50 ANOS DA CONTRARREVOLUÇÃO DE 31/03/1964
DOCUMENTÁRIO – ARTIGO XXII
É o mínimo que você precisa saber para não estar fazendo papel de idiota, sendo levado de roldão pela política desastrosa do atual Governo Federal.
Por Aluísio Madruga de Moura e Souza

O Fato abaixo transcrito nos foi repassado pelo Coronel Sillas Bueno, a época aluno da Escola de Comando e Estado Maior do Exército(ECEME) . Trata-se da  tomada do Quartel General da Artilharia de  Costa, em Copacabana no Rio de Janeiro, evento do qual o coronel Sillas foi parte ativa. Ao término do que o coronel escreveu estaremos aptos a avaliar o quadro interno existente nas Forças Armadas e em particular no Exército.
“ A Tenentada que deu Certo.

Na manhã do dia primeiro de abril de 1964, após a agitação do dia anterior – 31 de março, quando a contrarrevolução já irrompera em Minas Gerais, as aulas da ECEME prosseguiam normalmente. Bem cedo, nessa mesma manhã um grupo de oficiais que serviam na ECEME, chefiados pelo Major Helvécio, chegou ao Forte Copacabana. Sua missão era apoiar o coronel Arídio,  Comandante( Cmt) do Forte que estava sendo pressionado , para não aderir à Contrarrevolução, pelo General Morais, Cmt.  do Quartel General vizinho. Esta operação foi tão sigilosa que a maioria dos alunos da ECEME de nada souberam.

Subitamente foi aberta a porta da sala de aula do 1ª ano e entraram o Cel. Barroso, diretor do 1º ano, acompanhado do Cel. Montagna e do Ten-Cel Couto, ambos da Diretoria da Artilharia de Costa e da Artilharia Antiaérea.

O instrutor, informado que o Gen. Mamede Cmt. da Escola, autorizara a interrupção passou a palavra ao Cel. Barroso, que apresentou os visitantes, com o esclarecimento de  que o Cel. Montagna viera solicitar 20 alunos voluntários para um golpe de mão no Quartel General da Artilharia de Costa da 1ª RM(QG/Art Cost/1ª RM), cujo General Cmt. era pró Jango Goulart. Esclareceu o Cel. Montagna que a conquista daquele QG quebraria o “cristal”, que imobilizava a guarnição  do Rio, provocando a adesão à Contrarrevolução pelo efeito cascata. Ao apelo do Cel. Montagna, cerca de 50 oficiais alunos se apresentaram.
Destes, 20 foram escolhidos. Já no saguão da Escola houve o detalhamento da operação. Era uma operação para a qual não eram fornecidos os meios. Não foi fixado o uniforme. O armamento era o revólver ou pistola de propriedade do oficial. O transporte seria feito nos carros particulares, de quem os tivesse.

Corri para o meu apartamento no Edifício da Praia Vermelha( EPV) – onde residia e ainda reside todos os alunos da ( ECEME) e coloquei meu uniforme de salto(lembrança da tropa pára-quedista), calcei os coturnos, pus meu cinto NA, coloquei a pistola .45 no coldre, depositei uma granada de não defensiva – mais agressiva que a ofensiva em cada bolso e na cabeça afivelei  meu capacete de aço – ainda bem que o soldado profissional está sempre pronto para a guerra. Retornei ao Corpo da Guarda da ECEME onde já existiam duas metralhadoras INA aguardando por mim e pelo Capitão Omar. Os voluntários embarcaram nos 4 carros particulares. Um Citroen, um Aero Willys, uma Rural e uma Kombi. No trajeto éramos apenas 19 pois um ficara preso no elevador por falta de energia. Passei então a pensar sobre o tipo de oficiais que o Exército moldava. Eram 19 alunos voluntários, sendo oito majores e onze capitães, a idade oscilando entre 35 e 40 anos. Todos casados, com um mínimo de três filhos. O Maj. Meirelles tinha oito e eu  cinco.

Sem nenhuma preparação psicológica, sem nos impressionarmos  com o desfecho do ataque, que poderia ser fatal para muitos, erámos movidos apenas pelo ideal comum e pela disciplina, numa missão sem meios, baseada apenas no fator surpresa. Não houve perguntas nem hesitações.

A Providência Divina certamente se envolveu nessas operações. As 10:30hs deste mesmo dia chegava ao QG/Art Cos um comboio motorizado do 8º GMAC, transportando 100 militares para reforçar  a defesa do aquartelamento. Após entendimentos com o Ten-Cel Borges Fortes, do QG/Art Cos, o chefe da coluna regressou à origem sem desembarcar um único homem. Se não tivesse sido assim, certamente teria se repetido a mortandade dos 18 do Forte de Copacabana evento ocorrido em 1922 no Rio de Janeiro.. Amanhã 23/032014, descreverei como ocorreu o ataque ao QG/Art Cos, felizmente com um número reduzido de feridos.

 

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