O GloboAgências internacionais
SANTIAGO - A coalizão opositora Alianza por Chile, de direita, venceu por uma estreita margem as eleições municipais realizadas no domingo em 345 municípios chilenos e conseguiu eleger seus representantes em várias localidades 'chave'. Enquanto a oposição ficou com o maior número de prefeitos, a coalizão governista Concertación por la Democracia, que apóia a presidente Michelle Bachelet, obteve a maioria dos 2.144 vereadores eleitos, segundo dados oficiais. Uma das eleitas a vereadora em Santiago é Lucía Pinochet Hiriart, filha do ex-ditador Augusto Pinochet.
Esta foi a primeira derrota da Concertación desde o fim do regime de Pinochet, há 18 anos. O governo de centro-esquerda saiu ainda mais enfraquecido, a um ano da eleição presidencial em que a atual coalizão poderá ser obrigada a deixar o poder pela primeira vez desde a restauração da democracia.

- É um resultado bem complicado para a Concertación - disse o cientista político Fabián Pressacco, da Universidade Alberto Hurtado, de Santiago. - No contexto da próxima eleição presidencial, o resultado da Concertación para os cargos de prefeitos e vereadores não é pouca coisa.

Problemas nos ônibus de Santiago, protestos estudantis contra um reforma educacional e preocupação com a criminalidade e com a inflação de quase 9% ao ano derrubaram nos últimos meses a popularidade da presidente Michelle Bachelet. O governo tentou minimizar o resultado.

- A Concertación tem muitas realizações a apresentar, mas deve encarar o futuro com autocrítica - disse Bachelet no Palácio de la Moneda, ao lado de ministros e políticos governistas. - O que está claríssimo é que precisamos de mais unidade.

Enquanto a presidente discursava no Palácio de La Moneda, a poucas quadras dali, na Praça de Armas, o bilionário Sebastián Piñera, candidato de centro-direita à Presidência, comemorava a vitória da oposição.

- As pessoas querem mudanças, um país melhor, uma vida melhor, e nós conseguimos esta grande vitória e este apoio com humildade, mas com um compromisso de futuro para liderar esta coalizão por uma mudança que traga uma vida melhor a todos os chilenos - afirmou.

O prefeito eleito de Santiago, o engenheiro Pablo Zalaquett, antecipou que "no próximo ano a Alianza por Chile estará no governo", em alusão a uma eventual vitória de Piñera nas eleições presidenciais de dezembro de 2009. Passado o pleito municipal, a Concertación deve agora escolher o seu candidato à sucessão de Bachelet, que não pode disputar um novo mandato.

Com 95% dos votos apurados, a coalizão centro-direitista Alianza tinha cerca de 40% dos votos, contra 38% para a Concertación. Já nas eleições de vereadores, os governistas obtiveram 45,11% das cadeiras enquanto a aliança direitista ficou com 36,25%.

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