Indicações políticas crescem 40% no governo Lula
Confiança na indicação
Por Cristiane Jungblut  - O Globo - 16/08/2010 
No total, 21 mil servidores ocupam cargos de confiança
O número de servidores públicos contratados sem concurso subiu de 4.189, em dezembro de 2002, para 5.891, em novembro de 2009 - um aumento de 40,63%, durante o governo Lula..
 Contados os concursados, o total de servidores que ocupam cargos de confiança no governo federal chega a 21.358, herança que terá de ser administrada pelo futuro presidente. A remuneração varia de R$ 2.115,72 a R$ 11.179,36 por mês. Os gastos com os chamados DAS, (cargos de Direção e Assessoramento Superior) cresceram de R$ 555,6 milhões para R$ 1,26 bilhão, em oito anos. De acordo com o governo federal, as nomeações políticas são minoria e há um esforço para a profissionalização da máquina administrativa. Os dados são do Ministério do Planejamento
Número de contratados sem concurso cresceu 40,63% no governo Lula
Em meio ao bate-boca na campanha eleitoral sobre o aparelhamento da máquina pública, os dados mostram que o próximo presidente herdará uma estrutura inchada e com cerca de 21 mil cargos de confiança, os chamados DAS (cargos de Direção e Assessoramento Superior), preenchidos. Este cargo é ocupado por indicação política.
Segundo o Ministério do Planejamento, o governo Lula tem 21.358 DAS. Em 2002, último ano da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, eram 18.374 - uma diferença de quase 3 mil vagas. Dos atuais cargos de confiança, 5.891, ou 27,6% do total, são ocupados por pessoas que não prestaram concurso público. Os dados estão no último Boletim Estatístico de Pessoal, divulgado pelo Planejamento, com dados atualizados até março. O número de servidores contratados sem concurso teve um crescimento de 40,63%, de dezembro de 2002 (quando era de 4.189) até novembro.
No primeiro ano de gestão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reduziu o número de DAS: em 2003, eles caíram para 17.559. No entanto, a partir de 2004, voltou a aumentar a quantidade de postos de confiança. A contabilidade dos cargos DAS na atual estrutura começou a ser feita pelo Ministério do Planejamento em 1997, quando havia 17.607 deles. No ano seguinte, eles chegaram a 17.183. Em 1999, eram 16.306; em 2000, 17.389; em 2001, ficaram em 17.995; e, em 2002, chegaram a 18.374. A remuneração dos cargos comissionados varia de R$2.115,72 a R$11.179,36. (...)
( ...) Nos últimos dias, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou o governo Lula de reaparelhamento, especialmente nas estatais. Em resposta, o presidente Lula e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, alegaram que o que houve foi a valorização do funcionalismo público.
Segundo levantamento do gabinete do deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que acompanha os gastos com pessoal, no governo Lula, desde 2003, foram criadas 265.222 vagas, sendo 46.200 funções comissionadas. Só nos seis primeiros meses de 2010, foram criados 37.101 cargos e funções comissionadas nos três Poderes da República. Mas a criação não significa que elas serão preenchidas imediatamente e nem de uma vez.
- Houve uma valorização dos membros do partido (PT) e dos sindicalistas. É um corporativismo muito explícito - critica Madeira.
 
 

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