Osmar José de Barros Ribeiro, em 08 Dez 2014
Após a atual presidente ter afirmado que “faria o diabo” para vencer o pleito eleitoral, chegou ao fim uma campanha eleitoral na qual o governo apelou para a ocultação de dados, a mentira e a utilização, sem meias medidas, de todos os recursos para “desconstruir” os adversários. Assentada a poeira, há que ser feito um balanço da situação e imaginar o que nos espera amanhã.
A vitória da situação foi difícil e não fora o desinteresse pelo futuro do País demonstrado por ponderável parcela de eleitores, teria mordido o pó da derrota. Aconteceram irregularidades, as urnas eletrônicas deram (como sempre) margem a dúvidas, mas o PT ganhou mais quatro anos no poder.

Terá sido uma vitória de Pirro? Os fatos levam a crer que sim, pois logo a presidente reeleita passou a esposar aquelas medidas econômicas que durante a campanha eleitoral apontara como heresias defendidas pelos seus opositores. Para começo de conversa, ela que demonizara os banqueiros, logo tratou de convidar um deles, economista ortodoxo, para o ministério da Fazenda. Se, após conseguir trocar a roda com o carro em movimento, o novo ministro será ou não substituído por militante petista, só o futuro dirá.

Porém, existem coisas sobre as quais nossa presidente não possui aquela força que pensa possuir. Se conseguiu chantagear a maioria do Congresso para obter, a duras penas, mudanças que a livraram de um processo que poderia levar ao seu impedimento, não é menos verdade a saia justa na qual está metido o Partido dos Trabalhadores e, por extensão, tanto ela quanto seu antecessor, nos problemas que ameaçam levar a Petrobras ao pelourinho da opinião pública nacional e internacional.

De toda sorte, seu partido não entregou nem entregará os pontos, conforme já fora verificado no julgamento do Mensalão. Assim, volta aos meios de comunicação a roubalheira no caso dos trens do metrô paulista, surgida nos governos do PSDB e envolvendo, com ou sem razão, duas de suas figuras de proa. É aquela conhecida história do “sou, mas quem não é?”. “No Brasil, quem rouba um tostão, é ladrão; quem rouba um milhão, é barão”, dizia minha falecida mãe quando espocavam, num passado distante, notícias de falcatruas deslavadas (tipo construção de Brasília), sem maiores conseqüências para os envolvidos.

Acontece que, salvo melhor juízo, as coisas estão mudando. Os setores mais esclarecidos da população já cobram punição para os culpados, sejam eles quem for, sem levar em conta se pertencem ao governo ou à oposição. A Lei tem que ser igual para todos e um “ladrão de colarinho branco” está por merecer penas mais duras que as impostas a um ladrão de galinhas.

O dever da oposição está mais claro que nunca: lutar pela punição dos culpados, ainda que haja necessidade de cortar na própria carne. Somente dessa forma distinguir-se-á daqueles que desejam o poder para auferir vantagens.

É o que o Brasil espera.

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