ainda continua numa fase conturbada e que seu futuro é incerto. Diuturnamente surgem acontecimentos que revelam que a gestão incompetente dos governos petistas implantou uma corrupção sistêmica, o que levou a nação à bancarrota e ao descrédito internacional. É por isso que o título deste artigo evoca novamente o citado movimento que acabou de completar cinquenta e três anos.
Para surpresa de muitos que acompanham o atual momento político, o tema  — A Revolução de 64 —  tem tido uma expressiva exposição nas mídias, cujas razões são desconhecidas. Provavelmente serão resultantes do crescimento dos partidos de direita em todo mundo e, até mesmo, a posição significativa nas pesquisas eleitorais de um candidato à Presidência, dito de direita. As esquerdas brasileiras consideram de direita ou fascista quem se posiciona contra o já desgastado “politicamente correto”, ou contra suas obsoletas e ineficazes “verdades ideológicas”. Os artigos, as análises, os debates, as entrevistas, os filmes e as séries televisivas apresentam sempre um roteiro repetitivo, com os mesmos depoimentos, fotos, cenas, incluindo aquelas que transmitem uma ação ou uma imagem de autoritarismo e de agressividade. Uma abordagem parcial e de meias verdades, características do gramscismo.
Raramente se notam referências ao contexto histórico daquela época, à vigência da Guerra Fria, à atuação mundial do Movimento Comunista Internacional (MCI) e, principalmente, à influência da ditadura cubana nos países sul-americanos, que resultou na eclosão de movimentos armados em quase todo o continente com milhares de mortos. As FARC, apoiadas diretamente por Cuba, são o maior exemplo dessa influência. Felizmente, no Brasil, graças ao repúdio da maioria do seu povo e à ação de suas forças constitucionais — Forças Armadas e Policias Militares — as guerrilhas urbana e rural não atingiram seus objetivos espúrios e totalitários.
Os lamentáveis fatos ocorridos no Estado do Espírito Santo colocaram essas duas Instituições em evidência. Representantes de organizações de direitos humanos afirmam que as Policias Militares são “uma herança do regime militar e que veem a sociedade como inimiga”. Uma declaração inconsequente e estereotipada, já antiga, criada pela esquerda revanchista e seu patrulhamento ideológico.
Nos dias atuais o mundo sofre um latente aumento de violência, e no Brasil a escalada é maior com índices urbanos impressionantes. No Estado do Rio de Janeiro a violência é de uma guerra civil com inúmeras mortes e com zonas liberadas de domínio do crime organizado. Nesse ambiente é que atuam as forças de segurança (Art 144-CF), afetadas ainda pela impunidade e permissividade social presentes em nossa sociedade. Seria bom se os citados representantes conhecessem os cursos de formação e especialização de oficiais e praças das PM, cujos programas de instrução adotam o princípio básico de "viver a sociedade e não de combatê-la". Apesar dos erros de alguns de seus integrantes, não se deve imputar às instituições policiais a responsabilidade pela imensa desordem social que reina no País.     
Em 49 a.C., Júlio César, general romano e estadista com grande prestígio popular, ao atravessar o rio Rubicão, contrariou o Senado Romano e provocou uma crise política, cuja consequência foi a eclosão de uma guerra civil na República Romana. Essa histórica travessia passou a significar, no decorrer dos séculos, situações que expressem perigo e decisões que não têm volta. Independentemente do que ocorreu em Roma, para muitos brasileiros, o Brasil está às margens do seu Rubicão, esperando “a sorte ser lançada”.
Numa das margens estão homens e mulheres que anseiam por um País digno e justo. Participam de manifestações populares, nas quais demonstram a sua repulsa à banalidade do mal e que combatem a erosão de valores éticos e morais de nossa sociedade. Defendem vigorosamente o Juiz Sérgio Moro e sua equipe. Pelo que representam, assemelham-se aos que cultuam e cultivam os valores da "Árvore Boa".
Na outra margem encontramos novamente o abominável “nóis”, os que colocaram a nação no fundo do poço e no mar de lama em que vive. Esqueceram-se completamente do passado. São aqueles que se posicionam contra qualquer medida, reformista ou não, adotada pelo novo governo. São aqueles que, por meio de medidas sub-reptícias, almejam uma anistia de suas fraudulentas operações. São aqueles juízes que proclamam sentenças frontalmente contra a opinião pública e que beneficiam criminosos de todos os naipes, e, infelizmente, alguns juízes das Altas Cortes que, julgando estarem investidos de poderes absolutos, conduzem-se com arrogância de suposta infalibilidade. São aqueles que pregam o entendimento de políticos da situação e da oposição, um verdadeiro "acordão" que não visa o País, mas, sim, seus interesses individuais e partidários. E ainda há aqueles que trafegam em ambientes onde predominam a falsidade sem limites, a podridão e a falta de caráter.
Neste confronto de margens não se sabe quem será o vencedor, pois o futuro do Brasil ainda é incerto. Que seja a primeira margem, cujos princípios se identificam plenamente com os adotados pela Revolução de 64. Será um revigoramento de suas raízes, de seu tronco e de seus frutos. Por isso, é bom repetir o fecho do artigo de 2014: A Revolução de 1964 será sempre uma Árvore Boa!
*  General-de- Exército, ex-chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa.

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