Aileda de Mattos Oliveira (agosto)
Era um dos eufemismos na época do Brasil simplório, porém, mais educado. “Tolerava-se” o exercício da mais antiga profissão, desde que em locais reservados, sob a vigilância de posturas municipais e sem chocar a então tradicional família brasileira.
O Brasil atual é grosseiro, sem polimento. Degradaram-se as instituições governamentais, corroídas no cerne por bandos de políticos sem identidade cultural, eliminando do organismo social os mais elementares valores de respeito humano, imprimindo no seio da população infantil a promiscuidade sexual como regra de conduta. Chega dessa conversa de “gênero”!

Esse distúrbio mental e comportamental do político reflete-se na parte vulnerável da população brasileira, que toma os exemplos negativos daqueles que deveriam dirigir a Nação para frente e para cima, normas habituais de procedimento.

Adultos e crianças destruídos pela prostituição política, projeto de desgoverno de agentes fanaticamente comprometidos com o objetivo único de eliminação de todas as reservas adversárias que lutam pela manutenção da estrutura tradicional da Nação. Mais uma razão para persistirmos.

O desprezo dos políticos pelo país, ao qual nunca tiveram apego, permitiu a fragmentação dos alicerces do Estado (Família, Educação, Religião), intencional trabalho ideológico de dilaceramento de todo o tecido histórico nacional.

Ignoram a Constituição, mas dela se servem para garantir sob o teto privilegiado de suas leis a imunidade que lhes concede a impunidade, transformando as Casas do Congresso em Casas de Tolerância.

Não que tenham o mesmo significado daquele que definia a outra profissão, mas a condescendência ou submissão que mantêm com as corrosivas organizações transnacionais que interferem na nossa soberania; na Amazônia; na aculturação dos índios em língua estrangeira; na apropriação indébita de refinarias brasileiras; nos saques às instituições financeiras sem que exerçam séria fiscalização, em prejuízo das políticas públicas nacionais.

Essas duas Casas deixaram de ser, há muito, plenários de robustos debates sobre assuntos relacionados ao Brasil; de vigilância aos desmandos do Executivo, para tornarem-se arenas onde combatem as tribos (partidos) numa luta repugnante de interesses pessoais, debitadas as despesas no bolso raquítico do contribuinte.

Outrora, o Valongo, onde se traficavam escravos; hoje, o Congresso, onde se traficam favores, cargos, benesses, a partir de milhões, não se considerando a origem, mas visando-se ao enriquecimento rápido sem se lembrarem de que estão a serviço da Nação. É ou não prostituição política?

Vozes se calam em defesa da sociedade, mas se alteiam em favor de bandidos, meliantes, talvez, por semelhanças de ações. Uns assaltam o privado; outros, os cofres públicos.

Entre as Casas de Tolerância do Brasil Antigo e elegante, e do Brasil do Foro e de Gramsci, as primeiras não passam de inocentes entretenimentos de quem pagava do seu próprio bolso as atrizes da época.

As segundas, visando ao benefício do silêncio cúmplice, deixaram marcas indeléveis na alma da Nação ao renegarem a ética, ao repudiarem o compromisso moral de defender o bem comum, e preferirem naufragar o país em troca das vantagens usufruídas com o dinheiro alheio.

(Dr.ª em Língua Portuguesa. Vice-Presidente da Academia Brasileira de Defesa)

 

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