Seguem algumas considerações que faço sobre a saída do Gen Mourão e a homenagem ao Cel Ustra em Santa Maria.
GEN BDA R1 ROCHA PAIVA.
A Folha UOL e o ESTADÃO on line anunciaram a exoneração do Gen Ex Mourão do Comando Militar do Sul (CMS). Segundo a mídia, os motivos seriam a crítica ao governo brasileiro, feita por aquele comandante durante palestra em organização militar do CMS, e a formatura em homenagem póstuma ao Cel Ustra, realizada na 3ª Divisão de Exército (Santa Maria -RS).
Quanto à crítica ao governo, o Cmt CMS certamente sabia das possíveis consequências, por ser oficial da ativa. Porém, existem situações em que um chefe militar toma decisões de acordo com o que ele próprio considera melhor para a Nação, independente dos prejuízos profissionais ou pessoais que elas possam trazer. Teria o Cmt CMS concluído que possuía elementos de juízo para considerar ser o momento necessário de colocar a lealdade à Nação em primeiro plano, acima da disciplina? Se assim o fez foi uma decisão pessoal que, em futuros cenários iguais ou distintos, outros poderão se sentir moralmente obrigados a tomar e alguns já o fizeram em situações passadas sem ameaçar a normalidade democrática.

A sua coragem moral de celebrar o 31 de Março nunca será esquecida pelo Exército, pois é um indício de que a nossa história não será contada apenas pela esquerda radical socialista, gramcista e inimiga da verdade, encastelada em altos escalões da República. O Gen Ex Mourão, uma liderança militar inconteste, continua credor da admiração e amizade de seus irmãos de armas. A sua transferência do Comando do CMS para um cargo do mesmo nível era um desfecho esperado, considerando o nível e o objeto da crítica feita e o vulto tomado pelo acontecimento. O militar da ativa pode falar sobre diversos temas e tem ampla liberdade para isso. A questão não é tanto sobre "o que " falar, mas sim sobre "o como" dizer (basta consultar a Constituição Federal e ver que isso é verdade).

Artigo “Lealdade e Disciplina”, de minha autoria, publicado no “Estadão” em maio de 2008: "Hierarquia e disciplina são fundamentos das forças armadas (FA) em qualquer país. Sem elas as FA se transformam em instrumentos de opressão à sociedade, desintegram-se em segmentos controlados por caudilhos ou grupos de interesses diversos lutando entre si pela tomada do poder. Perdem o caráter de instituições nacionais e sua razão de ser como ‘braço armado’ para a defesa da nação. --- [Porém] O dilema entre disciplina e lealdade é apenas aparente, pois a lealdade à Nação é manifestação de disciplina em seu grau mais elevado, considerando a missão constitucional das FA e o juramento do militar à Bandeira Nacional [---] esse dilema não tem razão de ser quando silêncio e omissão contribuírem para causar um dano insuportável à nação e à instituição, estas sim, e nesta ordem, credoras de sua lealdade". Este artigo foi escrito quando a parte da mídia e alguns políticos cobravam sanções ao então Comandante Militar da Amazônia, por ter classificado como caótica (e com razão) a política indígena do governo brasileiro em palestra no Clube Militar.

Quanto à homenagem ao Cel Ustra, se isso também foi considerado na transferência do Cmt CMS, como noticiou a mídia, seria o cúmulo da hipocrisia, vindo de lideranças e partidos políticos que enaltecem terroristas e assassinos como Lamarca, Che Guevara, Fidel, Mao, Stalin e Lênin e homenageiam artífices, mestres e instrutores da violência e de crimes hediondos como Marigella, autor do Manual do Guerrilheiro Urbano. Monumentos, logradouros e escolas podem receber o nome de assassinos e terroristas e o Exército não pode homenagear os militares que tiveram a missão de combate-los? Aliás, o Cel Ustra não foi condenado em nenhuma instância e nem poderia se-lo, haja vista a Lei de Anistia. O fato de seu nome e o de outros chefes militares constarem no relatório da "comissão da omissão da verdade" não tem a menor relevância, haja vista a total falta de isenção e credibilidade daquele nefasto colegiado. Não sei se o Ministro da Defesa considerou a homenagem ao nosso heroico Cel Ustra na condução da questão, mas, se o fez, precisa lembrar que o seu partido de linha maoísta, o PCdoB, foi um dos mais violentos e sanguinários na luta armada. O partido foi o responsável pela morte de dezenas de jovens que mandou para o sul do Pará, a fim de implantar a guerrilha no Araguaia, com a ordem de que só poderiam sair de lá vivos se fosse com a vitória, caso contrário, deveriam morrer lutando. Enquanto isso, a liderança política do partido ficava "coordenando" as ações em São Paulo.

