Rodrigo Constantino
Se não eu conto tudo para meu pai…

A primeira pergunta que fiz quando Luciana Genro participou pela primeira vez no debate da TV Globo ontem foi: quantas vezes ela entrou na fila para ser essa mala sem alça? É impressionante sua postura infantil, seu discurso batido, datado, que já era ultrapassado no século XX. Acusar até o PT de ser de “direita” é realmente uma piada de muito mau gosto.
Mas eis que, escutando a CBN hoje, descubro que o jornalista Kennedy Alencar julgou sua participação no debate muito produtiva, graças à oratória boa da candidata do PSOL. Como é? Com aquela fala insuportável e aquele tom arrogante? Kennedy, com aquele esforço homérico para parecer moderado na forma, deixou sua máscara cair e transparecer seu conteúdo de esquerdista radical, que todos já conheciam.

Como alguém pode elogiar Luciana Genro? E como alguém tem coragem de fazer isso em rede nacional de rádio? E na CBN, do Grupo Globo, que ela coloca no mesmo saco podre do “capital financeiro”, uma espécie de Hitler do capitalismo, segundo sua ótica bizarra. Fica outra pergunta: como a Globo dá espaço para alguém assim?

Uma conhecida matou a pau quando escreveu que Luciana Genro ganharia as eleições, se ao menos as crianças pudessem votar. De fato: seu discurso ridículo só pode mesmo conquistar a alma de um infante, ao menos em idade intelectual. Talvez por isso Gregório Duvivier tenha declarado voto nela…

A filha de Tarso Genro é a candidata de uma nota só: a defensora das “minorias”. Seu papel é levar essa pauta, que não está na agenda do povo brasileiro, para o debate. Quando precisou responder sobre segurança pública, esse sim um tema prioritário para a população, veio com a proposta romântica, ingênua e temerária de trocar as armas da polícia por flores e soltar os bandidos. Sim, é essa a proposta em sua essência: desarmar a polícia e prender menos criminosos. E alguém vota nisso?

Aécio Neves soube enquadrar bem a filhinha de papai, mostrando que era leviana, fazia um show sem compromisso com o país, e não tinha preparo para disputar a Presidência da República. Vou além: não tem preparo para disputar a vaga para síndica do condomínio!

Tudo isso poderia ser apenas divertido ou lamentável, dependendo do ponto de vista, não fosse um detalhe: além de Genro levar uma pauta fora do contexto das preocupações verdadeiras da população, ela exerce um papel estratégico ali, que é o de fazer Dilma parecer mais moderada do que é. Os comunistas sempre jogaram com essa tática das tesouras: usam uma bucha de canhão caricata para que o radical de ontem pareça o moderado de hoje. Perto de Luciana Genro, afinal, até o PT parece tragável!

O que mais chamou a atenção no debate, entretanto, não foi o papelão ridículo de Luciana Genro, pois é o que se espera dela; e sim quando Marina Silva, que vem tentando construir uma imagem de mais moderada ao longo da campanha, disse que seu programa de governo era muito parecido com o da candidata do PSOL. Foi uma confissão estarrecedora, que com uma frase consegue jogar toda a credibilidade emprestada por Giannetti da Fonseca no lixo e colocar em seu lugar o MST do passado. 

A democracia brasileira precisa evoluir muito ainda, demonstrar mais maturidade, o que acontecerá no dia em que uma comunista caricata, defensora do que há de mais podre nas ideologias, for vista por todos como aquilo que é: uma ameaça ao próprio regime democrático. Mas a elite da esquerda caviar acha que é Levi Fidelix o maior pária da turma, enquanto trata Luciana Genro até com respeito e admiração. Dureza…

PS: Em suas considerações finais, Luciana Genro criou a expressão “utopia concreta”, que ninguém sabe o que é, uma vez que utopia é justamente aquilo que não se concretiza. Talvez ela tenha em mente um Gulag, já que seus muros podem ser feitos de concreto, como o Muro de Berlim, que os comunistas ergueram para impedir a saída do povo alemão “egoísta” daquele “paraíso” que Genro deseja para o Brasil.

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/democracia/a-utopia-concreta-de-uma-menina-mimada-luciana-genro-e-um-atraso-para-nossa-democracia/

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