Plácido Fernandes Vieira
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Correio Braziliense - 01/11/2014

 Nunca o PT e a Arena se pareceram tanto. Principalmente no jeito de fazer política. Filhote da ditadura, como diria Brizola, Collor acusou Lula, nas eleições de 1989, de tramar contra a caderneta de poupança. Eleito, confiscou o investimento de milhões de brasileiros. Agora é Dilma quem repete a farsa do bom companheiro. Menos de uma semana após a reeleição, ela começou a pôr em prática todas as medidas impopulares que atribuía ao adversário tucano caso fosse derrotada nas urnas: aumento dos juros, da conta de luz, do preço da gasolina, cortes no Orçamento...

 

Para completar, a presidente anda atrás de um banqueiro ou de alguém de confiança da banca (cadê Palocci?) para assumir o Banco Central ou o Ministério da Fazenda. Quem não se lembra da petista atacando Marina com a propaganda terrorista de que faltaria comida na mesa dos pobres caso a ex-senadora vencesse a eleição, porque um banqueiro seria nomeado presidente do Banco Central? Agora, noticia-se, Dilma procura desesperadamente um nome de respeito no tal “mercado” — de preferência um banqueiro — para chefiar o BC ou o ministério da Fazenda. Pois é.

 Esquerda? Só da boca pra fora. Na prática, e nas práticas (taí o escândalo de corrupção na Petrobras), o PT é hoje uma espécie de Arena moderna. Aliou-se a Collor, Sarney, Renan, Jader, Maluf e, com a ampliação de programas sociais, principalmente no Nordeste, região sempre maltratada pela direita, tirou o cabresto das mãos dos feitores e o assumiu com igual desfaçatez. Nada de iniciar o processo de emancipação à cidadania plena, com educação de boa qualidade, pois o partido tem consciência de que o ensino liberta de verdade. Aliás, só a educação de fato liberta. O resto é clientelismo barato travestido de combate às desigualdades sociais. 

Quanto ao ódio aos nordestinos, nunca vi atitude tão imbecil, preconceituosa e desinformada. É fato que o voto petista tem relação direta e proporcional com a bolsa família. Lá e em todo o Brasil. Basta cruzar os dados. Nessa equação, o nordestino não é culpado. Ele é refém do coronelismo estrelado, assim como foi dos neojagunços da ditadura. Ora, como esquecer que Dilma venceu em Minas e no “avançado” Rio? Que teve cerca de 20 milhões de votos tanto no Nordeste quanto no Sudeste? E preparem-se, pois vai continuar assim enquanto muita gente só se lembrar da região na hora de eleição e de tirar férias.

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