Nivaldo Cordeiro - www.nivaldocordeiro.org
 Dois Filhos de FranciscoOntem fui a um jantar em apoio a um deputado pelo qual tenho admiração e que terá o meu voto nas próximas eleições, Julio Semeghini, e na minha mesa sentou um casal de executivos de grandes empresas do setor de tecnologia da informação. Conversa amena quando começamos a falar de cinema, sempre um bom gancho para conversas de salão. Falávamos de filmes brasileiros e eu lhes disse desde logo que o melhor que vi nos últimos tempos foi o notável DOIS FILHOS DE FRANCISCO, dirigido por Breno Silveira. O filme faz algo que está ausente há muito de nosso meio artístico, que é a exaltação da família, do trabalho duro como meio para se triunfar na vida, na prática das virtudes mesmo quando Olga Benário fazendo o que fazia melhor todas as situações trazidas pela vida são as mais adversas. E, claro, a bela música de Zezé de Camargo & Luciano, que acalanta a alma brasileira mais genuína.
Um deles, de uma grande multinacional, passou a elogiar o OLGA, de Jayme Monjardim. Fechei a cara...



 
Disse ao indigitado que aquilo era uma falsificação, que Olga foi treinada pelo regime comunista soviético para espalhar a revolução pelo mundo e que nunca passou disso, de uma facínora, de uma pistoleira a serviço do regime político mais hediondo, nada havendo de heróico na sua trajetória de vida. Que sua louvação não passava da repetição pela enésima vez da técnica dos totalitários comunistas de mentirem sistematicamente, invertendo tudo. Ele me confessou que não sabia dessa ligação de Olga com o terrorismo comunista. Retificou na hora sua visão da película.

 Che Guevara mortoA outra senhora, executiva de uma grande empresa nacional, entrou a elogiar o filme biográfico de Che Guevara, DIÁRIOS DE MOTOCICLETA, de Walter Salles, o cineasta banqueiro-comuna. Fui impiedoso. Disse-lhe que Guevara era um assassino frio, um matador de paredón, uma figura negativa tornada ícone da propaganda mentirosa dos arautos do comunismo. Ficou chocada não comigo, mas com a dura realidade que é a biografia desse facínora que jamais vira assim descrita. Comparei o personagem com o nosso Lampião, que indiscutivelmente tem na sua imagem a saga do herói trágico. Fui criado ouvindo suas histórias violentas, mas sempre edificantes. E onde residia a diferença que faz de Lampião um genuíno herói popular? No fato de o indivíduo isolado, mesmo falhando na prática das virtudes em geral, ter ousado enfrentar um destino trágico para resistir ao poder arbitrário que se abateu contra ele. Tinha de sobra a virtude da coragem. Na coragem reside o heroísmo tão admirado em Lampião. No pistoleiro Guevara vemos o oposto, o covarde matador que mais das vezes executava friamente suas vítimas, sem chance de defesa, como Lamarca fez com o oficial da PM em São Paulo. 

E Lampião jamais pôs a política na ponta de seu fuzil. Combatia de forma anárquica as forças policiais do Estado, sem questionar sua ordem jurídica. Já os comunistas, ao contrário, querem recriar o mundo. Querem transformar a alma do homem. Homicidas treinados e sem nenhum caráter, como Guevara e Olga, até que conseguem transformar uns muitos... em cadáveres. 

Lembrei-me desses diálogos agora ao ler a entrevista de Fernando Henrique Cardoso, publicada no EstadãoOs artistas sempre tiveram uma atuação muito firme nos períodos de crises políticas. Porque todos se calaram?” Respondeu: “Nos últimos 30 anos aconteceu no Brasil uma espécie de transferência da boa consciência para um partido só. A pessoa, para não ter muito trabalho, fazia PT o depositário de seus sonhos. Houve uma certa indulgência e falta de capacidade crítica dos intelectuais para questionar ‘mas é isso o mundo atual?’, ‘é isso o que se precisa nesse mundo?’ Quando veio a crise recente, essa gente ficou amedontrada porque pegou neles”. de hoje. Foi-lhe perguntado: “ 

A resposta de FHC é um engodo sem tamanho. Ele, como intelectual orgânico que agiu em prol da revolução “por dentro”, mais que ninguém sabe que o PT é mero caudatário do antigo PCB, cuja sigla morreu após a denúncia dos crimes de Stalin e, de resto, de todos os regimes comunistas espalhados pelo mundo. PT é a nova sigla do velho PCB, a que foi mais bem sucedida e que tomou a Presidência da República, onde contavam chegar pela via violenta da revolução. Na verdade, os assim chamados intelectuais foram paulatinamente se prostituindo em prol da causa coletivista, de sorte que deixaram de fazer arte para produzir propaganda pura e simples da causa. Então não haveria que haver surpresa diante de falha moral grotesca exposta desde o caso Waldomiro Diniz e sobretudo depois das bombásticas e circenses denúncia de Roberto Jefferson, sem esquecer a suspeita morte do prefeito Celso Daniel. Do vício só pode brotar o vício. Da propaganda mentirosa só poderia advir o exercício de poder feito de forma a mais torpe. 

FHC está errado, como boa parte, se não a totalidade de nossa classe letrada está errada. Por isso Lula corre o “risco” de se eleger ainda no primeiro turno, dando um esplêndido exemplo de loucura coletiva e de escárnio dos brasileiros adestrados pela propaganda mentirosa de décadas para com a chamada “moral burguêsa”. Eleger Lula no primeiro turno é dar voto qualificado para a bandalheira, a consagração do mal no poder, a leniência da maioria com a decadência moral. Se nem FHC percebe isso, o que esperar do eleitor pobre que recebe a sua bolsa-família? Uma pequena corrupção que é essa bolsa o torna sócio da grande engrenagem que se tornou o Estado brasileiro, que rouba sistematicamente o produto do trabalho dos seus cidadãos honrados e cumpridores da lei, que trabalham de sol a sol – os empresários e seus colaboradoresmensalão. Só os idiotas pagadores de impostos é que ficaram de fora do nefando festim da verba estatal. –, para bancar a boa vida de todos os parasitas do Estado. Bolsa-família é a democratização do mensalão. Só os idiotas pagadores de impostos é que ficaram de fora do nefando festim da verba estatal.

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