O Exército não deixará que a história dos anos 1960 e 1970 seja contada pela esquerda socialista radical, hoje bem conhecida por seu desapego à verdade. A propósito da história do Exército e do regime militar, segue o extrato de um artigo de minha autoria - QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA: Jan – Fev de 2014, publicado em diversos sites na Internet:

[Início de Trancrição] Em defesa do Exército Brasileiro (EB) e dos militares, particularmente das gerações entre a II Guerra Mundial e o final dos anos 1970, que se empenharam, de armas na mão ou não, para o Brasil se manter no rumo da democracia.

Nos 50 anos do Movimento Civil-Militar de 31 de Março de 1964, o EB será o alvo principal de intensa campanha de desgaste a ser movida pela jurássica esquerda radical, sempre abraçada à ideologia socialista, responsável pelos maiores crimes contra a humanidade no século XX. Diante desse cenário, a consciência do militar, da ativa ou reserva, com certeza lhe dirá: não se omita. Hoje, a esquerda domina a política nacional e seu ramo radical-revanchista controla amplos setores dos Poderes da União. Seus quadros da área da educação já iniciaram a supramencionada campanha, cujo objetivo é massificar na sociedade, principalmente em crianças e jovens, uma facciosa versão oficial do que se passou no Brasil entre 1964 e 1985.

Em 28/11/2013, no Seminário “Ensino sobre a ditadura militar nas escolas”, realizado no Instituto de História da UFRJ, foi divulgado que a Comissão da Verdade do Rio de Janeiro visitará as escolas (*) “visando a uma boa preparação para os ‘50 anos do Golpe’ --- para isso, terão muita importância os livros didáticos que estão sendo preparados pela CV”. Ora, merecem credibilidade os livros didáticos de uma Comissão reconhecida como parcial? No Seminário, entre outras propostas, foi enfatizada a (*) “--- re-contextualização do Golpe de 64 de modo a que se proporcione aos professores dos níveis escolares elementares uma ‘uniformização de pensamentos’ (sic) entre professores e alunos, de modo que o professor deve atender às orientações de uma Gerência de Passados Sensíveis, de modo a se construir uma ‘memória coletiva’ ou ‘campo semântico comum’, formando, a partir daí, uma identidade nacional nova quanto ao tema ‘a ditadura militar nas escolas’ --- As apresentadoras disseram estar em fase de montar currículos e atividades adequados para esse fim de modo a que Escola e Academia tenham um ‘saber comum’ para o ensino da ditadura militar nas escolas”.

“Uniformização de pensamentos”, “campo semântico comum”, etc. Alguma dúvida sobre o controle da mente e a cassação da liberdade de pensamento e de cátedra? Ou seja, a esquerda socialista, empregando a estratégia gramcista de controlar a mente da sociedade antes de dominar o Estado, vai contar “uma estória” do que foram o regime militar e a luta armada, inclusive, para futuras gerações de militares. [---]

Em instituições hierarquizadas como forças armadas, os escalões de comando ou chefia básicos e intermediários se reportam ao imediatamente superior, pois seria danoso tratarem, diretamente com a sociedade, de temas que fogem às suas responsabilidades. Nos assuntos de maior relevância e sensibilidade para a nação e essas instituições, é a liderança estratégica que decide como agir, assessorada com franqueza, desprendimento, respeito e cooperação pelos chefes militares do mais alto nível hierárquico. A ascensão do militar a esse nível lhe confere uma carga de responsabilidades muito além da que repousa nos ombros dos subordinados. É um ônus exclusivo do topo da pirâmide, pois é aí e não nos escalões inferiores que é feita a interface dessas instituições com a nação e a liderança do país.

Muitos militares, alguns ainda na ativa, viram seus avós, pais e outros parentes aderirem, com coragem e desprendimento, ao Movimento de 31 de Março na primeira hora, como um imperativo de consciência na defesa de crenças e ideais. As gerações de soldados, delimitadas no início do texto, sempre enalteceram o valor, a dedicação e o espírito de sacrifício dos irmãos de armas que, como destacou o General de Exército Walter Pires: “na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se opor a agitadores e terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia”. Se a guerra revolucionária interna não vingou, muito a eles se deve, pois contribuíram para a continuação do processo de redemocratização contra os que tentavam implantar a ditadura do partido único. Se alguns infringiram a lei, foram anistiados assim como os antigos assassinos, sequestradores e terroristas da luta armada.

