Por Flávia Barbosa e Tereza Cruvinel – O Globo - capa – 23/09/2007 

 A ministra Dilma Rousseff diz em entrevista ao GLOBO que nem na era do milagre econômico, nos anos 70, o país viveu um processo de desenvolvimento similar ao que está sendo proporcionado pelo PAC. Ela destaca a geração de empregos e afirma que o empresário que esperar para investir “perderá a hora”.  

Comentário do site:

    Creio que falta conhecimento ou lembrança à ministra Dilma Rousseff dessa época áurea do desenvolvimento brasileiro.  Comparar o Programa de Aceleração do Crescimento ao chamado “milagre brasileiro”, da década de 70, pode ser considerado um verdadeiro absurdo.

Texto completo

    Provavelmente, a atual ministra, Estela, Luiza, Patrícia ou Wanda, dos tempos de militância na luta armada, não tenha tido tempo para verificar o progresso pelo qual o país passava.  Andava muito ocupada, envolvida com organizações subversivo-terroristas, como a POLOP, o COLINA, a VAR-Palmares e a VPR (de Lamarca). Seu tempo era gasto na infra-estrutura de assaltos . "Nessa condição , planejou o que seria o mais rentável golpe da luta armada, em todo mundo: o roubo do cofre de Adhemar de Barros” .

    Fonte: (www.jornaldeuberaba.com.br/

    O assalto rendeu, segundo a matéria, uma mega-sena, em torno de R$ 26 milhões.

    Além disso, em janeiro de 1970 , foi presa e, provavelmente, ao ser solta, negou-se a enxergar o progresso à sua volta.

    Para refrescar sua memória seletiva transcrevemos abaixo trechos do livro- de Carlos Alberto Brilhante Ustra, a respeito desse período.  A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil Conheça
 

    “Governo Médici e o milagre brasileiro

    30/10/69 - 15/03/1974

    Seu governo foi o período de maior desenvolvimento e prosperidade. A economia teria o maior crescimento, alcançando a taxa anual de 11,9%. Por cinco anos o crescimento foi superior a 9% ao ano. As empresas estatais encarregavam-se da infra-estrutura: indústrias de base, hidrelétricas, rodovias, ferrovias, portos e comunicações. A produção de bens de consumo desenvolveu-se consideravelmente. A indústria automobilística atingiu a produção anual de um milhão de unidades, triplicando a produção de veículos. Havia trabalho para todos".

    Observação do site: O governo Lula vangloria-se por esperar esse ano um crescimento entre 4,55% e 4,73%.

    "Ao invés de desempregados perambularem meses em busca de emprego, como hoje, eram comuns, nas indústrias e no comércio, as tabuletas nas portas oferecendo emprego. Nos bairros, Kombis passavam com alto-falantes oferecendo trabalho.

    As políticas interna e externa e o modelo econômico adotados estimulavam as exportações, principalmente de artigos manufaturados, colocando o Brasil na ordem econômica mundial como o país com o crescimento mais rápido que a história contemporânea conhecera. Passou de 46ª economia mundial à posição de 8ª economia. A inflação se estabilizou em torno de 20% ao ano. As exportações ultrapassaram a marca dos três bilhões de dólares.

    Foi criado o Fundo de Modernização e Reorganização Industrial para financiar a modernização do parque industrial. Além da indústria, o abastecimento e a produção agrícola eram prioridades do governo.

     O ministério de Médici era constituído por administradores das respectivas áreas e não por políticos profissionais, como é de praxe. 
 

    Mário Gibson Barbosa, ministro das Relações Exteriores, foi o responsável pela implementação da política externa do período Médici, que ficou conhecida como “diplomacia do interesse nacional”. O objetivo principal do governo era o desenvolvimento do País. O Brasil queria, precisava crescer e crescia.

    O PIB teve um crescimento em níveis jamais alcançados: índice de 9,5% ao ano. A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro bateu recordes em volume de transações.

    O nível das reservas cambiais era excelente. O Balanço de Pagamentos apresentava constantes superávits. As exportações de produtos industrializados passaram de um bilhão de dólares. Duplicara a produção de aço, triplicara a produção de veículos e quadruplicara a de navios.

    . Uma pesquisa do IBOPE atribuiu ao presidente Médici 82% de aprovação.

