Por Sérgio Chaves

A literatura está repleta de figuras caricaturais do sargento. Ora, como um militar destituído de qualquer importância, ora como um militar ignorante e mandão. Há muito que o termo "sargentão" incorporou-se ao vocabulário, exprimindo, quase sempre, a figura de um chefe arbitrário, deselegante. Desde os anos 20 do século passado, mercê da Missão Militar Francesa, os sargentos das Forças Armadas são formados e aperfeiçoados em escolas específicas. Entidades mantidas pelo povo brasileiro. Ser sargento, muito mais do que profissão, é uma vocação. As Forças Armadas são repositório dos mais elevados princípios morais.
A simonia não se pode instalar em suas fileiras, porquanto viria a enfraquecer a sua dignidade. As Forças Armadas não valem pela capacidade do seu material, mas pelo valor moral dos seus quadros. O subtenente, o sargento que se preza, não transige com a indisciplina. É leal aos superiores, o que não implica apostolado de idéias, é disciplinado sem ser subserviente, sobranceiro, mas não afrontoso. Sabe manter em alto nível os seus argumentos reivindicatórios, não usa adjetivos desrespeitosos. Não pode praticar atos que o humilhem ante seus pares.

Por tudo isto, choca a foto de alguns sargentos da Aeronáutica na capa dos principais jornais do Brasil. Fardas amarfanhadas, deitados, recostados. As atitudes displicentes e desafiadoras, próprias dos que acreditam nas vitórias efêmeras da revolta. Dos que, por inexperiência, acreditam que novos nomes geram novas coisas. Dos que acreditam que "desmilitarizados" ingressarão num mundo novo. Causa espanto a entrevista do autodenominado líder dos controladores de vôo. Argumentos especiosos são apresentados como verdades incontestáveis. Sua própria inadaptação à carreira de sargento como um sentimento geral entre seus pares e o tratamento desrespeitoso aos superiores hierárquicos - a afronta à disciplina - como atos de coragem. Nós, subtenentes e sargentos de todos os tempos, bem sabemos que a balança da justiça nem sempre tem os pratos iguais, mas não será a defesa de interesses disfarçados que irá corrigir tal discrepância.

Subtenente da RR
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