Por NIVALDO CORDEIRO
O vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, que denunciou graúdos do governo Ieda Crusius que tentaram suborna-lo, cumpriu com raro rigor a máxima de Nietzsche: “Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”. Subestimaram o homem.

 

 

 

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Ouvi algumas críticas ao gesto de Feijó. Teria ele traído a confiança dos tratantes que lhe chamaram para formar uma quadrilha? Não. Ao homem íntegro caberiam duas ações alternativas diante do fato: chamar a polícia in limine, fato hoje desaconselhável em vista da simbiose das forças da ordem com o crime organizado politicamente (ou seja, nas agremiações partidárias de esquerda que controlam o Estado), ou usar do expediente que usou para criar um fato político e jurídico de rara magnitude. Optou corajosamente pela segunda ação e não fez isso sem ter a consciência de que corre sério risco, político assim como pessoal. Fez inimigos que o juraram de morte.

Feijó desencadeou forças políticas poderosas contra si. O desfecho de seu gesto é incerto, mas se ainda restava alguma respeitabilidade à governadora Crusius, esta acabou. O certo é que as ondas de choque em torno da inconfidência do vice-governador ainda não foram esgotadas, de modo que o observador terá que aguardar os acontecimentos.

Feijó deu-nos mais que uma lição de coragem, deu-nos uma lição de civismo. As pessoas de bem precisam apoiar o seu gesto.

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O governo Lula está revelando uma constante, que se repete ciclicamente. Lula tornou-se maior que o PT porque tem votos e carisma popular. O PT tem os quadros e a estratégia, Lula a sustentação política. Por isso seus auxiliares, mesmo aqueles mais poderosos e próximos ao núcleo de poder (veja-se José Dirceu), podem ser trocados feitos fusíveis vencidos que nada afeta seu governo.

Desde o primeiro escândalo, o de Waldomiro Diniz, isso se tem repetido. Dilma Rousseff está agora enrolada com o escândalo da Varig. Será defenestrada com a mesma impiedade como foram os demais se a crise crescer. Aos mosqueteiros compete o sacrifício para proteger o rei. Mas, e sua candidatura? Ora, Dilma nunca foi candidata para valer. Toda a gente sabe que Lula é o candidato de Lula e do PT à re-reeleição. Dilma foi lançada feito boi (vaca?) de piranha para a boiada petista atravessar o vau da reeleição. Lula agora pode se dizer insubstituível.

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