Por Luiz Ernesto Magalhães e  Rafael Galdo - O Globo - 28/07/14
Manifestantes fizeram teste na Praça Saens Peña, na véspera da final
Manifestantes que pretendiam praticar atos de vandalismo no entorno do Maracanã na final da Copa do Mundo, no último dia 13, chegaram a testar, na véspera da partida decisiva, um esquema de esconder coquetéis "molotov" em carros estacionados nos arredores da Praça Saens Peña, na Tijuca. A informação, revelada ontem pelo "Fantástico", na TV Globo, consta na denúncia oferecida pelo Ministério Público à Justiça contra os 23 acusados de incitar atos violentos nos protestos. Segundo a reportagem, o teste tinha o objetivo de avaliar se seria possível evitar a apreensão dos artefatos pela polícia, caso ativistas tivessem as mochilas revistadas. A ideia era, no dia da final, colocar os explosivos em automóveis nas imediações do estádio.
O "Fantástico" reproduziu escutas autorizadas pela Justiça, nas quais a coordenadora de pós-graduação em Filsofia da Uerj, Camila Jourdan, conversa com dois ativistas, Rebeca Martins de Souza e Igor D'Icarahy, que, segundo a polícia, foram recrutados para testar o plano de esconder os artefatos nos carros para aquilo que batizaram de "junho negro" (o protesto que seria feito no dia 13). Os três estão entre os ativistas denunciados à Justiça. De acordo com a polícia, na casa de Camila foram encontrados 20 rojões recheados com pregos, 178 ouriços e objetos de ferro pontiagudos.
A reportagem ouviu ainda duas testemunhas, que não quiseram ser identificadas e colaboraram com as investigações da operação Fire Wall. Elas contaram que a estratégia de partir para confrontos e depredações em protestos ocorreu em agosto do ano passado. Para isso, aconteceram reuniões numa barraca, em frente ao Palácio Pedro Ernesto, do Ocupa Câmara, movimento iniciado em protesto contra a composição da CPI dos Ônibus. Segundo as investigações, vários acusados de envolvimento com atos violentos nos protestos participaram dos encontros. Entre eles, Igor, Camila, Elisa Quadros (a Sininho) e Luiz Carlos Rendeiro Júnior (o Game Over), incluídos entre os 23 denunciados.
— Lá "rolou" a coisa de quererem queimar um ônibus ali na (Avenida) Rio Branco. Aconteceu realmente. Queimaram até um ônibus da polícia — contou uma das testemunhas.

Violência contra jornalistas

A segunda testemunha revelou que os atos violentos eram definidos como "ações diretas":
— Ação direta é o ato de confrontar, de quebrar.
O programa exibiu ainda vídeo de outra testemunha, que consta na denúncia, no qual detalha como os ativistas se organizavam:
— Os mentores são as lideranças. Eles não assumem essa nomenclatura porque ela vai contra a ideologia deles, que é anarquista. Mas eu vi, sei que tem. Tem a função dos atiradores: os caras responsáveis por atirar fogos de artifício, coquetéis "molotov", o que tiver na mão. E a função das mulas: ficam dentro da manifestação com a mochila, preparada para dar (o material) para quem quer que seja.
Também ontem, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, se encontrou com o cinegrafista Tiago Ramos, do SBT, agredido na última quinta-feira durante a libertação de três ativistas. O tema foi o crescimento da violência contra jornalistas na cobertura de protestos. Para Schröder, os agressores estão legitimados por pessoas e grupos que se sentem à vontade para atacar jornalistas.

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