Correio Braziliense - 20/01/2014
 
Depois de São Paulo, foi a vez do Rio de Janeiro ter shoppings fechados para evitar rolezinhos em suas dependências. Ontem, dois centros comerciais do Leblon, bairro nobre da Zona Sul carioca, interromperam as atividades por conta de encontros de jovens que estavam marcados para o local. A segurança na região acabou reforçada com vigilantes, guardas municipais com cães e policiais militares. A presença policial e a possibilidade de serem punidos com multa afastou os jovens também de um centro comercial paulista.

 Os shoppings Leblon e Rio Design Leblon amanheceram sem abrir as portas ontem por conta do evento marcado para as 16h, por uma rede social. O bairro tem o metro quadrado mais caro da capital fluminense e os centros comerciais colocaram tapumes para evitar danos às lojas de produtos importados que tinham vitrines de vidro logo na entrada.

A juíza Isabella Peçanha Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro, chegou a conceder uma liminar ao Shopping Leblon para proibir o rolezinho, sob multa de R$ 10 mil a cada pessoa que tentasse descumprir a ordem. Ainda assim, o estabelecimento preferiu "suspender suas atividades, com o intuito de garantir a integridade de seus clientes, lojistas e colaboradores", como informou em nota. Cerca de 30 pessoas protestaram contra a decisão em frente ao local.

Também sob liminar, o Shopping Center Norte, na zona norte da capital paulista, abriu as portas, mas evitou que o rolezinho marcado para ontem ocorresse. Cerca de 10 jovens apareceram para o evento, mas foram abordados por seguranças que os alertaram sobre a multa que seria aplicada caso desobedecessem a ordem judicial.

Ao som do rap
No fim da tarde de sábado, em Niterói (RJ), o evento ganhou ares de protesto quando um grupo de 50 pessoas tomou os corredores de um shopping gritando palavras de ordem contra o preconceito e os gastos da Copa do Mundo. Outros cantavam o Rap da felicidade, que, apesar do nome, é um funk que fez sucesso nos anos 1990 e fala sobre a realidade de moradores da favela. Alguns participantes do evento tentaram entrar em lojas e foram impedidos por seguranças. Houve tumulto e o empreendimento foi fechado temporariamente.

Também no sábado, o Shopping JK Iguatemi, um dos mais luxuosos da capital paulista, fechou as portas para impedir que ocorresse um rolezinho em suas dependências. O evento, marcado pela União de Negros de Educação Popular para Negros e a Classe Trabalhadora (Uneafro) para combater o racismo, acabou ocorrendo apenas do lado de fora em forma de protesto.

Ontem, um participante do movimento divulgou vídeos e fotos provando que, apesar do anúncio de que o estabelecimento estaria fechado, frequentadores do shopping conseguiram entrar pelo estacionamento lateral e fizeram compras normalmente enquanto os manifestantes eram barrados na porta principal.

O grupo registrou ocorrência por racismo e constrangimento ilegal contra o centro comercial, que não apresentou liminar para a justificar a triagem. O JK Iguatemi divulgou nota garantindo que repudia "veementemente qualquer acusação de preconceito" e que "todas as pessoas, independentemente de cor, classe ou credo, são bem-vindas ao empreendimento".
 

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