Por Jacornélio M. Gonzaga (*) 
É bem melhor você parar com essas coisas // De olhar pra mim com olhos de promessas // Depois sorrir como quem nada quer // Você não sabe // Mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez // E tenho medo de fazer planos // De tentar e sofrer outra vez // Falando sério // Eu não queria ter você por um programa // E apenas ser mais um na sua cama // Por uma noite apenas e nada mais // Falando sério // Entre nós dois tinha que haver mais sentimento // Não quero seu amor por um momento // E ter a vida inteira pra me arrepender”
Roberto Carlos
 
         Bela letra e música do RC! Levaram-me a divagações mil, os versos me fizeram pensar, dentro do cenário hilariante em que vivemos, o que é que realmente é sério. 
         Viajei aos tempos do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ), secular Instituição de Ensino, onde os estudantes se tratavam como Companheiros Leais (CL); onde o aluno Jaques, o Wagner, também conhecido pela alcunha de Jacu, sempre, prazerosamente, me premiava com sua merenda; e, onde, nos desfiles, o Corpo de Alunos prestava continência ao busto do Thomas Coelho, patrono do CMRJ.

         Aliás, eu não consegui entender, até hoje, o porquê, nos desfiles, da “continência ao busto”. A peça de bronze é muda e surda, portanto não autoriza o desenrolar da cerimônia; não enxerga, por conseguinte não avalia o desempenho da tropa; e, nunca a vi respondendo às saudações dos desfilantes. O busto, quando sai de sua posição para “entrar em forma”, a fim de receber a continência de desfile, perde toda a áurea de quem representa, trata-se apenas de uma simples peça de bronze, pois a continência deve ser prestada à mais alta autoridade militar da ativa presente à cerimônia.
 
         Mas, vamos ao que interessa! O tempo passou! No ano de 2003, encontrei o deputado Jaques no restaurante Carpe Diem, em Brasília. Saudei-o com um expressivo “Companheiro Leal”, obtendo como resposta: “cumpanheiro, nos conhecemos de onde?”. Realmente, pelo visto o Jaques havia perdido a lealdade dos tempos de “cachorrinho matriculado” (apelido dado pelos civis aos alunos do CMRJ, nos anos 50/60) e seu “cumpanheirismo” já era outro.
 
         Acompanhei de longe a evolução do JW, sua eleição e reeleição na Bahia e outra peculiaridades de seu governo, das quais destaco do noticiário da imprensa:
         - a contratação de ONG de “amigo” para fornecer mão de obra às entidades de saúde pública da Bahia, ou seja, terceirização do setor;
         - sua participação pessoal (lobby) para trocar o sistema ônibus em corredores exclusivos (BRT) pelo veículo leve sobre trilhos (VLT);
         - a contratação de uma ONG, pelo salgado preço de 13 milhões de reais, para ministrar palestras sobre o pré-sal;
         - convênio firmado com uma ONG, pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (SEDUR), para a construção de unidades habitacionais, que nunca entregues;
         - que no Estado da Bahia, as licitações são ganhas sempre, por coincidência, pelas “petroleiras” Odebrecht, OAS e Camargo Coréia;
         - que sua esposa era funcionária fantasma do Tribunal de Justiça da Bahia, com salário em torno de R$14.000,00;
         - interesses do governador na criação de pedágios (melhoria das estradas baianas) e cartões corporativos (facilitar a fiscalização das despesas palacianas);
         - “abafamento” de possíveis casos de corrupção na Empresa Baiana de Alimentos (EBAL) e na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA); e,
         - et coetera..... et coetera..... et coetera..... et coetera..... et coetera.....
 
         Dentre as “boas” lembranças de JW no governo baiano há o episódio do motim da Polícia Militar da Bahia, quando houve necessidade, na ocasião, para a manutenção da Lei e da Ordem, de emprego do Exército Brasileiro (como sempre, o boi de piranha).
 
         Retirei do noticiário atual a seguinte citação:
         “Forças Armadas, aliás, cuja ação foi fundamental para que o petista superasse a crise causada pela greve da polícia militar baiana, no início de 2012. Comandante das operações, o general Gonçalves Dias notabilizou-se como o 'general do bolo', ao abraçar um PM em greve, que o presenteava com um bolo no dia do seu aniversário. O episódio custou a quarta estrela ao general, que havia sido ajudante de ordens nos dois mandatos de Lula. Ah! Enquanto seu estado pegava fogo, Wagner integrava a comitiva de Dilma em visita à ilha de Cuba.
         Voltando a Wagner, o governador que em 2012 pediu a Dilma a intervenção dos milicos e acusou a PM baiana de promover um "banho de sangue" é o mesmo sindicalista e deputado federal que apoiou a greve de 2001, quando era oposição a Cesar Borges (DEM). Na época, o PT queria “o quanto pior, melhor” na Bahia porque isso fazia parte de seu projeto de poder. Deu certo. E como!”.
 
         O noticiário, infelizmente, por desconhecimento, não publicou que o JW pediu ao Gen G Dias que empregasse a tropa para desalojar os amotinados. O general informou que somente a Presidente da República é que poderia autorizar tal ação e que haveria (aí sim) um banho de sangue, caso ela se concretizasse. Insatisfeito, JW telefonou a Luís Ignácio, pedindo a lulesca intervenção. O apedeuta telefonou ao Gen G Dias, tendo recebido a mesma resposta. Contrariado com a negativa, JW armou, com “sindicalistas amigos”, o episódio do “Bolo de Tróia”, a fim de desmoralizar o comandante da operação. O homem é perigoso e vingativo!
 
         Recentemente, Jaques Wagner inaugurou uma escola, na Bahia, com o nome do terrorista Carlos Marighela. Em seu discurso, saiu-se com essa pérola: "Estamos plantando o amor por Carlos Marighella, um homem que lutou pela democracia, que lutou pela liberdade do povo brasileiro".
 
         Para não me alongar mais, JW plantou na imprensa um adendo ao seu currículo: “estudou em colégio militar, no Rio de Janeiro. Sua atividade política se inicia a partir de 1969 no movimento estudantil, quando presidiu o diretório acadêmico da Faculdade de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ). Entretanto, em 1973, Jaques Wagner passou a ser perseguido pela ditadura militar e teve que abandonar o curso de Engenharia, que nunca completou e sair do Rio de Janeiro. Por isso, foi forçado a se mudar para a Bahia, onde iniciou a carreira política, como dirigente sindical do Pólo Petroquímico de Camaçari”.
 
         Esses pequenos deslizes do ex-governador preocuparam os chefes militares, principalmente àqueles ainda não acostumados e não alinhados ao “politicamente correto” pensamento petista.
 
         Meus prezados militares!
 
         Dêem uma olhada no novo Ministério da Dilma. Fala sério! É para levar essa gente a sério? Não, não é. Não considerem a letra do RC, quando ele diz: “Falando sério // Entre nós dois tinha que haver mais sentimento”. Não, não tem que haver nenhum sentimento, pois o JW, como os demais, somente Vai “olhar pra mim com olhos de promessas” e não fazer nada. Vai viajar muito, “cabidar” diversos petistas e dar continuidade ao programa do Foro de São Paulo.
 
         Cabe aos milicos deixarem “de tentar e sofrer outra vez”; dobrarem seus pára-quedas bucais; terem consciência que, bonachão como é, JW vai “sorrir como quem nada quer” e vai tentar engabelá-los. Cuidado, caso contrário, terão “a vida inteira pra me arrepender”, pois o Jacu é o mais experto de todos os que já passaram pelo Bloco Q da Esplanada e, como o próprio cognome já diz, veio para,,,,,,,, das Forças Armadas.
 
         Meus amigos fardados, apertem o pescoço do Jacu, forcem-no a trabalhar - embora saibamos que sindicalista não é muito afeito à labuta (vide o apedeuta) – mas, como político, ele vai querer mostrar serviço; e, militarmente, prestem continência ao busto, pois o JW é mais uma peça de bronze colocada na pista de desfile. Ele não é do time de vocês.
 
         Quintus Horatius Flaccus deixou um senhor conselho: “Dum loquimur, fugerit ínvida aetas: carpe diem quam minimum credula postero”, ou seja “enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confia no de amanhã.
 
 
         (*) Jacornélio é Engenheiro Civil (PUC/RJ 1969-1973). Teve o mesmo tempo que o JW para terminar a faculdade e se formou, portanto, não vagabundeou, nem fez politicagem. É um frustrado por não ter sido perseguido pela ditadura, ainda mais em 1973. É fã do Roberto Carlos e seus conhecimentos de Latim foram adquiridos com os Professores Pacheco e Saul.
 
Revisão: Paul Essence e Paul Word Spin (in memoriam).
 
Brasília, 1º de janeiro de 2015.
 
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FORÇA PARA AGUENTAR O DILMÁTICO ANO DE 2015


Limpe a politica deste País, denunciando a corrupção de um petralha. O Brasil agradece.

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