O GLOBO
Algumas reformas começaram a ser feitas em Cuba após a doença de Fidel Castro, com a confirmação do irmão Raúl na Presidência, em fevereiro. Parcerias comerciais e de investimento com China, Brasil, Venezuela, Irã e outros países emergentes têm proporcionado recursos às autoridades cubanas. Raúl tomou iniciativas para aumentar a eficiência econômica e dar alguns toques de modernidade ao país, tentando melhorar o padrão de vida dos cubanos. O governo investe na recuperação da infra-estrutura e em projetos de restauração de bairros e moradias.

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Essa "revolução", contudo, caminha lentamente. O regime comunista não quer nem ouvir falar na tumultuada transição para o capitalismo após o fim da URSS. Deseja manter o controle político. Não morre de amores pela liberalização com base na economia de mercado feita por China e Vietnã. Embora estejam mais próximos do modelo chinês, de ditadura política e liberalização econômica. Apesar do cuidado, a liderança cubana está premida pela realidade e algumas de suas reformas seriam impensáveis sob Fidel. Uma delas é o fim da fixação dos salários, numa tentativa de estimular a produtividade dos trabalhadores. Pela primeira vez, o teto salarial de um funcionário público dependerá de sua produtividade, uma forma de aumentar a eficiência, como relata o "Financial Times". Essa mudança é impensável na Brasília de hoje, dominada por corporações de servidores. Outra reforma de Rául, imprescindível, da qual os governantes brasileiros querem distância, é a ampliação da idade para a habilitação à aposentadoria. Como a aritmética é igual para todos - igual à força da gravidade -, lá também a Previdência requer essa alteração. Raúl Castro lançou, ainda, uma grande reforma agrícola e permitiu a venda de computadores, celulares, aparelhos de DVD, motos e outros bens de consumo.

As reformas procuram responder às necessidades de uma população ávida por melhorias em seu modestíssimo padrão de vida, por liberdade de informação e de opinião, por moradias decentes, por mais ampla oferta de bens e serviços e por oportunidades de viagens e de lazer, após quase 50 anos de apagão comunista. Mas o sistema de economia planejada é incapaz de responder a essas necessidades. E os cubanos não têm recursos para comprar o que já está nas prateleiras.

Queiram ou não, com o tempo as autoridades cubanas terão de fazer a transição para a economia de mercado. Oxalá os cubanos tenham uma suave aterrissagem. E sem ditadura de qualquer tipo.

 

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