Maria da Penha quer voltar a vender roupa

Braço forte da máfia, ela diz estar em busca de vida nova

Por Fausto Macedo

Maria da Penha Lino, braço forte da máfia das ambulâncias dentro do Ministério da Saúde no governo Lula, voltou à Polícia Federal em Cuiabá, na segunda-feira à tarde, mas não para fazer novas revelações. 'Vim pedir para liberarem meu celular, umas coisas particulares que ficaram presas', disse ela, debruçada no balcão da recepção.

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Não quis muita prosa com os jornalistas. 'Estou enjoada de vocês.' Quinze minutos depois, ela deixou o prédio. Sem o celular ou qualquer outro pertence. Mandaram-na ir falar com o 'doutor juiz'.

Entre lamúrias e choramingos, Maria da Penha foi a pé pela rua, disse que está em busca de uma 'vida nova'. Por esses dias, contou, está tentando retomar uma atividade que exerceu, a de vendedora de roupas, antes de arrumar emprego na Planam, empresa-sede do esquema. 'Apesar de tudo o que saiu aí, não tenho um tostão furado, sou pobre, graças a Deus.'

O Ministério Público Federal e a PF imputam a ela papel de destaque na máfia. A Planam infiltrou Maria da Penha na pasta da Saúde. Cabia a ela a emissão de pareceres para agilizar a liberação de verbas destinadas a prefeituras que compravam ambulâncias por meio de licitações forjadas.

'Eu sou a que menos tem a ver e jogaram tudo para mim. Política é uma bandalheira mesmo', disse.

No caminho, encontrou-se com um amigo, o advogado André Stumpf Jacob Gonçalves, que deverá assumir sua defesa.

- Ô da Penha, tudo bem?

- Na luta, tentando de novo a vida, né?

- Tem uma luz no fim do túnel - disse o dr. André.

Aos jornalistas, o advogado anunciou: 'Vocês vão ter uma novidade muito grande em 10 dias. Vou explodir o Planalto. Essa o barbudinho lá vai ter que engolir.'

Quarta-feira, 18 outubro de 2006 - O Estado de São Paulo

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