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Começa a se tornar enfadonhamente perigosa a benevolência com a qual o governo federal trata as ações criminosas praticadas pelos sem-terra. Entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e seu congênere de sotaque estrangeiro, a Via Campesina, decidiram ampliar, neste "Abril Vermelho", as invasões, ocupações, bloqueios de rodovias, depredações e tantos outros atos de violência Brasil afora – tudo a pretexto de protestar contra a morosidade da reforma agrária e ressaltar a data em que 19 sem-terra foram mortos em confronto com a Polícia Militar do Pará, em 17 de abril de 1996.

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Num resumo do festim diabólico, destacam-se o bloqueio da BR-070 (que liga Mato Grosso à Bolívia); a ocupação da Secretaria Municipal de Educação de Ribeirão Preto e a ocupação de agência do Banco do Brasil em Sorocaba, ambas no interior paulista; a invasão do Incra no Distrito Federal; a ocupação da Usina Hidrelétrica de Xingó, em Canindé do São Francisco (Sergipe); e a invasão de várias fazendas no Ceará, na Paraíba e em Minas Gerais.Se em todas as ações citadas os autores sequer foram incomodados pela polícia, foi no Pará onde se deu o cúmulo do escárnio às autoridades constituídas. Os baderneiros tomaram a Estrada de Ferro Carajás (da companhia Vale), paralisaram o trem e ainda mantiveram o maquinista como refém. Ressalte-se que a mineradora já havia obtido da Justiça, em março, uma decisão proibindo quaisquer atos contra ela, praticados por movimentos sociais, que significassem danos a seu patrimônio ou paralisação de seu funcionamento. Na mesma época, o líder do MST, João Pedro Stédile, afirmou que tal decisão judicial era "uma idiotice" e prometeu desrespeitá-la. Com a promessa cumprida, resta saber até onde vai a leniência do governo federal com esta súcia.
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