Detalhes Publicado em Quarta, 24 Setembro 2014 23:38 Escrito por DC
Diálogo com terroristas: presidente Dilma abre Assembleia da ONU criticando 'uso da força' na Síria. / Craig Ruttle/Reuters
Em passagem por Nova York, onde abriu a 69ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, surpreendeu o mundo ao "lamentar" os ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra as bases dos terroristas do Estado Islâmico (EI) na Síria. A coalização inclui dezenas de países, como França. O Estado Islâmico conquista o poder por meio de decapitações, crucificações e execuções sumárias, e ficou conhecido por exibir na web a degola de prisioneiros estrangeiros.

Na noite de terça-feira, um jornalista perguntou a Dilma qual a posição do governo sobre os ataques. A resposta foi: "Eu lamento enormemente isso. O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, é o acordo e a intermediação da ONU. Eu não acho que nós podemos deixar de considerar uma questão – nos últimos tempos, todos os grandes conflitos que se armaram tiveram uma consequência: perda de vidas humanas dos dois lados. Agressões sem sustentação, aparentemente, podem dar ganhos imediatos, mas depois causam enormes prejuízos."

Discurso – Pela manhã, em seu discurso oficial na ONU, Dilma voltou a condenar a intervenção militar. "O uso da força é incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos. Isso está claro na persistência da questão palestina, no massacre sistemático do povo sírio, na trágica desestruturação nacional do Iraque, na grave insegurança na Líbia, nos conflitos em Israel, nos conflitos no Sahel, nos embates na Ucrânia", disse ela. "A cada intervenção militar não caminhamos para a paz, mas, sim, assistimos ao acirramento desses conflitos", continuou. "Verifica-se uma trágica multiplicação do número de vítimas civis e de dramas humanitários. Não podemos aceitar que essas manifestações de barbárie recrudesçam, ferindo nossos valores éticos, morais e civilizatórios".

Dilma também defendeu uma reforma no Conselho de Segurança da ONU: "Estou certa de que todos entendemos os graves riscos da paralisia e da inação do Conselho de Segurança da ONU".

Minutos depois, ao subir na tribuna, o presidente dos EUA, Barack Obama, mostrou que discorda veementemente da presidente do Brasil. "A única língua que assassinos conhecem é a força", disse.

A repercussão do pronunciamento de Dilma foi imediata aqui no Brasil. "Eu quero que a Dilma desembarque no califado do Estado Islâmico para negociar com terroristas", disse Reinaldo Azevedo em sua coluna de Veja Online. Em outro artigo, ele comparou este momento a outro: "Desde 12 de outubro de 1960, quando o líder soviético Nikita Kruschev bateu com o próprio sapato na mesa em que estava sentado — e não na tribuna, como se noticia às vezes — para se fazer ouvir, a ONU não presencia cena tão patética."

Ricúpero: 'Não é possível conciliar com assassinos'


Ex-embaixador do Brasil nos EUA e representante na ONU, Rubens Ricúpero falou ontem sobre as declarações de Dilma em Nova York.
 
Diário do Comércio – Como o senhor analisa o posicionamento da presidente Dilma na ONU, referente aos ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos em território do Iraque e da Síria, no qual ela criticou a intervenção militar?

Rubens Ricúpero – A resposta para essa pergunta pode ser dividida em duas partes. A primeira parte refere-se ao aspecto jurídico. Nesse ponto de vista ela tem razão. Um ataque aéreo contra um Estado soberano deve ser precedido de autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Aliás, em linhas gerais este posicionamento é o mesmo do New York Times no seu editorial de hoje [ontem], no qual o jornal ressalta que o presidente Barack Obama deveria ter também consultado o Congresso norte-americano para fazê-lo. É oportuno lembrar que, no caso do Iraque, o país pediu ajuda aos Estados Unidos, enquanto que na Síria não houve o pedido formal. A segunda parte da sua declaração merece o reparo de que as palavras utilizadas sugerem negociações semelhantes àquelas realizadas com ou entre países ou adversários razoáveis. No caso de Iraque e Síria, tratam-se de grupos terroristas. Seria algo parecido como negociar com uma quadrilha de gângsteres. Não é possível fazer uma abordagem de conciliação com grupos de assassinos impiedosos. A propósito, o presidente Barack Obama colocou as coisas exatamente nesses termos no plenário da ONU. Por este foco, o posicionamento da presidente Dilma revela a sua falta de familiaridade com assuntos diplomáticos.


Leia mais: Tribuna da ONU vira palanque da campanha do PT

Fonte: http://www.dcomercio.com.br/2014/09/24/dilma-pede-acordo-com-estado-islamico

Comentários  

0 #5 carlos I.S. Azambuja 25-09-2014 17:03
Será que alguém já explicou pra ela o que é o Estado Islâmico?
0 #4 Vaulber B. Pellegrin 25-09-2014 15:02
Desculpe, mas não se pode esperar nada de uma ex-terrorista. Será "ex" mesmo????
0 #3 Carlos de Carvalho 25-09-2014 14:47
dilma... pede acordo ? Deve estar dormindo e no fundo, ela quis dizer para o estado Islâmico ACORDAR ...
0 #2 Dalton C. Rocha 25-09-2014 13:57
A Dilma trocou Marx, por Maomé.
0 #1 carlos I.S. Azambuja 25-09-2014 11:45
Essa anta é muito imbecil. É a vergonha do Brasil1

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