Líder do MST ironiza protesto contra ele e diz que está 'há muito tempo' em Cuba
Ricardo Galhardo - O Estado de São Paulo - 24 Setembro 2015 
Segundo Stédile, as hostilidades praticadas na terça-feira à noite em Fortaleza fazem parte da 'raiva" da burguesia'. "Eles ainda não saíram da casa grande. Não conseguem conviver com a senzala', afirmou
São Paulo - O coordenador nacional do Movimento dos Sem Terra (MST) João Pedro Stédile respondeu com ironia às hostilidades sofridas um dia antes no aeroporto de Fortaleza (CE). Em palestra durante o Congresso dos Servidores Públicos do Ceará, o líder sem terra disse que o MST já está "há muito tempo em Cuba". Na véspera integrantes de um grupo antipetista o cercaram aos gritos de "MST, vai pra Cuba com o PT". "Eles não sabem mas já estamos em Cuba há muito tempo", disse Stédile.

 

Segundo ele, 78 integrantes do MST estão entre os 580 brasileiros formados na Escola Latino Americana de Medicina, sediada em Havana, nos últimos 10 anos. "Saí de lá convencido que mais médicos brasileiros negros foram formados em Cuba do que nas universidades brasileiras", disse ele.

Segundo Stédile, as hostilidades praticadas na terça-feira à noite em Fortaleza fazem parte da "raiva" da burguesia.

"Eles ainda não saíram da casa grande. Não conseguem conviver com a senzala", afirmou.

O líder sem terra arrancou gargalhadas da plateia ao dizer que os manifestantes tentaram ofende-lo chamando de "comunista".

Stédile foi recebido com apitaço, vaias e xingamentos ao desembarcar no aeroporto de Fortaleza, por cerca de 40 pessoas do Instituto Democracia e Ética (IDE). Ligado à Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, o IDE encabeça, no Ceará, as manifestações que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Aos gritos de "MST, vai pra Cuba com PT", os manifestantes seguiram Stédile e a professora Adelaide Gonçalves, do Curso de Ciência Sociais da Universidade Federal do Ceará, do desembarque até a área do estacionamento do aeroporto. A professora Adelaide, que foi recepcioná-lo até tentou conversar com os manifestantes, que respondiam com frases como "a nossa bandeira jamais será vermelha" . Os mais exaltados aparecem no vídeo chamando o líder do MST de "comunista safado".

O episódio teve grande repercussão entre movimentos sociais, partidos e políticos de esquerda. A direção nacional do MST divulgou, nesta quarta-feira (23), uma nota repudiando o ato por considerá-lo "agressivo e constrangedor". De acordo com a nota, o fato reflete o atual momento político pelo qual passa o País, "em que se vê crescer a cada dia o ódio contra os movimentos populares, migrantes e a população negra e pobre", e o comparou aos recentes acontecimentos no Rio de Janeiro.

"Em que a juventude das favelas está sendo impedida, com risco de sofrer agressão, de ir às praias da zona sul da capital fluminense". E prossegue: "Estes atos de violência e ódio propagados intensamente nas redes sociais, e que reverberam cada vez mais nas ruas, é mais uma demonstração da violência dos setores da elite brasileira dispostos a promover uma onda de violência e ódio contra os setores populares".

Outras 29 entidades, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Central dos Trabalhadores Brasileiros (BTB), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Levante Popular da Juventude, Juntos, União da Juventude Socialista (UJS), Fora do Eixo, além do PT, PDC do B, PSOL, cerca de 20 parlamentares destes partidos e do assessor especial da Secretaria Geral da Presidência, Renato Simões, divulgaram uma nota na qual acusam o empresário Paulo Angelim, dono de uma imobiliária em Fortaleza, de ser o responsável pela ação.

"Temos convicção de que a agressão sofrida pelo companheiro Stédile, não se limita a um ataque individual, ou somente ao MST. Esta agressão só pode ser compreendida como parte de uma ofensiva conservadora da direita na sociedade que busca criminalizar e intimidar todos/as aqueles/as que lutam por um Brasil justo e soberano", diz a nota.