A consciência de homens justos não lhes permitirá serem injustos com pais, avós, camaradas e chefes do passado, aceitando, por omissão ou timidez, que sejam apresentados à Nação como golpistas ou criminosos, enquanto antigos assassinos, terroristas e sequestradores da luta armada são cultuados como heróis e democratas. É exatamente isso que a reemergente esquerda totalitária está promovendo. [---]

“É uma benção que em todas as épocas alguém tenha tido individualidade bastante e coragem suficiente para continuar fiel às próprias convicções” - Robert Ingersoll.

(*) Site “Jornal da Paulista”. Gramscismo Puro «Ensino da ditadura militar nas escolas». De Jorge A. Forrer Garcia, 10/12/2013 [Final de Transcrição].

 

Quando um chefe militar do alto escalão tiver elementos de juízo para concluir que um determinado rumo causará danos injustos e irreparáveis à reputação da Instituição, sentirá a obrigação moral de manifestar sua posição com franqueza e coragem, em termos respeitosos, dentro da lei e sem usar a força de seu cargo, pois sabe ser este o seu compromisso com a Pátria e o Exército e o seu dever como líder militar. No início, o fará reservadamente dentro da cadeia de comando, só o tornando público em última instância. O momento limite para a decisão a sua consciência o dirá. A História da Pátria e a reputação do Exército são sagrados para comandantes e comandados. No Brasil, assim foi, assim tem sido hoje e sempre será assim.

 

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Comentários  
#6 of sip bons 31-10-2015 16:55
Exmo sr. Gen Bda R/1 Rocha Paiva: MARAVILHOSO TEXTO! Caso sirva para enaltecer ainda mais o pensamento de Vossa Excelência: será que o decreto 8.515 neste site(ALERTA), 15/09/15 SOB TÍTULO "decreto dos militares", já não era a intenção ilegal e inconstituciona l de reprimir Grandes Comandantes? Visto que, a LC 97 (e não 67 ouve equivoco) já consta no § 1º do art. 142 da CF/88??? reeditado pelo jurista NELSON JOBIM, NA DATA ACIMA???
ASSIM, ESTAMOS DIANTE DE FATO GRAVÍSSIMO DO SR. MD - pertencente ao PC do B???
Será o fim???
Alguém, tem que alertar aos governantes que o E.B. e FFAA estão inseridos na C.R.F.B. dentro da legalidade (...) - Por isso mesmo antes de 2000, professores universitários de Direito, no RJ, ensinavam "DIREITO CONSTITUCIONAL" , que, haveria a criação de um MD POR PEC...
Agora, virou bagunça jurídica, caro General R/1??? Ou seja, nomearão e exonerarão quem "ELES" quiserem???
PS.: VER TEXTO CF/88 ART 142 § 1º ...
#5 Helio Bogea 31-10-2015 11:25
Eh,, eu acho que no EXERCITO BRASILEIRO, de CAXIAS, OSORIO, MALLET, VILAGRAN, Mal Castelo Branco, ATUALMENTE, nao existe mais LUGAR para HOMENS DE CORAGEM MORAL. A SUBSERVIENCIA EH TOTAL...Se todo o ACE fosse composto por GENERAIS do NIVEL do Gen. MOURAO, a historia atual seria outra...
#4 Cleide Bessa 31-10-2015 10:52
Eu confio em Deus e acredito nos militares,
creio que na hora certa, haverão de agir em prol da justiça que se faz necessária, diante dos desmandos em que se encontra o nosso país, por essa máfia que se instalou no governo em todos os âmbitos, seja federal, estadual e municipal. Precisamos sempre das FA, hoje mais do que nunca, haja vista o caos se tornou um Câncer que está se generalizando. General Mourão, nosso carinho, admiração e respeito ao senhor. Deus lhe proteja!
#3 Deyson Thomé 30-10-2015 19:36
General

Como brasileiro patriota, assisto com atenção e sempre acreditando no compromisso cívico e constitucional de nosso Exército, ou melhor, nossas Forças Armadas.

Tive a honra de assistir a uma sua em Vitória-ES em um evento do POP, do qual sou presidente no Rio de Janeiro.

Tenha certeza General, que o Exército Brasileiro é muito grande, o número de brasileiros prontos multiplica o efetivo em números expressivos.

O que ocorre no Brasil hoje é a comprovação de que o Ato Patriótico de 64 era o correto, pois aqueles que atentavam contra a democracia hoje estão no poder mostrando claramente por que vieram e os bandidos que sempre foram.
#2 Vaulber B. Pellegrin 30-10-2015 17:45
E condecorar "guerrilheiros" pode???
#1 augusto cesar coimbr 30-10-2015 17:24
Caro Rocha Paiva .ainda me lembro de vc auxiliar de instrutor no Curso de infantaria da EsAO enquanto eu como coronel servia na SECODAS da mesma instituição .........um abraço do admirador ..............q uanto ao Gen Mourão tem ele a minha irrestrita solidariedade
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