Por Diego Casagrande, jornalista

Na minha roda de amigos, quando o assunto descamba para política brasileira, tem um que costuma dizer: "Quando não quiseres errar, aposta no pior. O Brasil não te decepcionará". Pois foi isso o que aconteceu na absolvição de Renan Calheiros pelo plenário do Senado. Mais uma vez a política nacional nos deu o de sempre: pilantragem e impunidade. De novo coroada pela força da base governista e do petismo no Congresso, assim como no episódio dos mensaleiros absolvidos no plenário da Câmara Federal. É isso o que a turma de Brasília nos oferece cotidianamente. O país está estarrecido. Mas e daí?

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A absolvição de velhacos, incapazes de justificar ganhos sem fraude, é regra na capital federal. E na Brasília de Lula, ficou mais fácil ainda. Na sessão fechada desta quarta-feira, Ideli Salvatti (PT-SC) e Aloízio Mercadante (PT-SP) empenharam-se pessoalmente em pedir votos para livrar a pele de Calheiros. Dias antes, o PT havia liberado seus senadores para que votassem como bem entendessem. Semanas atrás, Lula chamou Calheiros de "amigo". A senha da absolvição então, estava dada. E confirmou-se.

Mesmo assim, é de estarrecer. Eu fazia alguma idéia do poder e força que, juntos, presidente do Senado e governo federal poderiam ter, mas confesso que até o fim tive esperança de que o bem prevalecesse. Esperança de que a voz da ruas fosse ouvida, ao menos uma vez, numa única tarde pelo Congresso Nacional. Bobagem. Depois que Luis Fernando Veríssimo matou covardemente a Velhinha de Taubaté para não ter que criticar Lula e a roubalheira petista, não há mais espaço para a ingenuidade doentia da personagem assassinada por seu criador.

Renan Calheiros tinha as contas da amante - que depois tornou-se mãe de sua filha - pagas por um lobista de uma empreiteira gigante com interesses bilionários junto ao governo. Ele não apenas não conseguiu comprovar renda para pagar as contas como descobriu-se através de perícia que havia fraudado documentos. Enfim, a quebra de decoro parlamentar estava mais do que provada, estava escancarada. O que fez o Senado então? Decidiu varrer tudo para baixo do tapete.

Os petistas estão em festa. Lula comemora. A democracia está fragilizada. Talvez não o bastante para os objetivos vis da turma palaciana, mas o suficiente para ouriçar os afoitos que desejam o continuísmo de um dos mais demagógicos e populistas projetos de poder da história.

O Brasil de Lula dá, dia após dia, claras demonstrações de que está fadado a ser um enorme bananão, conduzido por canalhas safados de todo o tipo, cujo único fim é o da locupletação própria. Essa gente ainda vai assombrar muito o presente e o futuro do Brasil.

Usando o bordão desta figura triste chamada Lula, que virou presidente como punição pelo histórico de incompetência, burrice e desleixo da sociedade brasileira, a conclusão é esta: nunca antes neste país foi tão fácil ser canalha.

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