Opinião – O Estado de São Paulo
Espaço aberto,
Eduardo Dias da Costa Villas Bôas,
Exército,
25 Agosto 2015 | 03h 00
Servir à Pátria é o sagrado compromisso dos integrantes do Exército Brasileiro. A adequada compreensão e a incondicional dedicação a essa nobre missão é o legado maior que nos deixou Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, cuja sua vida é uma história de renúncia, coragem e patriotismo.
Chefe militar invicto e cidadão inatacável, tornou-se Patrono do Exército Brasileiro não apenas pela grandeza de suas conquistas na luta pela independência, na manutenção da integridade nacional ou nas campanhas do Prata, mas também pela visão de estadista com que cuidou da reconciliação dos brasileiros nas lutas fratricidas que pacificou, e pelo respeito e dignidade que dedicou àqueles que derrotou nos conflitos externos.

A trajetória deste grande general ensina aos soldados de todos os tempos que a grande e generosa nação que almejamos todos exige a permanente vigilância pela sua integridade e impõe a capacitação de suas Forças Armadas para garantir seus interesses e assegurar sua soberania.

À integridade territorial construída por Caxias seguiu-se a obra ainda por terminar da integração de todas as regiões do País à vida socioeconômica brasileira.

Nessa epopeia, ninguém superou Cândido Mariano da Silva Rondon, o marechal Rondon, militar e sertanista que no início do século passado desbravou os mais inóspitos sertões para unir o Brasil pelas linhas telegráficas, mapeou territórios selvagens e demarcou nossas fronteiras. Seu espírito humanista garantiu que as comunidades indígenas até então desconhecidas tivessem respeitadas suas culturas e sua integridade. Mato-grossense descendente de índios bororós e terenas, cunhou a frase imortal que foi sua divisa no trato com os silvícolas: “Morrer se preciso for, matar nunca”.

A continuidade desse esforço nos nossos dias pode ser vista no entusiasmante trabalho de nossos soldados que, longe de tudo e contra todas as dificuldades, representam o Estado brasileiro nos mais remotos pontos das nossas fronteiras, levando, juntamente com a nossa Bandeira, a mão amiga para socorrer aquelas longínquas populações.

Esse ideal de integração territorial, que outrora motivou portugueses a construírem mais de 60 fortes para rechaçarem as investidas de espanhóis, holandeses, ingleses e franceses, permanece vivo nos projetos estratégicos que hoje impulsionam o Exército para o futuro.

Com esse propósito a Força Terrestre conduz o arrojado Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), para ampliar o controle da nossa extensa faixa de fronteira, aliando recursos de alta tecnologia desenvolvidos por empresas nacionais à concepção que integra as ações das Forças Armadas com todos os órgãos responsáveis pela segurança pública e de fiscalização, nas três esferas do poder.

O Sisfron, apoiado numa extensa e sofisticada rede de sensores, interligados a sistemas de comando e controle, por sua vez conectados às unidades operacionais com capacidade de resposta em tempo real, permitirá um salto de qualidade e eficiência na melhoria da vigilância daqueles limites internacionais para o combate aos delitos transfronteiriços, a par de importantes benefícios sociais, como controle ambiental, informações climáticas, alerta e atuação em desastres naturais, educação, saúde e vigilância sanitária, entre outros.

A tradição vitoriosa herdada de Caxias prossegue inviolada até os nossos dias, honrada pelos pracinhas que há 70 anos cruzaram o Atlântico na gloriosa campanha da Força Expedicionária Brasileira em campos italianos, pelos milhares de soldados que desde 1948 cooperam para a paz mundial nas missões das Nações Unidas ou da Organização dos Estados Americanos e por aqueles que devolvem a cidadania usurpada aos moradores de comunidades antes dominadas por organizações criminosas.

Esse cidadão fardado, o seu Soldado, que representa a força da nossa Força, sustentado por valores culturais, morais e éticos cultuados pelo povo a que serve e protege, pavimenta o sólido percurso que permite à instituição gozar de elevados níveis de confiabilidade perante a sociedade.

Dessa forma, o Exército faz-se presente no cotidiano da nossa gente, com responsabilidade e competência, atuando em resposta às demandas conjunturais que lhe exigem a presença, como na condução da Operação Pipa, na pacificação dos complexos do Alemão e da Maré, no socorro à população diante das calamidades, no combate à dengue e nos eventos de singular importância e de visibilidade internacional, como a visita do papa na Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo e, no próximo ano, a Olimpíada.

