Armando L. M. de Paiva Chaves
O título é dado à série de artigos e reportagens de jornal que os vem publicando diariamente, em seus variados cadernos. Seu propósito é recordar o período em que o país foi governado por presidentes militares.
As matérias neles inseridas não relatam, com isenção, os fatos ocorridos. Não se referem ao risco que o governo de João Goulart representava para a democracia, as instituições e a disciplina militar. Nem destacam o papel da imprensa escrita e falada, condenando-o com veemência. Nenhuma descreve a insatisfação popular, manifestada em inúmeras passeatas ocorridas nas principais cidades – as Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Ou aponta a intervenção militar como resposta ao chamado do povo e da mídia.
Não cabe aqui discutir as matérias apresentadas. Cabe, sim, questionar as ausências. Nenhuma linha sobre as realizações dos governos militares: leis e decretos que reformaram a vida nacional nos transportes, nas comunicações, nos correios, na moradia, na educação, na indústria, na vida rural e em outros campos, alçando o Brasil ao patamar de décima economia mundial.
Cabe também registrar omissões, quando é apontada a violência do poder. Mas nada se diz da violência dos que se contrapunham, no quadro de subversão que refletia os antagonismos da guerra fria e dividia o mundo em dois blocos inconciliáveis. Aqui também se vivia a guerra. A ação terrorista justificava, com o desiderato de implantar o marxismo-leninismo, os sequestros de diplomatas estrangeiros, assaltos a bancos, “justiçamentos” de opositores e partidários, assassinatos de civis inocentes.
À sombra dos quepes, o que se vê ainda hoje é receberem continuadamente, quem os usam, os melhores índices de aprovação, em sucessivas pesquisas de opinião. Não obstante a desinformação e distorção dos que fazem aqueles tempos serem lembrados.

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