O AzulãoPor Carlos Alberto Brilhante Ustra

No dia 02/10/2006, o jornal Folha de Sào Paulo publicou matéria assinada por Mário Magalhães, em que aponta um documento do Exército, uma apostila com a rubrica "secreto", que "contradiz o relato apresentado à  Justiça pelo coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra".

Texto completo  


 

O profissional da mídia nào é aquele que manipula deliberadamente os fatos, de acordo com as suas conveniências e os seus interesses políticos, ideológicos, profissionais e comerciais, mas aquele que para dar credibilidade às suas matérias, estuda, investiga e pesquisa exaustivamente os assuntos de suas reportagens; que ouve e analisa as versões de um tema polêmico sem transformá-lo em um simulacro de meias verdades; que estimula a isenção e vence preconceitos; e, que, finalmente, constrói a história.

No que se refere ao processo que tramita na 23ª Vara Civil do Foro de Central de São Paulo, no qual Maria Amélia Telles, seu marido, sua irmã Criméia e seus dois filhos pedem o reconhecimento de que, como Comandante do DOI/CODI/ II Exército, causei-lhes danos morais e à sua integridade física, só o meu advogado, Dr Paulo Esteves,  se pronunciará.

Quanto à  apostila a que se refere o jornalista, ela nào foi elaborada para atender aos interesses e necessidades do Exército, muito menos por sua orientação ou solicitaçào, nem para sua utilização. Ela foi desenvolvida em 1974 para o Curso de Operações da Escola Nacional de Informações, órgão do SNI, vinculado à  Presidência da República, do qual eu era o Instrutor Chefe..

O Curso especializava capitàes e tenentes (Curso C1) e sargentos (Curso C2) em operações de informações, utilizadas no combate às guerrilhas urbana e rural, desencadeadas por todas as organizações terroristas que atuavam em nosso País.

As aulas relativas ao assunto "combate à guerrilha em área urbana" eram ministradas por mim, fruto da minha experiência como comandante do DOI/CODI/ II Exército. Para torná-las mais práticas, apresentava casos vividos em combate, que, muitas vezes, de acordo com o assunto a ser explorado, eram adaptados às circunstâncias da aula e modificados para preservar o sigilo ou para atender à  atualidade do tema. Tinham como pano de fundo, na maioria das vezes, casos reais vivenciados no combate ao terrorismo.

Como as fontes de consulta para instruções desse gênero eram escassas, as aulas a serem ministradas foram reunidas e consolidadas numa apostila, com o nome de "Contra-Subversão - Área Urbana". Essa apostila, datilografada em 233 páginas, no formato de 33cm x 22cm, encadernada em capa dura na cor azul escuro, ficou conhecida nos meios de informações como o "azulão" e foi classificada como documento "SECRETO", no afã de resguardá-la o máximo possível. Óbvio que, se caísse em mãos do inimigo, certamente perderíamos inúmeras vantagens na forma de combatê-lo.

A apostila, portanto, continha Planos de Aula a serem ministrados aos alunos e não Relatórios de Operações que, normalmente, são elaborados após as operações militares.

Posteriormente, visitando o Centro de Informações do Exército (CIE), mostrei a apostila ao seu chefe, general Confúcio, que, ao lê-la, se mostrou entusiasmado com o seu conteúdo e mandou fazer 50 cópias, que foram distribuídas ao CIE, aos DOI e a outros órgãos de informações.

Alguns desses exemplares, posteriormente, foram copiados por "agentes arrependidos", que os entregaram ao inimigo.

Seria interessante que o jornalista responsável pela matéria, tão ávido em esclarecer a verdade, identificasse os parentes que foram a São Paulo buscar os filhos de Maria Amélia e se responsabilizaram pela guarda dos mesmos. Se isso ocorresse, o próprio jornalista constataria que a matéria publicada no jornal O Globo, em 30/10/2005, por Evandro Éboli, contém muitas inverdades; que os filhos do casal nunca foram presos e nem maltratados; que uma policial feminina, com a concordância dos pais das crianças, as acolheu em sua casa, até a chegada dos parentes, para que nào fossem encaminhadas à  uma instituição do Juizado de Menores; que foram entregues aos parentes, na presença dos pais, em perfeitas condições físicas; que as crianças, até viajarem com seus parentes, nunca foram levadas ao DOPS, "para ver as marcas de tortura na mãe", como consta na reportagem de Evandro Éboli, simplesmente porque, quando elas deixaram São Paulo, Maria Amélia e seu marido ainda estavam no DOI e só depois é que foram encaminhados ao DOPS.

Por que Maria Amélia nas suas acusações nào cita esse fato? Certamente porque ele dará maior veracidade ao meu relato e à  minha afirmaçào de que são falsas as declarações que faz a meu respeito.

Sempre que essa matéria é veiculada na imprensa, só aparece a versão deles, mas minha versão nunca é mostrada.

Portanto caros leitores, lutando contra o poder e a parcialidade de quase toda mídia, contra o patrulhamento ideológico que domina a maior parte da nossa imprensa, só me resta a internet e o meu livro "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda nào quer que o Brasil conheça", obra boicotada por expressiva  maioria das grandes livrarias, para mostrar, exaustivamente, a minha versão.

Comentários  

0 #2 joseita 18-08-2014 14:15
SR Flávio
O senhor pode pedir na Livraria Cultura, pela Internet ou pedir diretamente ao autor, pelo e-mail averdadesufocada@terra.com.br, e nós responderemos, orientando-o melhor.
0 #1 Flávio Pascoal Dias 17-08-2014 12:18
Senhores, sou de Betim, uma cidade próxima a capital Belo Horizonte Minas Gerais. Há alguns dias tentei comprar o livro "A verdade Sufocada", porém o vendedor disse que esse livro principalmente em épocas de eleições fica impossível de encontrar. Sei que existe uma perseguição política por trás disso.Gostaria de uma orientação de como comprar o livro.

Desde já agradeço.
Flávio Pascoal Dias.

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