Deus queira que os problemas brasileiros não se vejam fermentados pelas dificuldades econômicas que estão acontecendo pelo mundo afora, ao que parece germinadas a partir da conjuntura adversa que vulnera a maior potência mundial, os Estados Unidos. Digo isso porque a nossa economia é o que temos de positivo num governo repleto de desempenhos pífios.

 

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     Veja-se a palpitante e recorrente questão da Amazônia envolvendo aspectos que ameaçam a soberania nacional e a paz social, da atribuição de diversos ministérios, dentre eles o das Relações Exteriores, o da Justiça e o da Defesa. Desses, a impressão que se tem é que a condução das políticas específicas assim como as decisões tomadas acontecem à distância, sem conhecimento de causa, sem avaliação dos fatos e das conseqüências, desprezando-se tudo aquilo que não sejam loas a um governo medíocre. São exemplos dessas reflexões a inexplicável posição favorável de nossos representantes diplomáticos na ONU no tocante à Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas; o emprego da Polícia Federal, depois de fundamentada recusa do Exército, para expulsão dos arrozeiros das terras por eles ocupadas há décadas, em Roraima; e a postura opaca de um Ministro da Defesa que mais parece engajado em projetos políticos pessoais ou de grupos no poder.

     Não é à toa que se chega à tragédia recente dos Morros da Providência e da Mineira, no Rio de Janeiro, conseqüência da injustificável presença de efetivos do Exército a serviço de um projeto político-eleitoral, denominado “Cimento Legal”, do interesse do senador carioca Marcelo Crivella, (ao que consta candidato a prefeito), fruto de convênio celebrado entre o Ministério das Cidades e o da Defesa, conforme noticiado, pelo qual os militares se viram engajados em reformas de fachadas de casa e de consertos de telhados no primeiro dos logradouros citados, região onde as forças estaduais incumbidas da segurança pública não conseguem se impor! Mais uma vez, é necessário enfatizar, de nada valeram as posições contrárias expostas com lealdade, franqueza e competência profissional pelo Comando Militar da área, sob a responsabilidade do General-de-Exército Luiz Cesário da Silveira Filho e encampadas pelo Comandante do Exército, pois falou mais alto a decisão política do Presidente da República, assessorado pelo seu Ministro da Defesa, o civil Nelson Jobim, sabidamente de formação distante das lides castrenses e de passagens carentes de aplausos como parlamentar e como membro do Supremo Tribunal Federal, no sentido de favorecer um aliado político.

     É oportuno lembrar que o lema característico do Exército Brasileiro, “Braço Forte e Mão Amiga”, sintetiza muito bem a potencialidade institucional para ações militares de combate e, subsidiariamente, para ações de desenvolvimento e de assistência social, desde que em harmonia com o ordenamento jurídico que jamais é ignorado ou desrespeitado pelos Chefes Militares. A posição privilegiada de instituição nacional merecedora da maior credibilidade, apontada em pesquisa recente, é um honroso atestado da eficácia operacional do Exército. Até mesmo em missões de “garantia da lei e da ordem” (GLO), tão cogitada para suprir deficiências estaduais, não se pode duvidar da capacidade da Força Terrestre, pois ela, para tanto, mantém efetivos adestrados. Ocorre que muito se fala, cada um dizendo o que lhe parece, às vezes por ignorância, outras por má fé, mas a regulamentação do emprego militar, nas circunstâncias previstas na legislação, ainda não mereceu a atenção e o indispensável equacionamento do Poder Executivo, resultando em vulnerabilidade à imagem do Exército.

     Da tragédia que ceifou vidas nos Morros cariocas, que não quero recordar, restam os lamentos, as desculpas e as condenações governamentais, mas permanecem o cinismo, a hipocrisia e a improvisação de autoridades que não se credenciam para um registro histórico elogiável! É o governo do faz-de-conta e do dinheiro fácil e abundante, embora mal empregado.

(Gen Ex José Carlos Leite Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

(Publicado no “O Jornal de Hoje”, de 20/06/08 – Natal/RN)

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