Por  Lauro Henrique
 
 Em novembro de 1971 a estilista Zuzu Angel recorreu a meu pai e minha mãe  para deslindar certas particularidades do desaparecimento de seu filho, comunista muito ativo, participante da guerrilha urbana, que ela considerava estivesse morto em tristes circunstâncias.



 

O que ocorreu ao rapaz foi objeto de esclarecimento cabal e ela se declarou satisfeita com o empenho que meu pai, o então todo-poderoso general de divisão Lauro Alves Pinto, tivera para deslindar o caso. Note-se que à época, meu pai dispunha de força e aparato no seio da chamada "comunidade de informações", ele mesmo um dos mais influentes e prestigiados oficiais dedicados ao estudo, coleta e interpretação de informações para a segurança do Estado.

Algumas correspondências (estão em meu poder) foram trocadas entre Zuzu Angel e minha mãe, que era quem  a estilista procurava pessoalmente em casa,   nas quais se pode ver claramente que o triste episódio tinha sido superado com a firme e honesta participação de meu pai. Ele, homem muito leal e religioso, interferiu neste rumoroso caso, como em vários outros a pedido do professor Marcos Almir Madeira, enquanto Zuzu foi viva, terminou num desastre de automóvel que a matou. seu cunhado e íntimo interlocutor , fosse para descobrir paradeiros, soltar inocentes ou vítimas de perseguição   gratuita, etc. Entre Zuzu Angel e minha mãe criou-se um ambiente de solidariedade tal que a estilista não deixava de levar, em suas visitas, o seu portfólio de criações de moda. Tal relacionamento, que se manteve.
Os relatórios policiais destes acidentes soem ser superficiais. Isto parece   ter sido suficiente para fazer com que muitos e muitos anos depois, a   família de Zuzu, na pessoa de sua filha Hildegard Angel, resolvesse reabrir a ocorrência policial para que fosse "provado" que a estilista teria sido   vítima de uma perseguição (política naturalmente) que fez com que houvesse uma colisão proposital, tratando-se assim de um homicídio doloso, etc, etc.  A famigerada " Começão" declarou que as alegações eram verdadeiras, no   intuito de indenizar a família, etc, com as conseqüências de praxe, já que  nestes casos a fraude parece ter passado à norma e não à exceção.
    Na época, este rumor não chegou a ter repercussão, embora sempre existiram os que, a qualquer pretexto, culpavam o "regime militar", esta figura mítica, onipresente e capaz de todas as atrocidades, como agora é vendida a  imagem das Forças Armadas.

Não me espanta que canalhas do porte de acadêmico Carlos Heitor Cony,  apazes de obter da " Começão" a cumplicidade para o mais deslavado dos assaltos aos cofres da nação, apareçam do nada, porque a falta de  integridade moral da maioria dos membros da citada "Começão " permite e  estimula este tipo de crime.  Não é estranho, portanto, que o senhor Cassio Taniguchi apareça como mais um cara-de-pau. Se até o presidente Lula, em quem nunca se botou um dedo em cima, que nunca foi preso por delito algum, mesmo de opinião, que, por isto mesmo, jamais foi impedido de exercer a sua atividade de líder sindical e  jamais foi anistiado, ainda que adversário do "regime", se o próprio  presidente da República, repito, teve o desplante de pedir e ganhar uma aposentadoria como se anistiado fosse, sem os incômodos do desconto previdenciário ou do Imposto de Renda, este exemplo passa a não ser mais entendido como uma atitude de desonestidade explícita mas como o padrão moral a ser seguido.  Sou favorável à abertura dos chamados "arquivos da ditadura", os que ainda existam. Será uma boa oportunidade de mostrar ao país com quantos ladrões e  bandidos se faz uma República Nova. Não sei porque este escrúpulo de mostrar as coisas. Acho que as forças policiais e o Exército precisam livrar-se desta perseguição injusta. Mostrar ao país o retrato inteiro da guerra que se combateu aqui entre 1961 e 1982.
  
 Mostrar o lado bom e lado ruim de cada um dos participantes. A nação precisa saber quem foram os militares que fugiram do seu dever  constitucional, mas, principalmente, aqueles (?) que cometeram crimes,  alguns hediondos, e que hoje ocupam os mais altos cargos na administração nacional. Só assim o povo brasileiro terá a perfeita noção do valor da  anistia, um instituto que se destina a esquecer as falhas mútuas de caráter e de comportamento de grupos e facções políticas em conflito armado. Só  assim o povo poderá compreender melhor a razão pela qual Ali Babá e os 40000 ladrões foram perdoados, muitos deles nunca cumpriram as penas a que foram condenados por peculato, seqüestro, fraude, morte, furto, assalto, roubo, homicídio, invasão, terrorismo, tortura, etc, mas, devido à longa experiência no crime impune, foram premiados com vultosas indenizações e com  cargos no governo.

 

 Esqueçam o pau do galinheiro do Duda Mendonça, este não há quem limpe; esqueçam a morte do prefeito de Santo André, do de Campinas, esqueçam o  Waldomiro, esqueçam o "Braz", (o tesoureiro, para quem não lembra), esqueçam  toda a lama onde chafurdam os nossos políticos. 

 

 Saiam à rua, ò militares, batendo panelas e gritando: "Arquivos já, arquivos já," e que sejam expostos de preferência no Jornal Nacional. Didaticamente, todas as noites, como uma novela. "Hoje mostraremos a folha  corrida de fulano de tal". Façam isto, em alto e bom som. Quero ver quantos canalhas vão ser a favor. Esqueçam o galinheiro, preocupem-se com as raposas."
  
Abraços,
 
Lauro Henrique é engenheiro.

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