Gen Rocha Paiva

     Não foi uma revolução militar e sim um movimento civil-militar, como é reconhecido por amplos setores na mídia, meio político, meio acadêmico, em segmentos da própria esquerda e outros tantos setores nacionais.
 
     O movimento se antecipou ao golpe em andamento pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e seus aliados. O Presidente João Goulart aliou-se ao golpe com a pretensão de liderá-lo e conduzi-lo na direção de interesses políticos pessoais.

       Jango lançou um programa radical de reformas de base sem ter força política para aprová-lo no Congresso Nacional, daí ter pensado, inclusive, em implantar o Estado de Sítio para impô-lo. Mas não foi este programa que determinou a queda de Jango e sim a tentativa de impô-lo na “lei ou na marra”, revelador slogan da campanha, atropelando o Legislativo, o direito de propriedade como fez no comício de 13 de março na Central do Brasil (RJ) e, ainda, levando a anarquia às ruas e aos quartéis, para imobilizar as Forças Armadas pela quebra da hierarquia, disciplina e coesão.
 
      Sua aliança com o PCB, um partido ilegal, que vinha empregando a via soviética de subversão e infiltração nas instituições para a tomada do poder também foi decisiva para o Movimento de 31 de Março de 1964. Luiz Carlos Prestes, líder do PCB, chegou a declarar: “já temos o governo, nos falta o poder”. No entanto, a luta armada estava, também, em preparação, sendo admitida como um golpe final pelo PCB. Militantes comunistas faziam curso de guerrilha na China, havia 218 Ligas Camponesas armadas para a guerrilha no Nordeste, sob orientação cubana, e Brizola iniciara a mobilização dos Grupos dos Onze, cujos estatutos preconizavam: “o julgamento sumário de oponentes ao movimento --- No caso de derrota ---, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados”.
 
       Tal comportamento gerou insegurança, desconfiança e reação numa sociedade conservadora e predominantemente católica, afastando a classe média, Igreja, imprensa, grande parte dos políticos e os militares legalistas, que só então passaram a considerar a necessidade de corrigir, de alguma forma, os rumos que vinham tomando os acontecimentos. A manchete do “Estadão”, de 31 de março de 1964, revela o nível da ameaça que a Nação corria: “Se a rebelião dos sargentos da Aeronáutica fora suficiente para anular a eficiência da Arma, a subversão da ordem na Marinha assumia dimensões de um verdadeiro desastre nacional”.
 
     O Movimento Civil-Militar de 31 de Março foi apoiado pela população como mostram as manifestações imediatamente anteriores e posteriores àquela data. Jango, que tivera amplo apoio para tomar posse em 1961, não teve nenhuma reação em sua defesa, seja das instituições, dos partidos ou do povo brasileiro. Não era comunista, mas um político populista, pragmático e ganancioso, que perdera para o PCB, Brizola e os sindicatos as rédeas do golpe ao qual se aliara e sonhara conduzir em benefício próprio.

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