Coquetéis Molotov atirados contra o Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro em 28 de março de 2003. Fanáticos comunistas preparam o terror.

Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR)
por Carlos I.S. Azambuja em 19 de setembro de 2007

Resumo: Organização maoísta mantida com verbas obtidas sob a fachada de uma ONG dedica-se a preparação do terror revolucionário no Brasil.

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Texto completo
 

O Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), segundo o site www.estudantesdopovo.hpg.ig.com.br ( ou http://mepr.org.br/ ) , foi constituído num Encontro realizado no período de 29 de abril a 1 de maio de 2001, por um grupo de militantes maoístas que rompeu com o “reformismo” do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8) e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) no Congresso dessa entidade, realizado em 1995 em Goiânia. Esses estudantes decidiram não mais participar da UBES e da União Nacional de Estudantes (UNE). Em 2000, no I Encontro Nacional dos Estudantes do Povo, em que foi constituído, o MEPR, em uma declaração, assinalou que se guia por dois princípios: “servir ao povo de todo o coração” e “ser tropa de choque da revolução”. Foi o seguinte o caminho percorrido por esse Movimento:

- 1995 - Rompimento com o nacional reformismo do MR-8 e a da UBES no congresso de Goiânia.

- 1997 - Marco da posição anti-imperialista: manifestação contra a ALCA e o Mercosul, durante o Encontro das Américas, em Belo Horizonte.

- 1999 - Apoio à luta da ocupação de sem-casas na Vila Bandeira Vermelha em Betim- MG.

- 2000 - I Encontro Nacional dos Estudantes do Povo – decisão de constituir o Movimento Estudantil Popular Revolucionário.

- 2001 - Realização da I Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo.

- 2002 - II Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo.

- 2003 - Manifestação no consulado do Estados Unidos, no Rio de Janeiro, contra a agressão ianque no Iraque.

- III Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo.

Em março de 2003, no Rio de Janeiro, um grupo de cerca de 30 militantes do MEPR, com pedras e coquetéis molotov protestou no centro da cidade contra a guerra no Iraque; quebraram vidros do Consulado dos EUA, apedrejaram carros da Polícia Militar e lançaram explosivos contra o prédio da representação diplomática. Agências bancárias, do Banco do Brasil e Banco Itaú, e uma lanchonete da rede McDonald’s também foram alvos de ataques. Quando da baderna, panfletos do MEPR com o título “Viva o heróico povo iraquiano. Morte às tropas assassinas norte-americanas”, foram distribuídos.

Em setembro de 2003, atendendo ao convite da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas, militantes do MEPR compareceram ao 3º Congresso da Liga, realizado na cidade de Jaíba, Norte de Minas Gerais, no final de setembro, onde cerca de 4 mil famílias estão em luta pela terra. Em julho de 2003, militantes do MEPR já haviam estado nas cidades de Jaíba e Manga, ambas em Minas Gerais, participando dos preparativos desse Congresso. Isso, sem dúvida, configura que o MEPR é o braço estudantil da Liga dos Camponeses Pobres, apenas mais um dos cerca de cem grupos organizados de sem-terras atuantes em todo o Brasil, defendendo abertamente uma revolução agrária. A Liga dos Camponeses Pobres é, por sua vez, o braço camponês da Liga Operária Camponesa-LOC (uma cisão da organização Ala Vermelha que, por sua vez, já era uma cisão do Partido Comunista do Brasil), uma organização de linha maoísta. Pode ser assinalada a existência da Liga dos Camponeses Pobres no Norte de Minas Gerais, no Centro-Oeste de Minas Gerais e a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia. Todas essas organizações tiveram origem nas Comissões Camponesas de Luta (CCL) que começaram a surgir no ano 2000. Em 23 e 24 de novembro de 2003 foi a vez da LCP de Rondônia realizar seu III Congresso, na cidade de Jaru, com a presença de cerca de 700 pessoas, além de um movimento de mulheres denominado Movimento Feminino Popular e de estudantes do Movimento Estudantil Popular.

A LIGA INTERNACIONAL DE LUTA DOS POVOS (ILPS)

A ILPS, entidade que reuniu organizações democráticas da Ásia, África, América Latina, América do Norte, Europa e Oceania, em Zutphen, Países Baixos, num Congresso ao qual compareceram 336 delegados e convidados, representando 232 organizações maciças de 40 países: Afeganistão, Argentina, Austrália, Áustria, Bangladesh, Bélgica, Benin, Brasil, Burma, Canadá, Congo, República Dominicana, Equador, Inglaterra, França, Alemanha, Grécia, Índia, Indonésia, Irã, Itália, Japão, Luxemburgo, Malásia, México, Nepal, Países Baixos, Nova Zelândia, Nigéria, Noruega, Paquistão, Peru, Filipinas, Escócia, Coréia do Sul, Espanha, Suíça, Tailândia, Turquia e EUA, reunindo forças progressistas de todo o mundo, para lutar pela independência nacional, pela democracia e pela libertação social de encontro ao imperialismo e à reação.

