Ação rápida da PM resultou em ao menos 230 prisões

Pela 1ª vez, ação contou com grupo de PMs treinados em artes marciais para atuação específica em protestos; ação rápida resultou em ao menos 230 prisões, o maior número desde manifestações de 2013
 
 Janaina Garcia -- Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
 Portal Terra
Ataque surpresa, em bloco e coordenado, amparado pelo isolamento de ruas da região central, com auxílio de um helicóptero, e proibição de circulação de pedestres. A mudança de estratégia da Polícia Militar de São Paulo “atingiu o objetivo”, segundo avaliação própria, de evitar ataque em massa de black blocs a prédios públicos e privados. Assim, garantiu o maior número de pessoas detidas na capital paulista desde os protestos de mês de junho – foram 230, encaminhadas a quatro delegacias do centro e dos Jardins.

A estratégia de impedir que os manifestantes se espalhassem pelo centro também teve, pela pela primeira vez, a ação de um grupo de ao menos 100 PMs treinados em artes marciais para atuação específica em protestos. O grupo foi batizado de “Tropa do Braço” e contou com PMs à paisana infiltrados entre os manifestantes.

Ao contrário de manifestações anteriores, os policiais também cercaram as possíveis rotas de fuga. No quarteirão em que começou o confronto, a polícia fechou as duas saídas da rua Xavier de Toledo, em frente à estação Anhangabaú do metrô e ao Theatro Municipal de São Paulo. Assim, a maioria dos manifestantes acabou cercada, sem chance de prosseguir em marcha.
 
O advogado ativista André Zanardo esteve no 78º Distrito Policial 

 Os poucos que conseguiram escapar iniciaram um quebra-quebra nas ruas Barão de Itapetininga e Sete de Abril, em direção à praça da República, local de onde havia partido o protesto. Dos 230 detidos, a grande maioria não trajava preto e não tinha o rosto encoberto por roupas escuras – uma das características mais marcantes dos black blocs.

"Prenderam um monte de gente e agora estão fazendo um sorteio de artigos do código penal para o registro da ocorrência. Tem desacato, desobediência, resistência e lesão corporal, já que uma policial teve o braço quebrado. O problema é que não há a individualização das condutas. Entram todos no mesmo saco", disse o advogado ativista André Zanardo, que esteve no 78º Distrito Policial, para onde foram levados 30 dos manifestantes.

 

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