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Categoria: Lançamentos
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Diario de Natal 10/09/2006
Carlos Alberto Brilhante Ustra (Foto) - Reporter: Marco Polo/DN
 
Gaúcho de Santa Maria, Carlos Alberto Brilhante Ustra, de 74 anos, além de comandar o DOI-Codi do 2º Exército de São Paulo durante o Governo Médici, foi chefe do curso de operações especiais da hoje extinta Escola de Informações do Exército. Desde major, trabalhou na Inteligência das Forças Armadas. Comandou, ainda, o Grupo de Artilharia de São Leopoldo. Dedicou-se ao serviço militar por 38 anos, entre 1949 e 1987, ano em que lançou seu primeiro livro, Rompendo o silêncio. Segundo ele, este trabalho foi produzido com a intenção de apenas responder ''à injúria, às calúnias, às mentiras e ao engodo de uma atriz'' (Beth Mendes, que o acusou de torturar um amigo seu ao vê-lo como adido militar no Uruguai). 
O autor classifica o Movimento Revolucionário 8 de Outubro como ''a organização terrorista responsável pela morte do major Martinez, que surgiu das divergências do PCB''. De acordo com ele, esse grupo, formado na base da Universidade Federal Fluminense (UFF), ficou conhecido inicialmente como Dissidência Niterói (DI/Niterói). ''A nova facção, radical e militarista, tinha o foquismo cubano como modelo''. Em capítulo intitulado A melhor defesa é o ataque, Brilhante Ustra diz que as organizações terroristas atacavam e incediavam ônibus. ''Seus passageiros eram obrigados a saltar e a ouvir pregações em favor da luta armada''. A seguir, trechos da entrevista concedida por quem diz ser boicotado por editoras e livrarias, que se negam a aceitar seu livro.

O Poti: Qual a proposta do livro A verdade sufocada. O senhor acha que a esquerda se esconde como vítima do regime quando, na verdade, cometeu vários crimes durante a ditadura?

Brilhante Ustra: Minha proposta é procurar resgatar a história da Contra-revolução de 1964, que vem sendo contada e deturpada pelo lado que perdeu a guerra, que foi a esquerda. Quando houve a Lei da Anistia, as Forças Armadas optaram por colocar uma pedra sobre tudo e esquecer tudo. Resolvi, após 20 anos de pesquisa, contar a nossa versão. E dizer que, em 1961, por exemplo, a esquerda já estava em Cuba, tratando da Luta Armada. Nesse tempo, foram descobertos campos de guerrilha no país inteiro. Quero mostrar, ainda, que o nosso movimento foi uma Contra-revolução. A direita se antecipou ao golpe que a esquerda daria.

Como a esquerda daria esse golpe?


Quando Fidel Castro venceu o general Fulgêncio Batista, a União Soviética passou a lhe fornecer R$ 1 bilhão de dólares ao ano. A URSS viu ali que estava encravada na América Latina o começo do que eles planejaram ser uma Organização Latino-americana de Solidariedade. E foi esta entidade que planejou o golpe. E quando tentaram fazer isso no Brasil, houve uma reação do Governo Castelo Branco. Os golpes, na realidade, foi não deixar que o terrorismo implantasse aqui uma ditadura comunista. E o único país que assim não o fez, a Colômbia, hoje está tomada pelas Farc. No Brasil, cerca de 500 pessoas morreram durante a Luta Armada. Muito menos vítimas se comparadas ao número de mortes de Argentina e Chile.

O jornalista Elio Gaspari escreveu que 502 denúncias de tortura foram feitas com relação ao período em que o senhor comandou o DOI-Codi de São Paulo. Essa informação é verdadeira?

Li que quem fez a denúncia foi dom Paulo Evaristo Arns. Mas, o arcebispo foi até magnânimo porque mais de quatro mil pessoas passaram pelo DOI-Codi durante os quatro anos em que comandei a instituição. Contudo, eram pessoas envolvidas em sequestros, assaltos e queriam implantar a ditadura comunista no país. E todos eles quando chegavam na Justiça, negavam.

Houve essas 502 torturas?

Não houve tortura, isso é história para boi dormir.

Como o senhor recebeu a notícia de que a Academia Norte-rio-grandense de Letras não permitiria mais o lançamento do livro?


O oferecimento partiu do presidente da Academia (Diógenes da Cunha Lima). Os acadêmicos tem esse direito, mas acho que não há igualdade de tratamento. Por que não o meu livro? Por que sou de direita? Não sou de direita nem de esquerda. Isso é uma censura de quem tanto pregou a ética por tanto tempo. As grandes editoras se negam a editar meu livro assim como as livrarias não querem vendê-lo. Mas, desde abril (mês de lançamento), cerca de seis mil exemplares já foram vendidos. Só pelo boca a boca e pela Internet.

O Centro de Direitos Humanos e Memória Popular do Rio Grande do Norte (CDHMP/RN) o acusa de torturador e lidera uma campanha contrária sua presença em Natal. O que senhor acha disso?

Eu acho que são direitos humanos só de terroristas. Eu não sou um elemento foragido da lei, nem condenado. Sou homem de bem, militar da reserva. Só não sou da ideologia deles. Se quiserem fazer arruação, podem fazer. Quero saber onde está a democracia e os direitos humanos. Direitos humanos só para subversivo, sequestrador, assassino...