Rodrigo Maia admite que pode aceitar pedido de impeachment contra Temer
Jeferson Ribeiro -  Globo
Ao revelar que foi a primeira pessoa a alertar o presidente Michel Temer sobre o “ambiente de aflição” na Comissão de Constituição e Justiça, provocado pela análise da denúncia da Procuradoria-Geral da República, deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, criticou ontem a estratégia de comunicação do Planalto, que, de acordo com o deputado, alimenta o clima de intrigas no Congresso. Maia afirmou ainda, em entrevista ao jornalista Roberto D´Avila, da GloboNews, que, neste momento, será mais presidente da instituição do que deputado aliado.
Com isso, diz, manterá a independência para o julgamento da denúncia, marcado para o dia 2 de agosto, e também para análise dos pedidos de impeachment que tramitam na Câmara.
 
 
FORTE PRESSÃO – Maia disse que, até a análise da denúncia pelo plenário, os deputados ficarão sob forte pressão das redes sociais e da sociedade. Segundo ele, Temer é “querido no Parlamento”, o que facilita o diálogo com os partidos. O deputado, porém, lamentou o que chamou de vários porta-vozes  do Planalto.
 
“Esse Palácio tem muita boca. Já venho dizendo há muitos meses isso para o presidente. O Palácio tem que falar menos. E eu acho que isso é uma coisa que atrapalha o governo. Não apenas agora, desde o começo a gente vê muita gente falando em off pelo Palácio” — criticou Maia, antes de completar: “Com isso, reduziria muito as intrigas e as fofocas no Palácio do Planalto”.
 
O político fluminense afirmou ainda que é importante que se vote logo a denúncia contra o presidente para que o país avance na agenda de reformas. Ele disse que convocará sessões sucessivas até haver quórum para votar a aceitação ou não da denúncia.
 
EMENDAS PARLAMENTARES “Eu estou na Câmara há muitos anos. Nós votamos agora o processo de impedimento da presidente Dilma (Rousseff). Se cada emenda parlamentar resolvesse o problema, a presidente Dilma presidiria o Brasil. Tem muita espuma nessa história” — afirmou Maia.
 
Ele disse que as trocas na Comissão são legítimas e que o rito seguido para votação da denúncia teve concordância da oposição. O presidente da Câmara minimizou as manobras do governo para vencer na CCJ.
 
“Não acho que isso é decisivo. A troca em si ela resolve uma instância e no plenário todos vão votar e cada um daqueles que não estão na comissão no plenário poderão dar seu voto”.
 
FIDELIDADE – Maia assegurou que, embora adote uma postura “institucional”, manterá a fidelidade ao presidente. E negou participar de qualquer tipo de conspiração.
 
“Meu papel como presidente da Câmara é não ter posição sobre esse assunto. Eu, além de presidir a sessão que vai decidir pela abertura ou não da denúncia, eu tenho, no momento seguinte, vários processos de impeachment para serem decididos. Nesse momento, tenho trabalhado diariamente para me colocar no papel mais de presidente da Câmara do que de deputado aliado ao governo. Para que eu possa ter liberdade de presidir a sessão e, no dia seguinte, quando decidir sobre pedido de impeachment, eu possa decidir com isenção de presidente da Casa” — explicou Maia, que não quis tratar da possibilidade de assumir a Presidência no caso de uma saída prematura do peemedebista: — “Nesse momento, eu tenho que tomar muito cuidado com as palavras”.

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