Quem tem medo do Coronel?
por Heitor De Paola em 03 de junho de 2006

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Texto completo 

Resumo: O Cel. Brilhante Ustra vem tentando inutilmente discutir os fatos que o envolvem e não rejeita ser acusado, pedindo apena provas e não boatos que comprovem as acusações que sofre.

 

 

“... aos jovens que não viveram aquela época e que somente

conhecem a história  distorcida pelos perdedores de  ontem...

Não é sobre a mentira  que se alicerça o futuro de um País”.

 CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA

Dedicatória de seu livro “A Verdade Sufocada”

Desde a chamada “redemocratização” em 1985, com direito a pantomimas mórbidas e palhaçadas explícitas do Presidente do Partido dos “milicos” que se transmutou em oposicionista, formou-se um pacto entre a mídia e os maîtres a penser, a auto-proclamada intelectualidade brasileira, de recontar a história dos governos militares como os “anos de chumbo”, um combate sujo dos sangrentos militares contra os bondosos heróis, combatentes da liberdade e da democracia. Contaram para isto com a benigna atitude de brazilianistas, especialistas (ôops!) em Brasil, todos escrevendo por encomenda e regiamente pagos por Fundações esquerdistas americanas. Resultado: o eleitorado, fascinado, colocou os tais heróis lá: primeiro os tucanos, depois os carcamanos.

Este pacto – sinistro pelas duas acepções da palavra: por ser simultaneamente terrível e de esquerda – foi aqui e ali rompido na mídia hegemônica, mas quase sempre por “ultradireitistas fanáticos” como Olavo de Carvalho. Apenas jornais alternativos ou eletrônicos, como este no qual escrevo, e sites como o TERNUMA (Terrorismo Nunca Mais) têm inutilmente tentado levantar o véu que encobre a verdade.

Pois a mídia hegemônica começou a se mexer. Primeiramente, Renata Lo Prete entrevistou Roberto Jefferson e desmascarou a virgindade angelical das Vestais petistas, mostrando que jamais este país esteve em mãos tão sujas como as atuais. Mesmo assim, sempre dá para alguns se safarem – principalmente Lula, o que “de nada sabe” e sempre exigiu retidão e menas marucutaia! Entre mortos e feridos salvou-se a maioria dos facínoras com a devida e nada discreta ajuda de todos os partidos políticos onde sobram os rabos presos. Como era de prever – e escrevi aqui logo que começou o destampatório – houve alguns bodes expiatórios e nada mais.

Mônica Bérgamo, no entanto, extrapolou quando divulgou o novo livro do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, A Verdade Sufocada: A História que a Esquerda não Quer que o Brasil Conheça (Brasília, Editora Ser, 2006) e foi alvo de ataques e... silêncio, sobretudo silêncio. Nem sei qual dos dois é pior! Já tive a experiência de dizer verdades recebidas com o mais absoluto silêncio e sei como este, ao acabar com o debate, deixa quem falou com cara de idiota falando para as paredes. Conclui-se, falar mal da esquerda é permitido, mas jamais defender a direita, mormente um oficial acusado por testemunhas (?) de torturador. Aí já é demais!

Mas, o que temem quando se negam a debater com o autor? Brilhante Ustra vem tentando inutilmente discutir os fatos ocorridos naqueles tempos, não rejeita ser acusado, o que pede – e é de seu pleno direito – são provas e não boatos, fofocas, meros testemunhos sussurrados nas universidades, nas redações e nas reuniões sociais do jet set! Pela sua disposição de escrever dois livros do próprio bolso, pois o silêncio imposto às redações estende-se às editoras que recusaram sistematicamente publicá-los e às grandes livrarias que se recusaram a vender o livro, com exceção da Livraria Cultura, parece que sua intenção é ser julgado antes de ser condenado a priori, só porque pertenceu à odiada “comunidade de informações”.

Por que temem o Coronel? Existem dois níveis de explicação. O mais superficial é amplamente demonstrado por Carlos Ilitch Azambuja: temem perder as polpudas indenizações conseguidas às custas de mentiras. Outros, devidamente empregados pelo PT – parece que somam 40.000 novos empregos em três anos – temem por seus contracheques. Ambos os contingentes constituem a “Nova Classe”, a Nomenklatura, que tem engordado suas contas bancárias às custas dos trouxas enganados. Temem a reação, se os trouxas souberem que estão sendo roubados por gatunos e não contribuindo para homenagear heróis ou legítimos funcionários.

Mais profundamente, temem perder a aura de heroísmo e verem a si mesmos expostos como bandidos, assassinos, ladrões, legítimos antecessores de Beira-Mar e Marcola. Como é o caso denunciado por Ustra do guerrilheiro Diógenes Sobrosa de Souza, que acabou virando nome de rua em Porto Alegre por ter “heroicamente” participado da morte a coronhadas do “perigosíssimo” Tenente da Polícia Militar de São Paulo, Alberto Mendes Júnior. Temem a derrocada da mentira na qual se basearam para construir uma falsa imagem, pois no livro, que já quase acabei de ler, o autor fala do recrutamento de jovens idealistas para servirem de vítimas e justificarem a guerrilha; fala dos inúmeros assaltos e ataques terroristas praticados pelos “heróis”; fala dos seqüestros que depois foram devidamente ensinados aos bandidos comuns; fala de vários justiçamentos por “tribunais revolucionários”; fala da covardia de muitos deles que entregavam facilmente seus companheiros antes mesmo do interrogatório.

Quem tem medo de debater com o Coronel? Todos os que construíram esta mentira em toda a América Latina; temem que as novas gerações descubram que foram seus atos terroristas que levaram à auto-defesa dos governos militares das décadas de 60-70, e não ao contrário.

Temem, sobretudo, os fundadores e membros ativos do Foro de São Paulo que com a inversão da história tentam “recuperar na América Latina o que foi perdido na Europa do Leste”: o paraíso ainda existente em Cuba.

Acho muito estranho o silêncio que também se abate sobre seus companheiros de farda, com raríssimas e honrosas exceções. É como se nada tivessem a ver com isto.



Sobre o tema leia também “Os torturadores” da esquerda

 

 O autor é escritor e comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, e Membro do Board of Directors da Drug Watch International. Possui trabalhos publicados no Brasil e exterior. E é ex-militante da organização comunista clandestina, Ação Popular (AP).

 

 

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