Economista Marcos Coimbra

Professor, Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e Autor do livro Brasil Soberano.

            Em artigo publicado neste espaço em 11.09.14 com o título “O Brasil será o grande perdedor” escrevemos sobre o tema, ao qual retornamos a poucos dias do segundo turno da eleição para presidente da República do Brasil, onde afirmamos: “Seja quem for o vencedor do próximo pleito presidencial em nosso país, os brasileiros serão os grandes derrotados”.

            Isto porque nenhum dos candidatos na disputa final, em nosso entendimento, revelou-se preparado para dirigir o país na difícil situação projetada para os próximos anos, em especial em 2015. A situação econômica é grave. Temos uma taxa de inflação acima do teto da meta, apesar do represamento de inúmeros setores (energia, combustíveis e outros), um crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) com a previsão de algo bem inferior a 1%, um déficit estimado do Balanço de Pagamentos em Transações Correntes no corrente ano de cerca de US$ 80 bilhões, uma taxa de desemprego, segundo o DIEESE de 10,8% em junho do corrente ano, de 11,7% na região metropolitana de SP no mês de agosto e de 7% segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, contra 5% da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), uma dívida externa de US$ 526,3 bilhões, considerando os empréstimos intercompanhia de US$ 197,9 bilhões. É oportuno salientar que as pesquisas sobre desemprego não estão sendo realizadas com a amplitude devida, em função de pretextos vários e suspeitos às vésperas da eleição.

O real está sobrevalorizado devido à atuação do Banco Central. Estima-se um forte reajuste após as eleições. A taxa de investimento não consegue ultrapassar o patamar de 18% e a taxa de poupança fica em 14% do PIB. O ministro da Fazenda torna-se um “pato manco”, pois já foi anunciada sua saída ainda restando quatro meses de “governo”.

Isto sem contar o Passivo Externo Bruto, em torno de US$ 1,3 trilhão já em 2010, segundo o Prof. Reinaldo Gonçalves. A corrupção campeia livremente sem ser devidamente coibida. Centenas de milhões de dólares são doadas a “governos amigos”, com o perdão de dívidas, ou através de financiamentos do BNDES a empreiteiras privadas, generosas doadoras de campanhas eleitorais, que também nunca serão ressarcidos devidamente. Ganham as empreiteiras, os países agraciados e perde o povo brasileiro. E ainda afirmam que não temos recursos para investir na saúde, na educação, na segurança, enfim, na infra-estrutura econômico-social. Até para os quase dez milhões de aposentados que recebem pouco mais de um salário mínimo de aposentadoria não há dinheiro para reposição de seus “benefícios”. 

A candidata à reeleição revelou-se incapaz de administrar o Brasil de forma sequer razoável. A sequência de escândalos já atinge o limite máximo imaginado. O último, realçado pelas bombásticas revelações do Sr. Paulo Roberto, fere profundamente a todos nós, defensores ferrenhos da nossa eterna Petrobras. É triste verificar o aparelhamento político-partidário da empresa símbolo do Brasil com suas nefastas consequências.

O “mensalão 1” já foi uma dose cavalar. Seguiram-se então Pasadena, Abreu Lima, Comperj e outros. Não é possível acreditar que a “grande gerente”, tendo sido ministra de Minas e Energia, da Casa Civil, presidente do Conselho de Administração da Petrobras e agora na Presidência, de nada sabia. Neste caso, então é de uma incompetência gritante. Se sabia e nada fez é no mínimo conivente.

Com a reeleição, teremos a progressiva implantação de um regime bolivariano no Brasil, a exemplo do ocorrido na Venezuela, Bolívia e outros sob a inspiração castrista. Os exemplos da Venezuela e da outrora próspera Argentina são gritantemente esclarecedores das consequências do populismo autoritário e da incompetência explícita. Se agora, já está assim, imaginem se a reeleição de Dilma ocorrer. Teremos a aplicação, na prática, dos piores pesadelos dos defensores da democracia, com a confirmação das previsões do genial escritor George Orwell (Eric Blair). E o pior. A falta de confiabilidade das urnas eletrônicas de primeira geração da empresa Diebold, que está sendo processada nos EUA.

Estava prevista para esta eleição a impressão do comprovante do voto eletrônico para possibilitar a confiabilidade do sistema com a apuração em paralelo de pelo menos 2% das urnas no Brasil, mas estranhamente o Supremo Tribunal Federal derrubou esta norma. O Brasil tornou-se assim o único país do mundo a utilizar urnas eletrônicas de primeira geração sem impressão de comprovante. Até mesmo a Venezuela emprega o sistema de 2ª geração. Os institutos de pesquisa apresentam resultados díspares, ensejando uma situação indefinida, como a induzir o eleitor a sufragar o candidato(a) que estiver na dianteira numérica e a preparar a opinião pública a aceitar sem tergiversação o resultado a ser divulgado no domingo, rápido, mas de baixo nível de confiança.

Aécio possui compromissos políticos que dificultam a administração do país como é preciso. Precisa livrar-se da dependência a FHC para ser bem sucedido, Afinal, o pecado mortal da reeleição foi cometido pelo sociólogo, quando na prática prorrogou seu mandato por mais um período.

Resta-nos apoiar a quem cause menos prejuízo ao nosso Brasil, para pelo menos poder manter a possibilidade de alternância no poder, o que será impossível caso ocorra a reeleição petista. Nunca mais sairão, a exemplo da Venezuela. Trata-se de uma encruzilhada decisiva.

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Página: www.brasilsoberano.com.br (Artigo de 21.10.14-MM).

Comentários  

0 #1 Roberto Albernaz 24-10-2014 10:14
Desta vez infelizmente os militares ficarão de fora dessa devasta que estão fazendo com o Brasil,tudo porque é o povo quem vota e é o povo quem direciona seus intentos para o desenvolvimento do país e se eles escolherem essa que está dando nas pesquisas,pode ter certeza que é melhor fechar as portas e devolver as chaves para os índios e pedir desculpas por usar a "Pindorama"(pri meiro nome do Brasil quando Cabral chegou aqui ) por mau uso...

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