Segundo as entidades, o organizador da ação, Paulo Angelim, empresário do setor imobiliário em Fortaleza, é militante do PSDB.

Nas redes sociais, Angelim, coordenador do IDE, disse que Stédile não teve sua integridade física ameaçada. "Para aqueles que estão sentindo peninha pela recepção que Stédile recebeu ontem em Fortaleza, tenho a dizer que aquilo foi um beijo comparado aos impropérios que esse fora-da-lei vocifera livremente pelos quatro cantos do Brasil, incitando o ódio, a violência, a luta de classes, o desrespeito ao patrimônio privado e público e, ainda, prometendo colocar exércitos nas ruas", afirmou Angelim.

"Parem de se esquivar da verdade. Esse elemento, da mais alta periculosidade, apenas está recebendo de volta do mundo o que tem plantado em sua vida: asco", completou. De acordo com ele, em nenhum momento Stédile ficou acuado. "Estava era achando tudo um saco. Ele sabia que não iríamos agredir, porque somos ordeiros, Desdenhou da gente", comentou o coordenador do IDE.

Angelim confirmou ao Estado, por telefone, ser filiado ao PSDB mas disse que o IDE é um movimento suprapartidário. "Isso não tem nada a ver com o partido. Tinha gente de vários partidos na manifestação, inclusive do PMDB", disse ele.

 

Comentários  

0 #9 sergio luiz de olive 29-11-2015 07:10
Fica no quartel cambada de milico bunda mole!Pra lá Geisel e Golbery os enviou e lá vcs devem ficar.Aqui não é África não!
0 #8 Francisco Cioffi 26-09-2015 15:48
As ONGs ligadas ao MST já receberam do Desgoverno Federal mais de R$ 152 milhões.
Isso e os mais de 20.000 cargos comissionados da petezada ela não corta.
0 #7 Dalton Catunda Rocha 26-09-2015 14:29
O verdadeiro problema do Brasil, não é Dilma, como não era Lula, nem FHC, nem Collor, nem Sarney, nem Jango ou Jânio. O verdadeiro problema do Brasil é, o patrimonialismo .
Dei-me um país, que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre e uma cleptocracia. Cuba é o futuro da Venezuela. A Venezuela é o futuro da Argentina. E a Argentina é o futuro do Brasil.
Sarney, FHC, Lula e Dilma deram muitas centenas de bilhões de reais ao MST. Só FHC deu mais que a área do estado Paraná, aos “sem terras”. O combate ao MST deve começar por Sarney, FHC, Lula e Dilma, não por José Rainha e João Pedro Stédile, que são meros atores secundários.
0 #6 Daniel Albuquerque 26-09-2015 11:34
Assisti o vídeo da "recepção" ao "general" Stédile em Fortaleza. Ele, realmente", não se mostrou decepcionado pela ação dos manifestantes. Essa gente que sobrevive sem trabalhar, gozando de todas as vantagens da burguesia capitalista, fingindo ser defensor dos menos favorecidos, toma o antídoto CARA DE PAU contra a natural indignação dos que trabalham duro para sustenta-la.
+4 #5 James 26-09-2015 06:49
Os manifestantes erraram feio em chamar Stédile de "comunista safado"....é pleonasmo vicioso !!!
+6 #4 chiquito 25-09-2015 22:04
Este canalha jamais irá para cuba tendo em vista a abertura com os Estados Unidos, ela não passará de um flanelinha.
+6 #3 Carlos I.S. Azambuja 25-09-2015 21:45
Resumo dessa História. Esse cara não passa de um grande babaca. A propósito: qual a sua profissão? Ele vagabundo trabalha?
+10 #2 Vaulber B. Pellegrin 25-09-2015 19:14
Toda essa situação se deve a "MALDITA ANISTIA"!!!!
+10 #1 Valdir 25-09-2015 19:05
Esse patife é muito cara de pau como todos petistas; recebem polpudas verbas das tetas do governo, esses canalhas que são elites, vivendo do sangue dos verdadeiros trabalhadores são a pior escória da terra. E so tirar as verbas e poder desses filho das puta que enlouquecem mais do que são

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