Ernesto Caruso, 13/07/2014 

       Arena de touros e arena da antiga Roma onde gladiadores e feras trocavam “carícias”. Com o PAC da Copa os estádios foram demolidos, tristemente viraram pó. O Maracanã não ficou em ruínas e nem tempo houve para ser outro Coliseu. Ambição política, bilhões de dinheiro — 30 Bi — cimento, areia e ferro, o Maior do Mundo que acolhia 200 mil espectadores na Copa de 1950 com “aceleração do crescimento” passou para 79 mil.

       Pior, roubaram o espaço das classes mais pobres que podiam comparecer ao estádio, a Geral. Nesta época — 2014 — dos governantes ditos preocupados com o social nos discursos de palanque, detratores das elites que são bajuladas e atendidas nos salões de festas dão aos necessitados as migalhas do bolsa família a troco do voto. Argumento insustentável de Lula, ratificado por Dilma, que foi a “elite branca” que a vaiou. Zombaria repetida até na final. Em alto nível, bombando na internet com imagem e voz do povão.

       Assim, como suprimem o acesso do pobre ao espetáculo rico da Copa, compensam pela transmissão de imagens nos telões, sob sol e chuva nas praças e nas praias, fora do padrão FIFA, a Parceira. 

       O futebol arte deu lugar à violência das arenas. Matar o touro às fustigadas, bandeirolas espetadas no lombo, sangue escorrendo das feras e das gentes cortadas pelas afiadas espadas dos gladiadores. Conseguiram transmitir aos jogadores de hoje a violência do passado. Vencer ou vencer. Matar ou morrer. Dinheiro, fama, taça no novo Coliseu. Trava da chuteira, joelho e cotovelo, adversário brutalmente derrubado, tonto, ferido e a mão do agressor a tentar levantar, ás vezes rejeitada.

       É o que estamos presenciando aplaudindo a vitória, mal que acomete aos comentaristas que não se cansam de dizer “... lamentável, mas a Copa continua...”. Um presidente, ex-guerrilheiro da luta armada pró-comunismo, defendeu o jogador da seleção do seu país que mordeu como um raivoso pitbull o ombro do adversário. Como se      fosse um abjeto inimigo!

       Claro que no futebol há acidentes; é um esporte onde os corpos se encontram ao disputar a bola, mas está por demais o grau de violência não contida pelos árbitros, em número maior do que no passado e com recursos técnicos de observação e comunicação de toda ordem no espetáculo sem ordem. Um exagero no uso das mãos e abraços em detrimento do uso dos pés, origem e característica do esporte.

       Embora, comentários com adjetivos e superlativos qualificando e elogiando os jogos, não foi o que se viu em várias contendas.  Pancada aos borbotões e cansativo futebol sem arte. Sangue na face do vale tudo não causa espanto. Futebol americano tem mais equipamento de proteção individual. E quem sabe, possam adaptá-lo ao futebol e a legislação exigir mais “segurança” no trabalho. 

       Fora do campo o açodamento e a incompetência logomarca das mãos ensanguentadas em forma de taça deixam rastros de violência na construção de viadutos na propagada mobilidade urbana e nas quedas, desastres e morte de operários a enlutar famílias.

       Mas, como foi dito que não se faz copa construindo hospitais, vão dizer que é comum morrer gente. Nas vias públicas, nas obras, nos assaltos, nos postos de saúde.

Sucesso no pós Copa a custa de feriados, aeroportos vazios, doze sedes, passagens caras e o brasileiro recolhido ao lar. Óbvio.

O aproveitamento político desde a escolha do Brasil para esta Copa, o exagerado número de sedes, o custo dos estádios e o descontentamento com a corrupção desenfreada mostrou uma diferença entre o entusiasmo mostrado nas telinhas e o comprovado nas ruas; nessas, poucas casas com a Bandeira Nacional e poucos automóveis a portavam.

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