Com as dificuldades do Mercosul e da China, o mercado americano, em fase de reativação, é alternativa importante numa revisão sensata da política comercial brasileira
EDITORIAL
O Globo - 29/03/2015 
Desde a subida da rampa do Palácio do Planalto pelo PT, em janeiro de 2003, o Itamaraty perdeu espaço, enquanto as diretrizes da política externa foram avocadas pelo partido. Mais longevo que ministros de Relações Exteriores tem sido o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, com gabinete no Planalto também desde janeiro de 2003, símbolo da ingerência petista na diplomacia brasileira.

Não por acaso, a política externa é monotônica desde então. A presidente Dilma, sem surpresas — salvo o distanciamento em relação ao Irã, eleito por Lula aliado de primeira linha —, seguiu no piloto automático das reverências ao bolivarianismo chavista e na subordinação aos caprichos argentinos no Mercosul, corrompido pelas práticas protecionistas do vizinho. Porém, mesmo pouco atenta à área, a presidente terá de incluí-la em suas prioridades, pois parte da crise do comércio exterior brasileiro se deve a escolhas mal feitas de política externa. Como a cega, por ideológica, dependência de laços com certos governos no continente.

A necessidade de o país se reaproximar dos Estados Unidos é gritante. Nem Dilma parece discordar. Depois do mal-estar diplomático causado pelas revelações, em meados de 2013, sobre a espionagem eletrônica americana da presidente brasileira, este ano pode servir para restaurar os laços com a Casa Branca.

Em 2013, uma viagem de Estado a Washington foi abortada devido à crise criada pela descoberta da espionagem. Agora, depois da vinda do vice-presidente Joe Biden à posse de Dilma, aceleram-se os preparativos para a visita. Dilma e Obama se encontrarão na primeira quinzena de abril no Panamá, na 7ª Cúpula das Américas. Pode servir para aplainar ainda mais o terreno da visita.

Um dos resultados deletérios da diplomacia lulopetista foi reduzir o peso do Brasil na diplomacia multilateral, embora o discurso continuasse a ser o da busca de uma cadeira de titular no Conselho de Segurança da ONU. Como os atos nunca foram condizentes com este desejo, a cadeira virou fumaça. Com propriedade, o “New York Times”, em recente editorial, registrou esta diminuição de peso do Brasil no mundo. Segundo o “NYT”, a voz do país virou “sussurros”, enquanto outros membros do Brics — China, Rússia e Índia — tomam caminho oposto. O esfarelamento do Mercosul e a desaceleração chinesa impõem ao Brasil se reaproximar dos EUA, cuja economia deve acelerar a recuperação.

Os EUA sempre foram importadores de produtos manufaturados brasileiros. A crise argentina já recolocou o mercado americano como o terceiro mais importante para as exportações brasileiras (depois da União Europeia e China).

Só em fevereiro, a balança comercial teve um déficit de US$ 2,8 bilhões. As commodities continuam em baixa e o país precisa ampliar mercados. É hora de o governo tomar decisões sem viés ideológico.

 

Comentários  

0 #3 sofia.mb-themes.com 11-01-2016 12:25
Lembre-se que um bom jogador não é aquele que sai nos primeiros
minutos de jogo atrás da bola e quer fazer um gol a qualquer custo, mas sim,
aquele que tem a paciência e conhecimento para esperar momento certo de dar 100% do seu potencial
em um lance maravilhoso e fazer gol.
0 #2 Valdeke Silva 18-04-2015 13:50
Perdemos o bonde da história e da economia global quando Lula em 2002 em plena campanha eleitoral disse que, com a ALCA, o Brasil iria se vender aos americanos, e optou por este arremedo de bloco comercial chamado Mercosul que logo vimos, não deu em nada e agora queremos nos aproximar dos EUA.Agora é tarde, pois o México que não se iludiu com o canto da sereia já está muito á nossa frente.
+1 #1 Fernando Fernandes 29-03-2015 15:11
Infelizmente o Governo do Brasil só se aproxima de países do terceiro mundo esquecendo, pela filosofia esquerdista ultrapassada, os do primeiro.
Fernando Fernandes

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