     Eis Algumas das principais realizações do governo Médici:

    - Inauguração de 15 hidrelétricas, entre elas, Solteira e Urubupungá, gerando 15,8 milhões de kw;

    - Abertura das Rodovias Transamazônica e Perimetral Norte;

    - Construção da Ponte Rio-Niterói, inaugurada em 04/03/1974, na gestão do ministro dos Transportes Mário David Andreazza;

    - Construção da ponte fluvial de Santarém;

    - Asfaltamento da Belém-Brasília e da Belém-São Luis;

    - Criação do Provale (Programa para o Vale do São Francisco);

    - Criação do Prodoeste (Programa para o Pantanal Matogrossense);

    - Criação do Plano de Integração Social (PIS);

    - Implementação do Projeto Rondon (Integração da Amazônia à Unidade Nacional, relançado agora, como novidade, pelo governo Lula);

    - Criação do Programa de Aposentadoria ao trabalhador rural;

    - Criação do Proterra (programa de redistribuição de terras e de estímulo à

    agroindústria do Norte e do Nordeste);

    - Criação do Funatel;

    - Instituição do Programa de Telecomunicações e criação da Empresa Brasileira de Telecomunicações - Embratel;

    - Inauguração do sistema de transmissão de televisão em cores. No governo Médici se tornou possível estabelecer uma rede nacional de televisão, que levaria a quase todo o Brasil os programas de TV. Isso foi feito pela TV Globo, que na época era uma defensora e difusora entusiasmada das idéias e dos feitos do regime militar;

    - Aceleramento das obras dos metrôs do Rio e de São Paulo;

    - Finalização das obras da BR-101, que corta o Brasil de Norte a Sul;

    - Exploração, pela Petrobras, da Plataforma Marítima;

    - Reforma do ensino;

    - Aumento, em sete vezes, o número de universitários (de 60.000 para 450.000), na gestão do ministro da Educação, Jarbas Passarinho; e

  - Implementação do Mobral (Alfabetização de adultos, com a diminuição significativa do número de analfabetos), também na gestão do ministro Jarbas Passarinho.

    Em 1971, o Brasil possuía três vezes mais estradas que em 1964 e todas as capitais brasileiras estavam interligadas a Brasília.

    Elio Gaspari, um dos maiores críticos dos governos militares, em seu livro A Ditadura Escancarada, página 133, escreve o seguinte:

    “Presidiu o País em silêncio, lendo discursos escritos pelos outros, sem confraternizações sociais, implacável com mexericos.

    Passou pela vida pública com escrupulosa honorabilidade pessoal. Da Presidência tirou o salário de Cr$ 3.439,98 líquidos por mês (equivalente a 724 dólares) e nada mais. Adiou um aumento da carne para vender na baixa os bois de sua estância e desviou o traçado de uma estrada para que ela não lhe valorizasse as terras. Sua mulher decorou a granja oficial do Riacho Fundo com móveis usados recolhidos nos depósitos do funcionalismo de Brasília."

    Nada melhor para corroborar o que afirmamos do que o trecho abaixo, do depoimento de Luiz Inácio Lula da Silva, dado, em 03/04/1997, a Ronaldo Costa Couto e publicado no livro Memória Viva do Regime Militar. Brasil:

    1964-1985 - Editora Record 1999.

    “... Agora, com toda a deformação, se você tirar fora as questões políticas, as perseguições e tal, do ponto de vista da classe trabalhadora o regime militar impulsionou a economia do Brasil de forma extraordinária. Hoje a gente pode dizer que foi por conta da dívida externa, “milagre” brasileiro e tal, mas o dado concreto é que, naquela época, se tivesse eleições diretas, o Médici ganhava.

    É o problema da questão política com as outras questões. Se houvesse eleições, o Médici ganhava. E foi no auge da repressão política mesmo, o que a gente chama de período mais duro do regime militar. A popularidade do Médici no meio da classe trabalhadora era muito grande. Ora, por quê? Porque era uma época de pleno emprego. Era um tempo em que a gente trocava de emprego na hora que a gente queria. Tinha empresa que colocava perua para roubar empregado de outra empresa ...”

    “... Eu acho que o regime militar, ele com todos os defeitos políticos, com todas as críticas que a gente faz, acho que há uma coisa que a gente tem de levar em conta. Depois do Juscelino, que estabeleceu o Plano de Metas, os militares tinham Planos de Metas.O Brasil vai do jeito que Deus quer. Não existe projeto de política industrial, não existe projeto de desenvolvimento. E os militares tiveram, na minha opinião, essa virtude. Ou seja, pensar o Brasil enquanto Nação e tentar criar um parque industrial sólido. indústrias de base, indústrias de setor petroquímico... 

    Isso, obviamente, deu um dinamismo. É por isso que os exilados, quando voltaram tiveram um choque com o Brasil. Porque o Brasil, nesse período, saiu de um estado semi-industrial pra um estado industrial..."

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar