Por Sérgio Muniz Costa - Doutor em ciências militares e historiador
Diário do Comércio - São Paulo, 02 de Março de 2015
Lula e o PT cometem um desatino ao transformarem o MST em "exército" para atacarem as instituições democráticas
A despeito de alguns artigos publicados na imprensa, da reação do Presidente do Clube Militar e da representação protocolada pelo deputado Jair Bolsonaro na Procuradoria Regional da República no Distrito Federal, até agora nada aconteceu ao sr. Luís Inácio Lula da Silva por suas irresponsáveis palavras lançadas no último dia 24 de fevereiro na sede da ABI no Rio de Janeiro, quando anunciou o alinhamento do “exército do Stédile “à “briga” que os militantes do PT, segundo ele, sabem brigar.

Em qualquer país democrático com instituições sólidas, tal desatino seria repudiado por manifestações oficiais e enfrentado com providências legais, cobrando-se a retratação e a explicação que o sr. Luís Inácio já deve à sociedade brasileira.

Mas a julgar pelo silêncio das maiores autoridades da República, o sr. Luís Inácio pensa que pode continuar fazendo o que quer e bem entende, sem responder por tanto, restando evidente que isso produzirá consequências.

Não se pretende aqui cansar o leitor, lembrando a impressionante coincidência da prática em que o sr. Luís Inácio é useiro e vezeiro com o que um certo cabo na Alemanha dos anos 20 e 30 fazia nos seus discursos de cervejaria, depois consolidados no bric-à-brac de uma pseudocultura de cadeia que o tornou rico (Minha Luta).

O que acontece aqui no Brasil tem causas e características próprias, decorrentes, em particular, de uma tradição de leniência com a transgressão, e não se precisa recorrer a exemplos históricos distantes para concluir que há algo de muito errado acontecendo nesta República, onde agora se apela a uma retórica militarista para abordar a crise política que se instalou no País, também, pela omissão dos responsáveis pela coisa pública.

E antes que o delírio persecutório petista tente fazer de seu líder vítima de preconceito, discriminação ou prevenção, reitere-se que foi ele próprio, deliberada e espontaneamente, quem apelou a uma inoportuna e inconveniente metáfora que agora faz escola, tal a recorrência verbal a exércitos, tropas, comandantes e guerras, em peças apócrifas ou não, como se não houvesse na sociedade brasileira constituição, política, democracia, deveres e direitos pelos quais se devam encaminhar as soluções para os grandes problemas e questões nacionais.

É totalmente despropositada qualquer previsão de uma intervenção militar na atual crise política brasileira, e, para que isto fique bem entendido, é necessário reiterar alguns pontos.

Em primeiro lugar, que há poucas coisas mais ridículas no mundo do que forças armadas indisciplinadas, o que positivamente está longe de ser o caso no Brasil, onde os militares constituem a mais antiga e sólida carreira de Estado e se atêm rigorosamente ao cumprimento de suas missões constitucionais.

Em segundo lugar, que não existem militares de esquerda no Brasil, nem na ativa e nem na reserva, sendo os pouquíssimos a serviço do PT inexpressivos, não havendo, portanto, risco de guerra civil no país, algo que só acontece quando as forças armadas se dividem.

Em terceiro, que não existe poder militar dentro do país e no seu entorno regional que se atreva a intervir na normalidade institucional brasileira. Por essas e muitas outras razões, que não cabem neste espaço, está mais do que em tempo de cessarem as metáforas militares e a apelação golpista, voltando a predominar o discurso da lei e do direito que a História já nos ensinou.

 

Comentários  
#6 Batalha 03-03-2015 16:58
Prezados adms. do site, os caminhoneiros precisam do apoio de todos nós, por favor postem a msg. abaixo.

"ENTÃO GUERREIROS DO ASFALTO VÃO PARA FRENTE DOS QUARTEIS, TEMOS ALGUNS ENDEREÇOS ABAIXO,E CHAMEM TODA A POPULAÇÃO TAMBÉM PARA AJUDAR:-O GOVERNO SABE A FORÇA QUE VCS TEM, ELES USARAM ATÉ OS OUTROS POLÍTICOS QUE ESTÃO MAIS PRÓXIMOS PARA ENGANAR VCS, NÃO FAÇAM ACORDOS, VCS EJÁ ESTÃO NO PREJUÍZO E JÁ FAZ TEMPO, E O GOVERNO NADANDO NO DINHEIRO"

Repassem!!
#5 Jorge A. Escosteguy 03-03-2015 15:44
Prezados Editores:
Por onde tenho andado e lido, só vejo predominar o discurso de intervenção dentro "da lei e do direito", bem como sugere o articulista.
Além disso, existe sim, dentro do pais, poder militar capaz de "se atrever a intervir na normalidade institucional brasileira"; se vai fazê-lo ou não , é outra história.
Um abraço.
#4 Fim de linha 03-03-2015 15:29
tradição de leniência com a transgressão...

Falar mais o que né...

Resumindo, semana que vem Lula e gangue podem enfiar o cacete no Brasil e mês que vem tacar fogo no congresso que nada acontecerá.
#3 Oficial SIP justo 03-03-2015 12:41
Impeachment já !!!!! Fora, canalhas !!! O luto continua !!! Esses são os métodos que, fizeram ganhar as eleições fora os pagamentos com os desvios da Petrobrás, CEF, BB, BC e OUTROS - O NOSSO FILHO, COMO GERENTE, DENUNCIOU E HOJE ESTÁ PASSANDO FOME NA RUA E COM UMA FAMÍLIA GRANDE - ORA, QUE PAÍS É ESSE???? INFILTRAÇÃO LULOCOMUNOPETIS MO EM TODA PARTE - SOCORRO !!!- ACONTECE COM MUITOS QUE DISCORDAM - AGORA SOMENTE NA JUSTIÇA ?????? SE ESSA FALHAR, EXISTE A DE DEUS --- FORÇAS ARMADAS NELES E JÁ !!! CAPETAS TÊM QUE IR PARA O INFERNO !!!!
#2 Edesio miotto 02-03-2015 20:47
Sr.Sérgio, a lei e o direito que a história nos legou proporcionaram as condições atuais que estão destruindo todas as estruras institucionais que aí estão, levando o país a uma desmoralização total em todos os sentidos. É ilusão achar que alguém conseguirá administrar e promover as reformas que o país necessita com a estrutura política atual, a menos que esteja munido de poderes excepcionais, com aval da sociedade. Fora isso, a meu ver, não há solução.
#1 Carlos de Carvalho 02-03-2015 19:27
Fala-se muito nesse paciente terminal...que agoniza em seus últimos dias, certamente que, por dó ou piedade, a quem tanto mal fez ao BRASIL...
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