O Congresso elegeu um Comitê de Coordenação Internacional composto por 35 pessoas de diversos países. O Comitê é o órgão mais elevado de tomada de decisões, e elegeu, entre seus membros, um Grupo de Coordenação Internacional, composto por 10 pessoas. Esses órgãos ficarão sediados em Utrecht, nos Países Baixos.

Ao Congresso de fundação compareceram delegações de 38 países, inclusive do Brasil. A delegação brasileira, estava assim composta:

CEBRASPO (CENTRO BRASILEIRO DE SOLIDARIEDADE AOS POVOS)

Raquel Scarlatelli

Silvia Gomes

Liga dos Camponeses Pobres

Jose Francisco Gomes

Liga Operaria Camponesa

Gerson Lima

Paulo Oliveira

LIGA OPERÁRIA CAMPONESA E LIGA DOS CAMPONESES POBRES

A Liga Operária Camponesa (LOC) é uma organização de esquerda, linha chinesa, cuja estratégia, como se sabe, é o cerco da cidade pelos campos, surgida de uma cisão da Ala Vermelha, em MG (OBS: a Ala Vermelha, também seguidora da linha chinesa, fundada nos anos 60 e desmantelada quando da luta armada dos anos 60 e 70, foi reativada em decorrência de uma cisão no PCR-Partido Comunista Revolucionário, ocorrida em 1999). A Liga dos Camponeses Pobres, em MG, e o Movimento Revolucionário dos Sem-Terra, em Rondônia, são o braço camponês da LOC.

A LOC defende abertamente a luta armada no campo em longo prazo (recorde-se que a Guerrilha do Araguaia, também de linha chinesa, teve seu nascimento ainda no governo João Goulart, quando, em março de 1964, diversos militantes do PC do B foram mandados a Pequim receber treinamento militar. Esses militantes, no regresso, a partir de 1966 começaram a se radicar na região do Araguaia e a guerrilha somente foi descoberta, por acaso, em 1972!).

O Movimento Camponês Corumbiara era constituído por uma maioria de bandidos e pistoleiros que exploravam os genuínos trabalhadores rurais, através da cobrança de “taxas”, como ocorre na Colômbia com as FARC, e no Peru, com o Sendero Luminoso. Esses bandidos e pistoleiros agora integram o Movimento Revolucionário dos Sem-Terra.

Estima-se que a linha radical da LOC tenha atraído cerca de 300 militantes (observem: militantes e não sem-terra) distribuídos em pequenas equipes em glebas de terra invadidas. A função desses militantes seria semelhante a dos Comissários Políticos na Rússia após a Revolução Bolchevique, ou seja, representantes do partido junto ao povo.

A LOC inicialmente, aproximadamente no ano de 2000, ou até antes, recebia repasses, em MG, de uma entidade denominada Instituto de Educação do Trabalhador, do governo do Estado, bem como doações vindas do exterior.

