Livro contesta homenagem a guerrilheiro

Por José Mitchell

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Lançado em abril por um dos mais famosos agentes do aparato de repressão da ditadura militar (1964-1985), o coronel da reserva do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, 73 anos, o livro 'A Verdade Sufocada' contesta uma homenagem d Câmara Municipal de Porto Alegre concedida a um guerrilheiro que teria ajudado a matar, a coronhadas, um tenente da Polícia Militar de São Paulo. O guerrilheiro Diógenes Sobrosa de Souza acabou virando nome de rua na Capital. 

 Souza integrou um grupo da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) liderado por Carlos Lamarca e que estava cercado pelo Exército no Vale do Ribeira (SO), em maio de 1970. Num confronto, o tenente da Polícia Militar de São Paulo Alberto Mendes Júnior terminou como refém dos guerrilheiros. O grupo de Lamarca decidiu executar Mendes Júnior, optando por não disparar tiros para evitar a localização pelo Exército. Os guerrilheiros terminaram matando o tenente a coronhadas. Segundo o livro e informações dos inquéritos e processos da época, as últimas coronhadas que esfaleceram o crânio do militar teriam sido dadas por Souza.
                 Em maio de 2004, o então prefeito João Verle (PT) sancionou lei designando um logradouro do loteamento Quinta do Portal como Rua Diógenes Sobrosa de Souza. Um projeto em tramitação na Câmara propõe a revogação da homenagem.

                 Gaúcho de Santa Maria, Brilhante Ustra comandou a operação Bandeirantes (Oban) e o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do II Exército, em São Paulo, entre 1970 e 1974. Por suas ações na repressão, Brilhante Ustra tornou-se um dos símbolos da ditadura militar.

                 Editoras rejeitam sugestão de publicação

                 Com Brilhante Ustra à frente do DOI-Codi em São Paulo, teriam ocorrido 502 casos de torturas em presos políticos, segundo o cardeal dom Evaristo Arns. O militar, no entanto, ironiza o prelado:

                 - Não foram 502, foram mais de 3 mil pessoas que passaram lá. E ficam sempre inventando denúncias de torturas não-comprovadas.

                 Brilhante Ustra enfrentou uma situação inusitada com o livro. Segundo o militar, nenhuma editora de projeção aceitou a oferta. Ele acabou pagando do próprio bolso a tiragem inicial de 3 mil exemplares, que recebeu o selo da Editora Ser, de Brasília.

                 Com o livro pronto, Brilhante Ustra diz ter enfrentado outra dificuldade, a de não conseguir nenhuma grande livraria que aceitasse vender os exemplares. O lançamento da obra em abril, no Iate Clube, em Brasília, teve grande público, com 486 livros vendidos, um índice considerável para uma noite de autógrafos. O militar pretende fazer o lançamento em Porto Alegre, mas ainda não tem data marcada.

                 Em A Verdade Sufocada, Brilhante Ustra relaciona não só a composição e as ações dos grupos guerrilheiros da esquerda e muitos dos seus crimes como revela novidades sobre a atuação dos órgãos militares. Algumas delas se relacionam às estratégias para acompanhar membros da esquerda, alugando casas próximos a residências de guerrilheiros. Os militares do DOI também costumavam vazar informações de que um militante que queriam prejudicar ou prender teria se tranformado em infiltrado dos órgãos de segurança.

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