Por Percival Puggina - 18.09.2015
Há poucos dias, em seu roteiro por países bolivarianos, o Papa Francisco recebeu das mãos do cocaleiro Evo Morales aquele horroroso crucifixo de madeira que se compunha com uma foice de modo a formar, no conjunto, o símbolo do comunismo. Foi uma sucessão de indelicadezas do mandatário boliviano, de quem não se pode esperar algo melhor. Só para recordar, poucos dias depois, deu-se o direito de ameaçar o Brasil com suas poderosas forças armadas caso Dilma e o Partido dos Trabalhadores fossem afastados do poder. Como não há o mais tênue movimento nos quartéis (se acenderem uma vela a chama não se mexerá), o recado foi dirigido ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário do Brasil. A turma do Foro de São Paulo se tem em altíssima conta...

Voltando ao encontro do mal-educado presidente boliviano e o Papa Francisco. Evo começou aquela cerimônia pendurando correntes e mais correntes no pescoço de Sua Santidade. Dir-se-ia que ele estava chegando a uma festa de Mardis Gras em New Orleans ou descendo no aeroporto de Oahu. E para arrematar a recepção, uma foice e martelo, metida a crucifixo, de muito mau gosto, que parecia ter sido feita assim mesmo, com uma foice e um martelo. Diante do objeto, Francisco sussurrou constrangida exclamação: "No está bien eso". Os vídeos que registram o episódio mostram Evo Morales com um sorriso irônico que não se desfaz nem mesmo diante da observação do Papa. Na sequência, sempre sorrindo, explicou que o presente era uma réplica de outro, esculpido por Lucho Espinal, um padre militante contra a ditadura de García Meza, sob cujo governo acabou sendo assassinado. A menção ao colega jesuíta, que o Pontífice homenageara horas antes em Las Nieves, aparentemente desfez o mal-estar que se criara.

Pois amanhã, dia 19, o Papa desembarcará em Havana, no aeroporto José Martí, que está sendo ampliado pela Odebrecht, claro. Com financiamento a juros privilegiados, claro. Concedido pelo BNDES, claro (mas a ideia original é que fosse tudo secreto, claro). A questão que me vem à mente é se, diante de um regime abertamente ditatorial, marxista-leninista, que submete o povo da ilha à servidão e que não admite quaisquer mudanças nas estruturas totalitárias do poder, o papa igualmente afirmará, como deveria: "No está bien eso!"

Não, não está bem. Armando Valladares, escritor cubano exilado, que cumpriu 22 anos nas masmorras do regime, em artigo do dia 12 de maio deste ano, refere o tom de sentido escândalo com que o então arcebispo de Santiago de Cuba, D. Pedro Meurice, se referiu ao processo de adaptação ao comunismo e suas metas adotado por seus irmãos do episcopado, desde 1986: "Nos consideravam uma Igreja de mártires e, agora, dizem que somos uma Igreja de traidores". Valladares se pergunta, no referido artigo: "quais as intenções de fundo da ostpolitik vaticana com relação ao comunismo cubano, seus objetivos e suas metas? (...) Quais as consequências para a fé e a doutrina católica dessas atitudes tão diferentes do ensino tradicional da Igreja sobre o comunismo 'satânico' e 'intrinsecamente perverso?'".

Muito pior do que um crucifixo em forma de foice e martelo é um povo inteiro sujeito às perversidades e crimes do regime que esse símbolo representa. A cruz de Cristo foi tisnada com Seu sacratíssimo sangue. Os regimes da foice e do martelo fizeram sangrar milhões de mártires. Muitos na prisão de La Cabaña, exclamando "Viva Cristo Rey!".

Comentários  

+1 #3 Valdeke Silva 19-09-2015 23:23
Para o papa Francisco, esta é uma prova incontestável que as Igrejas Cristãs não devem apoiar governos comunistas.Eles só estão preocupados com suas ideias de dominação e de seus ideais políticos.
+1 #2 Analice Ferreira 19-09-2015 16:25
Eu sou católica e me sinto constrangida pelo fato de Bergóglio (suposto papa) estar apoiando o comunismo mundial. Apesar da frase que ele disse a Morales, "No esta bien eso", o que ocorreu depois desse episódio foi que Bergóglio revelou que havia gostado do abominável presente do índio cocaleiro. Todo católico de verdade sabe que o código canônico condena (na verdade excomunga) qualquer católico que apoie o comunismo. Sendo assim, prefiro ficar com a Igreja e com a lembrança do Papa João Paulo II, o único pontífice que realmente condenou as injustiças mundiais e que jamais coadunaria com essa safadeza esquerdista da América do Sul.
-1 #1 Vaulber B. Pellegrin 19-09-2015 16:13
Fique atento...ele é argentino!!!

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