Por Major Fabiano Azevêdo

No dia 31 de julho último, no ministério da justiça foi tramada uma ação de ataque aos militares que combateram a luta armada, urbana e rural no período de 1968 a 1974, período mais recrudescido da tutela militar. Esses militares, poucos por enquanto são acusados de torturadores e têm sobre eles o aparato do governo petista, que tudo está fazendo para sancioná-los. Porém, antes de ser um ataque somente aos heróis do passado, os participantes desse simpósio, que se contavam aos montes, oriundos de todos os rincões da minha pátria, da sua e da nossa, às expensas da rés publica, planejaram uma ação contra toda nossa classe militar.

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Penso que os agentes da repressão que ora são acusados de tortura, agiram em função de ordens superiores e se assim fizeram, praticaram a inquestionável lei da física, que a toda ação corresponderá uma reação, em sentido contrário e mesma intensidade. Se houve excessos, houve dos dois lados e creio que do lado brasileiro não houve. E quando falo lado brasileiro, me refiro aos pais de família, que como agora vivendo uma vida pouco digna, agiram em prol de nos legar a todos, um país livre e soberano, na função única de evitar que a doutrina castrista e maoísta fosse instalada em nosso território e com isso houvesse aqui a repetição de autoritarismos diversos, que nos países que a elas se entregaram, contaram seus mortos aos milhões.

O lamentável de tudo isso é a dissociação que a imprensa categoricamente agregada aos objetivos do lulo-petismo tenta fazer quanto aos militares de ontem e os de hoje; entre os da reserva e os da ativa; entre os mortos e os vivos. Necessária a revisão desses conceitos por parte de toda a sociedade, pois os de ontem, os da reserva e os mortos são nossos do mesmo jeito que os que nasceram após o país ter sido desinfectado temporariamente dos intentos comunistas. Li hoje uma reportagem que queria vender de qualquer maneira a idéia que o descontentamento está explodindo nos bastidores. Ora, por quê?

O descontentamento está no palco e nenhum de nós, herdeiros de legítimos heróis somos palhaços. A mesma constituição que visou à preservação de bandidos e de aprendizes, visou abranger também direitos aos cidadãos de bem, nos quais eu me incluo, salvo melhor juízo. Portanto, declaro sem medo que estou indignado com essa iniciativa do Sr Tarso Genro, que deveria estar preocupado com a imensa e irreversível criminalidade amontoada nas favelas e guetos das grandes metrópoles brasileiras. Eu, militar da ativa, não tenho medo de dizer abertamente que me decepciono diuturnamente com o Brasil em que se transformou uma sucessão de 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso e 6 anos de Luiz Inácio da Silva. Medo de me expressar? Por que?

Acho eu que o mito da incomunicabilidade dos militares brasileiros foi o grande trunfo para a consolidação da tomada do poder pela esquerda revolucionária aqui no subcontinente latino. Nada do que falei foi de caráter partidário. Se agi politicamente, é porque somos parte de uma sociedade herdeira, pelo menos até agora, da doutrina religiosa cristã-judaica e de preceitos políticos e de direito grego-romano. Portanto, todo ser ocidental é político e tem direito a uma fé. E é isso que os antecessores morais de nossa civilização nos ensinaram. Não devemos nos calar. Devemos demonstrar nosso apoio incondicional à verdade, portanto apoio àqueles que nos possibilitaram viver com certo grau de liberdade, por mais que essa liberdade esteja a cada dia que passa menor, mais monitorada e menos qualitativa, vítimas que somos de um Estado omisso e de um governo incapaz, inapto e ideologicamente comprometido com o mesmo inimigo de outrora.

Coronel Ustra, conte com minha solidariedade aberta, corajosa e consciente. Hoje é o senhor que está sendo humilhado, amanhã serão outros, depois serei eu e todos aqueles que por motivos de estarem contemplando uma pacificação impossível de ocorrer, estão calados e estão ficando à margem de providências necessárias que já estão atrasadas para a salvação de nossa personalidade cultural, social e institucional. Intensamente cúmplices que serão os que hoje se acovardam, serão cobrados pelas leis imperecíveis que movem o ser humano na estrada da evolução. Nós, militares somos parte indissolúvel de um Brasil verde, amarelo, azul e branco. Refugamos a idéia de ver nossa nação vivendo sob o guante do vermelho genocida e autoritário. Somos uma nação e uma pátria. Se nos omitirmos, não haverá um amanhã possível, nem um futuro factível para nossos herdeiros, que certamente em nada terão orgulho de nós.

Sou Major do Exército, da Arma de Engenharia e possuo 11 anos de trabalho nacional relevante, tendo participado da implantação e construção de três rodovias nacionais e diversas outras obras rodoviárias, hídricas, aeroportuárias e urbanísticas em vários estados da Federação.
 
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