Lula teme que a nomeação de Miriam 
 Belchior
 traga à tona o caso Celso Daniel
Temendo novo desgaste, Lula pode adiar escolha de ministro
Miriam Belchior foi cotada; Paulo Bernardo também seria uma opção
Gerson Camarotti e Cristiane Jungblut - O Globo
BRASÍLIA. Avaliado dentro do Palácio do Planalto como o nome natural para assumir o comando da Casa Civil no lugar da ex-ministra Erenice Guerra, a coordenadora-geral do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Miriam Belchior, perdeu força ao longo do dia.
Preocupado com a possibilidade de um novo desgaste para o Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode prolongar a interinidade do secretárioexecutivo da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima, no posto.
O temor de Lula é que a nomeação de Miriam possa resgatar, a apenas duas semanas da eleição, o polêmico episódio do assassinato do ex-prefeito petista de Santo André Celso Daniel, com quem ela foi casada. 
A indicação de Miriam Belchior chegou a ser confirmada informalmente pelos corredores do Planalto no início da tarde, pouco depois de o portavoz da Presidência, Marcelo Baumbach, ter lido carta explicando o pedido de demissão de Erenice Guerra. Ontem à noite, no entanto, ministros e petistas avaliavam que a melhor solução seria aguardar as eleições, para só depois nomear um novo chefe para a Casa Civil.
O presidente Lula deve conversar com Miriam no início da próxima semana. Segundo fontes, ela não se sente segura para assumir o cargo. E o presidente quer parar para pensar melhor na solução.
Ministro Alexandre Padilha também seria uma opção Por enquanto, a intenção é dividir as atribuições da Casa Civil. O chefe de Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, acumularia parte da agenda, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, assumiria atribuições da parte operacional. Miriam continuaria coordenando o PAC.
Os nomes de Paulo Bernardo e do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foram citados como possibilidades para assumir ou acumular o comando da Casa Civil depois das eleições.
— Conversa! Estou de férias no Paraná. A decisão será depois da eleição. O resto é boato — disse Paulo Bernardo ao GLOBO.
Miriam foi casada por dez anos com Celso Daniel, mas já estavam separados quando ele foi assassinado, em 2002.
Investigações apontaram que ele foi assassinado porque tentou acabar com um esquema de propina em Santo André.
Miriam chegou a ser apontada pelo ex-cunhado João Francisco Daniel como uma das pessoas que se opuseram ao suposto esquema de corrupção na gestão do exprefeito.
Em depoimento ao Ministério Público de São Paulo, em 2005, declarou desconhecer qualquer esquema de corrupção.
O nome de Miriam era o preferido pelo presidente Lula para assumir a Casa Civil em março, no lugar de Dilma Rousseff, que saiu para concorrer à Presidência. Ela também contava c omo apoio de Gilberto Carvalho.
Os dois foram secretários em Santo André, interior paulista. Na ocasião, o presidente Lula decidiu assumir a nomeação de Erenice Guerra para agradar a Dilma.
Interino pode continuar até o final do ano A solução para o cargo deve ser caseira e não está descartado que Carlos Eduardo Esteves, que trabalhou na assessoria do PT no Senado, continue interinamente como ministro até o fim deste ano. Carlos Eduardo Esteves é tido como técnico e gestor, e não um petista de carteirinha.
O presidente Lula, segundo fontes, não quer fazer uma mudança que implique dança de cadeiras, o que enfraquece o nome de Paulo Bernardo para o próximo governo, em caso de vitória de Dilma.

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