Editorial O Estado de Sâo Paulo - 25/08/15
Ruim para a China, ruim para o Brasil, uma economia dependente em excesso da prosperidade chinesa. Mais uma vez a bolsa brasileira foi abalada pela turbulência no mercado chinês. O choque espalhou-se por todos os continentes, em mais uma segunda-feira negra. Esta expressão foi usada pelo Diário do Povo, de Pequim, ao noticiar a queda de 8,49%, a maior desde 2007, do Índice Xangai Composto. Uma queda de 8,48% havia ocorrido em 27 de julho, também uma segunda-feira. Enquanto especialistas, em todo o mundo, discutem a situação da China e especulam sobre a gravidade real da crise, pelo menos uma certeza já é possível: países emergentes e em desenvolvimento, exportadores principalmente de commodities – produtos básicos e semimanufaturados –, são os principais perdedores.

Ninguém pode dizer com segurança, hoje, se a economia da China se acomodará num crescimento próximo de 6%, num patamar um pouco inferior ou mesmo se afundará numa crise mais grave, hipótese por enquanto muito improvável. Mas o Brasil e outros fornecedores de commodities para o mercado chinês já foram afetados pela baixa das cotações internacionais.

Esse movimento acompanhou a desaceleração do crescimento da China, com efeitos mais sensíveis na receita cambial desses países de um ano para cá. Para ficar só no desempenho do agronegócio: nos 12 meses até julho, a receita de exportação do setor, US$ 99,81 bilhões, foi 9,4% menor que a do período imediatamente anterior principalmente por causa da redução dos preços. Nesse intervalo, a cotação da soja em grãos caiu 21,2%; a de farelo de soja, 18,6%; a de óleo de soja, 16,3%; a de açúcar, 10,5%; a de papel e celulose, 8,7%; e as de carnes, 5,2% Os preços do minério também caíram. A queda dos preços médios foi a causa principal da redução de 21,7% da receita proporcionada pelas vendas de básicos e de 5,9% da obtida com a exportação de semimanufaturados, na comparação dos números de janeiro a julho deste ano com os de igual período do ano passado. Outros fatores também contribuíram para a baixa das cotações, mas a desaceleração chinesa foi com certeza um dos mais importantes, talvez mesmo o mais importante.

Todos os países muito dependentes da venda de minérios e de produtos agrícolas foram prejudicados pela mudança das condições do mercado e, de modo especial, pelo menor dinamismo da economia chinesa. As vendas do Brasil para a China ficaram em US$ 22,68 bilhões de janeiro a junho deste ano. Esse valor foi 19,4% menor que o dos mesmos meses de 2014.

A composição das vendas para o mercado chinês é esclarecedora. No ano passado, o Brasil faturou US$ 40,62 bilhões no comércio com a China e os produtos básicos proporcionaram 84,42% desse valor. Somando-se a isso a receita dos semimanufaturados, as vendas de commodities garantiram 95,92% do valor exportado. Sobraram, portanto, apenas 4,08% da conta de manufaturados: apenas US$ 1,62 bilhão.

Neste ano, o padrão se repete, mas com um volume de comércio menor. De janeiro a julho, as vendas de básicos corresponderam a 85,11% da receita e a de commodities (incluídos os semimanufaturados), a 96,69% do total faturado.

Pelo menos um analista estrangeiro, o economista Oleg Melentyev, do Deutsche Bank, chamou a atenção, na segunda-feira, para o problema dos emergentes afetados pela desaceleração chinesa e pela depreciação das commodities.

Governantes mais atentos perceberam a urgência de mudanças na composição das exportações e, de modo especial, na relação de dependência com a China. O governo brasileiro, no entanto, continua dando prioridade, oficialmente, ao chamado comércio Sul-Sul e dando pouca importância, na prática, aos problemas de produtividade e de competitividade da indústria.

A presidente Dilma Rousseff, tudo indica, permanece fiel às escolhas da diplomacia petista, incluída a relação semicolonial com a China.

 

Comentários  

+1 #2 Of SIP Refo 27-08-2015 07:51
Continua China: A bala de canhão para ministro que cochilou? Como diz CARLOS CHAGAS: "SE ESSA MODA PEGA!
Afinal, somente o empréstimo para a construção da ferrovia NORTE/SUL no Brasil, são 10 bilhões de dólares com dinheiro Chinês!
Afora outros contratos que esse governo fedorento já assinou com os amarelos de ideologia vermelha (...)
Por essa e outras: fora, fora! Chega de mentiras e enganações - quanto serão os juros para o povo pagar no futuro? Será que "os fins justificarão (...)" - E, o nosso salário oh! "Pimenta nos dos outros é refresco" - Os nossos netos e bisnetos é que pagarão - afora, o desemprego para nós e a geração de empregos no Brasil para os países asiáticos, inclusive o "gigante - tigre asiático"? Petistas/comuna s, tomem tenência(...)!! ! O povo brasileiro já não é tão bobo!!!!
+1 #1 Of SIP Refo 27-08-2015 07:39
O luto continua! O pior, é que não sabemos se esta negociata com a "china", não nos levará no futuro uma parte da "America do Sul" e da Amazônia, em consequência. E ainda, se a ideologia comunista não encontrará respaldo para dominar a todos!
Pois, para o petismo/comuno: "os fins justificam os meios", unidos a CUBA, VENEZUELA, BOLÍVIA , outros países da cortina vermelha, inclusive a citada "China vermelha" - pois, o que EVO MORALES diz a respeito da invasão do Brasil, caso tirem a "megera", bem como o "ixército da cumpanheirada de lula" são "fichinhas" perto dos "camaradinhas" de pele amarela e de pensamento avermelhado! Lembremos sempre o que os antigos diziam: "isso é negócio da China"(...) - "vou te mandar para a China" (...) - Será que é porque seria bom ou ruim??? Ora,os comunistas/peti stas brasileiros se sentem apoiados com grande quantias emprestadas de lá e vão avermelhando também a nossa BANDEIRA - Lembrem-se da "impiedosa ditadura" e o tiro de canhão p/Ministro?

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