O Exército de Caxias, fiel ao que preceitua o artigo142 da Constituição federal, é o instrumento capacitado, juntamente com a Marinha de Tamandaré e a Força Aérea de Eduardo Gomes, a garantir a normalidade do ambiente propício ao desenvolvimento, no qual a verdadeira democracia, despojada de adjetivos ou condicionantes, e a visão generosa dos homens e das mulheres de bem em torno da prevalência dos interesses nacionais criem o ambiente de oportunidades que induzirá a prosperidade que tanto perseguimos.

A ação do Exército foi, é e sempre será orientada para a defesa de nossa soberania e da sociedade a que servimos, pela manutenção da integridade territorial e garantia da estabilidade social, na senda da legitimidade que o respeito à legalidade conquista.

Em breve retorno aos feitos de Caxias, constatamos que o Exército Brasileiro mantém a sua missão constitucional como farol, fiel ao sagrado compromisso com a Pátria, sempre ao lado da sociedade e em perfeita harmonia com os valores que caracterizam desde sempre a instituição.

*Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, General de Exército, é Comandante do Exército Brasileiro

Comentários  
#5 Paulo Lisiero 02-09-2015 17:54
Sr. Dalton Catunda Rocha, Hitler foi eleito pelo povo alemão que acreditou em suas propostas mentirosas, algo que temos visto ultimamente em nosso país. Hitler foi Chanceler da Alemanha e lá chegou pelo voto popular, quem promoveu expurgos, matou milhões de pessoas e disseminou o ódio foram os NAZISTAS, partido de Hitler (as SA e SS) e toda a camarilha que o cercava. Os NAZISTAS cometeram toda ordem de atrocidades e envolveram a Alemanha, a Europa e o mundo todo em uma guerra que matou mais de 40 milhões de pessoas. Cuidado com esses partidos de fanáticos e mentirosos, que manipulam os meios de comunicação, as entidades governamentais, infiltram-se em toda a máquina pública e atuam em prol do PARTIDO tendo como único objetivo manter-se no poder, a qualquer custo, protegendo e encobrindo os malfeitos dos companheiros.
#4 Of SIP Refo 28-08-2015 08:41
Que, viva o Duque de CAXIAS - o pacificador(... ) Que viva a nossa amazônia, a imensidão do nosso território e a integração nacional - tão defendida por ele e mantida nos dias de hoje pelas Forças Armadas - que, mantenhamos invioláveis, os nossos "marcos de fronteira" -viva a democracia, viva a dignidade humana e a soberania pregadas por ELE. Enfim, que se enalteçam todos os demais soldados, os atuais caxias do Brasil, que nos defenderão "com o sacrifício da própria vida" - e que nos dias de hoje, calados, sofridos, seguindo sempre o exemplo de seus patronos continuam fieis e dedicados ao nosso país - calados até mesmo pelas "migalhas" reservadas aos "familiares dos filhos de Caxias", que nada pedem aos governantes que nos fazem engolir todos os dias as suas vinganças e absurdos, enquanto vivem nababescamente, encastelados em Brasília, deixando os nossos netos e futuros bisnetos sem muitas expectativas, até de empregos (...). Porém, CAXIAS poderá se levantar do túmulo (...)
#3 Dalton Catunda Rocha 27-08-2015 13:51
Os comandantes militares da Alemanha colocaram a lei e seu chefe Hitler, acima de suas consciências e dezenas de milhões de pessoas pagaram por tal decisão tão legalista, quanto idiota.
#2 Flavio Rodrigues 27-08-2015 13:10
Ações desprovidas de ideias são caóticas; ideias desprovidas de ação são inúteis.
#1 Lopes 27-08-2015 08:43
A missão do Exército maravilhosament e explicitada em artigo escrito pelo Cmt do EB através de uma cronologia histórica descreve por várias vezes a "MANUTENÇÃO DA INTEGRIDADE TERRITORIAL" E A "PERMANENTE VIGILÂNCIA PELA SUA INTEGRIDADE" e finaliza afirmando a defesa dessa integridade bem como da "ESTABILIDADE SOCIAL". Bem, Comandante, já sabemos que a nossa Amazônia será (ou já está?) sendo "fatiada" em prol de "nações" indígenas com ingerência externa; E que a estabilidade social já está caminhando para o caos. Caos este promovido pelo próprio governo que aí está, basta assistir os telejornais. Com esse 'CENÁRIO" exposto a minha pergunta é: O que faremos?
Atenciosamente ( Caso o Srº leia, o que eu não acredito),
Adão Auri A Lopes
2º Ten QAO do EB - res Rem
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