Gen Bda Paulo Chagas
Fomos nós, do Exército Brasileiro, que lutamos nos Guararapes contra o invasor holandês, justificados e motivados pelo sentimento de pátria que o amálgama de raças e o amor à terra fazia surgir.
Fomos nós que asseguramos a Independência, que lutamos na Cisplatina e que defendemos a honra, os interesses, a soberania e o patrimônio da Pátria nas guerras e conflitos internos que abalaram, ameaçaram e fixaram nossas fronteiras e asseguraram a unidade nacional.
Fomos nós que, aliados a antigos adversários, fizemos malograr as intenções expansionistas de Solano Lopes.
Somos nós, do Exército Brasileiro, que temos na consciência o peso da participação na derrubada do Império e que conhecemos a responsabilidade que nos cabe na instauração desta República que, até os dias de hoje, envergonha a história política do Brasil.

Fomos nós que lutamos em Canudos, no Contestado e na 1ª Grande Guerra Mundial. Fomos nós que, ao morrermos movidos pelos ideais "tenentistas", escrevemos a epopeia dos "18 do Forte"

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que ajudamos a colocar Getúlio no poder e não o impedimos de implantar o Estado Novo.

Somos os mesmos que, em 35, sofremos na carne a traição e a agressão assassina de comunistas fardados, falsos camaradas, idiotizados pelo internacionalismo vermelho.

Fomos nós que lutamos na Itália e que trouxemos de lá lauréis de bravura e de abnegação que refletem nosso exacerbado amor à liberdade e à justiça.

Somos os mesmos, os do Exército Brasileiro, que, em MARÇO DE 1964, assumimos a liderança do clamor popular que repudiava a ameaça comunista que, mais uma vez, nos rondava às escâncaras e à sorrelfa, pregando mentiras e preparando o golpe de morte aos valores pelos quais sangráramos em guerras e revoluções.

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que lutamos nas matas do Araguaia contra uma guerrilha de lunáticos, preparados por fanáticos da utopia comunista e liderados por falsos profetas que pregavam o ódio e exploravam desigualdades e injustiças que nunca pretenderam ou seriam capazes de corrigir.

Somos os mesmos que, atônitos, vimos surgir nos grandes centros a ação deletéria, covarde e assassina de terroristas treinados longe da Pátria que, misturados às próprias vítimas, as usavam como escudo e camuflagem. Aprendemos, não sem perdas e sem o sacrifício de pessoas inocentes, a conhecê-los, a combatê-los e a vencê-los!

Fomos nós que, com o espírito aberto e pacificador de Caxias, assistimos ao retorno dos banidos, dos fugitivos da justiça e dos exilados e que, inocentemente, alimentamos a crença de que, anistiados, voltavam ao convívio e ao aconchego da Pátria para ajudar na construção do Brasil livre, desenvolvido e democrático que o desejo da maioria impunha construir.

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que, como Soldados da Paz, arriscamos nossas vidas na África, no Timor Leste e na Bósnia. Fomos nós que, ao levarmos a paz e a solidariedade ao sofrido povo do Haiti, morremos com ele, soterrados no cumprimento do dever.

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que conduzimos e executamos as operações que resultaram na retomada de áreas ocupadas por facínoras e traficantes nos complexos de favelas do Rio de Janeiro, devolvendo e assegurando àquelas comunidades os direitos de cidadãos que a covardia, a omissão, os interesses e a conivência de políticos, governantes e até de policiais lhes haviam tirado.

Este rápido, superficial e incompleto passeio pela história de nossos feitos, faz ver que nós, do Exército Brasileiro, desde Guararapes até a "Maré", carregamos e continuaremos a carregar a herança desses fatos e responsabilidades que não pertencem ao passado ou aos que lá estiveram naqueles momentos, mas a nós todos, soldados de ontem, de hoje e do amanhã, porque é herança de honra, de glória e de responsabilidade!

O que está feito não pode ser mudado e pertence a todos nós. Não há como apagar a história nem há como fugir à responsabilidade sem deixarmos de ser nós mesmos. Não há ordem ou desconforto, de quem quer que seja, que nos possa fazer esquecer ou ser menos responsáveis ou orgulhosos dos feitos e fatos que compõem a nossa história, sob pena de termos que abdicar do orgulho de sermos nós, os do Exército Brasileiro!

Gen Bda Paulo Chagas

 

Comentários  
#5 Vaulber B. Pellegrin 26-08-2015 17:31
...." invasor holandês".., desculpe mas será que não estaríamos melhor????
#4 Edson Araújo 26-08-2015 13:32
Tomara que sejamos nós também que restabeleceremo s a ordem do Brasil.

Os bandidos políticos, com destaque para o PT, promoveram o maior saque ao erário público e ansiamos muito para que o Exército de Caxias os enjaulem e devolva a dignidade e normalidade a este país tão aviltado pelos petralhas.

Só lembrando, sem ANISTIA desta vez !
#3 Paulo Ranzollin 26-08-2015 10:39
General Paulo, saiba que, eu, do alto de meus mais de 60 anos de idade, diante deste lapidar texto, só sinto vontade de chorar. Sim, de chorar de orgulho de ter sido e ser Militar Reformado. Orgulho de ser patriota a ponto de dar minha vida ao Brasil, ao Exército, ao meu povo, à minha amada família. Orgulho pelos feitos de nossa amada Caserna, em especial os feitos de 64. Porém, choro,
também, por conta do atual silêncio de nossos queridos colegas da atual Caserna, diante do mar de lamas em que os petralhas, marginais de 64,impuseram a todos nós honestos e patriotas brasileiros. Choro, por nada fazermos contra as infâmias aos nossos militares de 64. Sensível como estou, por conta do silêncio de nossas Forças Armadas, diante de tantos lesas-pátrias, ler este seu texto, tão patriota, tão honesto, tão amoroso para com o Brasil e a Caserna, me fez chorar muito. Grande abraço, querido amigo. Amo seus valores, General Paulo Chagas, General de incalculável valor patriótico. Paulo
#2 geraldo albuquerque 25-08-2015 22:26
SR. General, em tudo o que V.Excia. escreveu, só vejo um erro de nosso exército. A proclamação da república.Íamos bem com o império. Despontávamos no seio das maiores nações do mundo.Aí começou a esculhambação que perdura até hoje. Eramos um país sério. Talvez um dia o nosso exército faça o "mea culpa" por ter ajudado a fundação dessa república de ladrões desde o seu início, e, devolva ao Brasil o regime que lhe trazia felicidades
#1 Ricardo Fairbanks 25-08-2015 18:27
Belo passado ! Mas, e agora, onde estão vocês ?
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