Em 29 de março de 2002, o Jornal da Tarde registrou a presença no Brasil do “comandante Bernal” (possivelmente Carlos Bernardes), das FARC, atuando junto a lideranças da LOC e do MRST, objetivando, segundo a matéria do JT, convencê-los à não realização de ações radicais. O “comandante Bernal” diz-se agrônomo e cafeicultor na Colômbia e garante ter evitado uma série de quatro seqüestros políticos a empresários antes das eleições de 1998, no Brasil. Bernal diz-se um dos 10 integrantes do comando superior das FARC e, ao longo dos últimos três anos esteve oito vezes em território brasileiro, viajando sem restrições por São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rondônia. Diz a matéria do JT que em março de 2001 Bernal estava em São Paulo, no Hospital da Beneficência Portuguesa revisando uma cirurgia de redução de hérnia feita 4 meses antes. Segundo Bernal, em julho de 1998, a LOC assaltou uma Agência Postal em Porto Velho, levando cerca de 50 mil reais. Um mês depois, ainda em Rondônia, 5 homens estouraram os cofres de uma agência do Banco do Brasil em Machadinho do Oeste. Diz ainda Bernal que o MRST teria cerca de 300 combatentes, cujas raízes, da mesma forma que as da LOC, podem ser encontradas no interior de MG. Um dos líderes da LOC, talvez o mais importante, “Boné” (trata-se de Albênzio Dias de Carvalho), seguindo o modelo das FARC, paga um soldo de 300 reais a seus milicianos. Em Serro, Vale do Jequitinhonha, local de atuação da Liga dos Camponeses Pobres, há um campo de treinamento militar. Também em uma área de terreno hostil, conhecida como Iaipú, a 400 km de Porto Velho é feito treinamento militar. Com o dinheiro recebido de ONGs internacionais, a LOC adquire equipamento pesado, fuzis russos AK-47 e americanos AR-15, além de submetralhadoras UZI israelenses. Segundo Bernal, por sua interferência direta, dois dirigentes, Estevão Moraes e Vazim de Souza foram levados por 6 meses a um centro de treinamento em La Sombra, Colômbia. Bernal, que diz ter aderido à guerrilha em 1983, é formado em Agronomia na Colômbia e pós-graduado na Inglaterra, fala quatro idiomas além do espanhol: russo, chinês inglês e português. Tem cabelos grisalhos, é baixo, atarracado, aparenta 55 anos e veste-se com surpreendente elegância quando fora da selva.

A respeito das declarações acima, registre-se que no município de Serro, Vale do Jequitinhonha, há uma fazenda de propriedade de Ricardo Carvalho, irmão de Albênzio Dias de Carvalho, o “Boné”, acima citado, que está vivendo na clandestinidade.

Albênzio Dias de Carvalho é o principal ideólogo da LOC: metalúrgico de profissão, nascido em 05 de maio de 1954 em Gouveia/MG, identidade nº 668.352-SSP/MG, casado com Maria de Fátima Oliveira. Entrou para o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8) em 1978 e já em 1979 integrava o Comitê Regional MG dessa Organização. Em 23 de maio de1980 foi detido em BH vendendo o “Hora do Povo”, jornal porta-voz do MR-8. Nesse mesmo ano de 1980 passou a integrar o Comitê Central do MR-8 e em 1982 a Comissão Política do Comitê Central. Em 1981 foi candidato (derrotado) à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de BH. Em 1982 foi candidato (derrotado) a deputado estadual pelo PMDB/MG. Em 1987 foi nomeado para o gabinete de Raquel Braga Scarlatelli Pimenta, na Secretaria de Trabalho e Ação Social, passando a ter acesso às verbas do FAT e do Instituto de Educação do Trabalhador. Em 1990 foi candidato a deputado federal pelo PMDB/MG, sendo novamente derrotado.

Uma outra liderança da LOC é Gerson Antonio Guedes Lima, também ex-militante do MR-8 e do Partido Comunista Revolucionário (PCR), que tem sede em Recife e muitos militantes em MG. Abandonou o PCR em 1999, quando foi reativada a Ala Vermelha e, em seguida, foi um dos fundadores da LOC. Foi presidente da Associação de Moradores de Vila Corumbiara, em Corumbiara, Rondônia. É filho de Gerson Santos e de Cleci Guedes Cota, profissão metalúrgico. Foi militante do MR-8 desde pelo menos 1980, quando foi detido no bairro Barreira, em BH, vendendo exemplares do jornal “Hora do Povo”. Já em abril de 1983 seu nome constava no expediente desse jornal como gerente do “Hora do Povo” em BH. Foi preso, juntamente com outras três pessoas, em junho de 1983, em BH, pela Polícia Militar e encaminhado ao DOPS/BH, por estar fazendo pichações no centro da cidade. Em 1989 viajou à Nicarágua integrando a 3ª Brigada de Colheita de Café. Assim como “Boné”, foi funcionário da Secretaria Estadual do Trabalho/MG durante a gestão do governador Newton Cardoso (1987-1991), com acesso às verbas do FAT para o IET-Instituto de Estudos do Trabalhador, presumivelmente uma ONG de fachada da LOC.

Observe-se que Raquel Braga Scarlatelli Pimenta e Gerson Antonio Guedes Lima estiveram presentes no Congresso de fundação da Liga Internacional de Luta dos Povos, representando, respectivamente, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e a Liga Operária Camponesa.

Uma pergunta: Será que os diligentes órgãos de Inteligência dezte país sabiam disso?

Comentários  

+2 #1 rodrigo eustaquio ba 26-10-2013 11:26
eu fis parte deste movimento desde o mr8 junto com meu amigo ricardo lima em noventa e sete contra a alca e merco sul estive em combate contra o sistema

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