Tenente morto a coronhadas – Os Dias eram assim
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso
É fato. A História registra o efeito dominó na expansão da doutrina marxista-leninista, após a implantação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que se consolidara desde sempre como potência imperialista ampliando o seu território nas quatro direções dos pontos cardiais. Inicialmente anexando países confinantes através a subversão comunista armada, dirigida e apoiada por Moscou. 
O terceiro mundo virou meta (1953). No Oriente Médio, de forma dissimulada aproveitando os movimentos de libertação nacional, estimulados como “progressistas”, ainda que não socialistas ou comunistas, mas convenientes na primeira etapa. Como regra, criar uma dependência militar, política.
 
Bem antes, o Brasil foi alvo, com a Intentona Comunista de 1935. Conquista do poder pela luta armada ou pela via pacífica como ocorreu na Thecoslováquia em 1948, a engrossar a Cortina de Ferro a oeste da União Soviética; tentar respirar democracia em 1968 com a Primavera de Praga, sufocada pelas forças do Pacto de Varsóvia e mantida sob os grilhões vermelhos até 1989, quando o anseio por liberdade fez ruir o Muro de Berlim.
 
Toda a tentativa de esconder o passado vivenciado pelo mundo e pelos brasileiros é inútil; pode fazer novela, entrevista, filme, nada apaga a História de crimes dos comunistas. A abordagem introdutória tem por objetivo lembrar e homenagear uma dessas vítimas em solo brasileiro no entorno da comemoração do Dia das Mães, que naquele fatídico ano, 1970, ocorreu em 10 de maio. Triste episódio do tenente morto a coronhadas.
Pensar e pensar no sofrimento da genitora do tenente PMSP Alberto Mendes Jr, não só pela perda do filho no crime bárbaro, mas a repetida dor que sentiu a cada festa em homenagem às mães. Amargor por toda a vida.
No contexto de combate à luta armada empreendida por guerrilheiros e terroristas, foi descoberta na região no vale do Ribeira, Registro/SP, uma área de treinamento de guerrilha da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), sob a chefia de Carlos Lamarca, que mesmo como capitão do Exército integrava o movimento comunista; desertara furtando armamento e veículo da Unidade onde servia.
Diante das operações realizadas pelas forças regulares do Exército e da Polícia Militar, alguns dos terroristas se evadiram, outros foram presos. Do efetivo da PM, ficara apenas um pelotão comandado pelo tenente Mendes. Jovem de 23 anos que se apresentara como voluntário para comandá-lo.
No dia 8 de maio, sete dos guerrilheiros se evadiram em uma caminhonete, mas foram abordados por uma patrulha da PM no posto de combustível em Eldorado Paulista, que lhes pediu identificação.
Apesar da alegação de que eram caçadores, os policiais desconfiaram e reagiram sem efeito prático, pois foram feridos pelos que estavam na carroceria. Em confronto posterior com outra patrulha comandada pelo tenente Mendes e após intenso tiroteio e mais policiais necessitando atendimento médico urgente, decidiu o oficial entregar-se com a condição de socorrer os feridos.
Isto posto, alguns ficaram como reféns e os feridos foram com o tenente. De madrugada retornou para junto dos seus subordinados por denodado cumprimento do dever e respeito aos colegas de farda que deixara nas mãos dos terroristas.
O grupo desloca e ao se aproximar de Sete Barras mais um tiroteio, dois guerrilheiros fogem e são presos poucos dias depois. O restante sob o comando de Lamarca se embrenha no mato, leva o tenente como refém e o mata friamente.
Vale destacar as palavras transcritas do livro Os Carbonários de Alfredo Sirkis, que narra o ocorrido no cativeiro do embaixador da Suíça, em dezembro de 1970, contado por Lamarca:
”Tudo começou com um encontro casual... entre nós..., e um pelotão de 17 soldados da PM que vinha... em sentido contrário. Abrimos fogo primeiro. Estava muito escuro... Estavam com vários feridos... seguimos a pé somente com o tenente... A sua atitude pareceu suspeita... a velocidade era lenta..., não sabíamos o que fazer com ele... todo mundo esgotado... só dois podiam descansar de cada vez... chegamos à conclusão que a única solução era eliminá-lo... Aí o japa (Yoshitame Fujimore) matou-o com uma coronhada  de FAL na nuca.
"Durante muito tempo o luto na minha família não acabou", afirmou Adauto.
"Minha mãe passou anos conservando o quarto do meu irmão como ele deixara.” (Entrevista do irmão do tenente no sepultamento do pai em 02/12/2014 - Estadão).
Os dias eram assim...
 
Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado

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