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Categoria: Revanchismo
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Gazeta do Povo - 16/01/2019
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, considerou a reportagem uma ‘fake news’, embora esse conceito ainda seja alvo de controvérsias. Foto: Victoria Silva/AFP
O ministro Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no despacho em que determinou na manhã desta terça-feira (16) operação de busca e apreensão de investigados por suspostas fake news contra a Corte, também mandou bloquear as redes sociais de sete investigados – em mais um ato de censura à liberdade de expressão. Moraes argumenta que o inquérito do STF encontrou nessas redes sociais "sérios indícios da prática de crimes" e "graves ofensas a esta Corte e seus integrantes, com conteúdo de ódio e de subversão da ordem".

No mesmo inquérito, Moraes já havia censurado reportagem da revista Crusoé e do site O Antagonista que relatava que o presidente do STF, Dias Toffoli, foi citado na delação premiada do empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Quem são os investigados e do que eles são acusados
As pessoas que foram alvo do bloqueio de suas redes sociais e da operação de busca e apreensão, realizada pela Polícia Federal (PF), são o general da reserva Paulo Chagas; o policial civil de Goiás Omar Rocha Fagundes; Isabella Sanches de Sousa Trevisani; Carlos Antonio dos Santos; Erminio Aparecido Nadini; Gustavo de Carvalho e Silva; e Sergio Barbosa de Barros. Todos deverão prestar esclarecimentos à PF.

OPINIÃO DA GAZETA: Crusoé e Alexandre de Moraes: decisão equivocada em um inquérito ilegal e abusivo

Alexandre de Moraes cita, em seu despacho, que o general Paulo Chagas, por exemplo, teria feito em suas redes sociais "propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política e social com grande repercussão entre seguidores" e que "em pelo menos uma ocasião o investigado defendeu a criação de um Tribunal de Exceção para julgamento dos ministros do STF ou mesmo para substituí-los".

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Já Omar Rocha Fagundes é alvo da operação por ter publicado em 14 de março uma postagem em que diz: "O nosso STF é bolivariano, todos alinhados com narcotraficantes e corruptos do país". Dois dias depois, Fagundes publicou: "O Peru fechou a corte suprema do país. Nós também podemos! Pressão total contra o STF". Alexandre de Moraes ainda cita em seu despacho que o policial civil "anda constantemente armado".

Já Isabella Sanches de Sousa Trevisani é investigada por publicar em suas redes sociais: “STF Vergonha Nacional! A vez de vocês está chegando". Outro investigado, Antonio dos Santos foi visto como uma ameaça por Moraes ao afirmar: "É desanimador o fato de tantos brasileiros ficarem alheios ao que a Quadrilha STF vem fazendo contra a nação". Erminio Aparecido Nadin, por sua vez, chamou o STF de "máfia" em suas redes sociais e escreveu: “Não tem negociação com quem se vendeu para o mecanismo. Destituição e prisão. Fora STF”. Também disse que o Supremo "protege criminosos, cobra propina de proteção de corruptos, manipula a lei, mata pessoas".

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